Deputados federais e distritais que se reuniram com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmaram que não há, no momento, um prazo-limite dado pela autarquia ao Banco de Brasília (BRB), e que a análise conduzida pelo BC agora tem como base outros elementos, relacionados à liquidez e ao patrimônio do banco.
“A análise do BC hoje é uma análise de caixa, de dia a dia. O prazo já não existe, o prazo estabelecido na lei era o prazo de 31 de março, por isso tem multa, então o BC já não trabalha, me parece, com uma discussão de prazo”, disse o deputado distrital Fábio Félix (PSOL) a jornalistas, ao deixar o encontro.
Ele estava acompanhado do deputado distrital Max Maciel (PSOL-DF) e das deputadas federais Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Érika Kokay (PT-DF).
Segundo o grupo, ao longo da reunião, Galípolo não fez comentários sobre a situação concreta do BRB, mas demonstrou sensibilidade e preocupação quanto ao caso, principalmente, ao fato de o BRB ser um banco público importante para a economia e a população do Governo do Distrito Federal.
Os deputados enfatizaram que o BRB deve ser tratado como uma vítima e ressaltaram a importância de buscar uma solução para o banco. Também fizeram críticas ao GDF, específicamente à governadora Celina Leão (Progressistas), e menções ao caso Master.
Celina Leão
Félix afirmou que o governo do DF não tem feito o suficiente e que as ações adotadas são protelatórias, considerando o ano de eleição. “Esperando chegar outubro, passar o processo eleitoral para de fato buscar soluções efetivas para o banco. Obviamente o governo não quer que o banco seja liquidado, não quer que o banco quebre, o fim do banco até as eleições. Mas também não me parece que haja uma preocupação sólida, consistente com o salvamento do banco”.
Quando a busca por ajuda do Governo Federal, os deputados afirmaram que Celina teria apenas enviado um ofício simbólico solicitando a garantia, mas que não teria tomado outras ações para viabilizá-la.
Kokay afirmou que “não tinha notícias” se a governadora havia procurado ajuda da bancada federal do PT para intervir junto à União. Questionada se atuaria para que o BRB tivesse ajuda da União, Kokay respondeu: “Nós estamos à disposição para buscar todas as soluções que sejam efetivas e que não sejam apenas soluções de fazer de conta, ou não sejam apenas atos que não representem de fato toda uma intenção e que não sejam apresentados todos os instrumentos necessários para que esses atos possam ser efetivados.”
Master
Melchionna defendeu a instalação da CPMI do Master. “Nós estamos falando dos interesses do povo do DF, nós estamos falando dos interesses do povo do Rio de Janeiro, que também foi lesado quando o governador Cláudio Castro usou dinheiro de aposentadoria para essa podridão do Banco Master. Também tem a ver com os contribuintes de outros Estados, e o conjunto do povo brasileiro”, afirmou.