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27 de março de 2026

Apesar de tensão com guerra no Oriente Médio, dólar recua 1,27% na semana


Por Agência Estado Publicado 27/03/2026 às 17h52
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O dólar exibiu leve queda no mercado local e encerrou esta sexta-feira, 27, abaixo de R$ 5,25, na contramão do comportamento da moeda americana no exterior. O dia foi marcado por tombo dos ativos de risco e nova rodada de alta dos preços do petróleo, em meio a incertezas sobre o rumo do conflito no Oriente Médio. Operadores atribuíram o fôlego do real à provável internalização de recursos por exportadores e a ajustes técnicos com a proximidade do fim do mês, marcado por rolagem de posições no segmento futuro.

Pela manhã, o dólar ensaiou um movimento de alta, correndo até a máxima de R$ 5,2799, mas trocou de sinal no início da tarde, passando a rodar entre R$ 5,22 e 5,23, com mínima de R$ 5,2190. Nas últimas horas de negócios, com uma piora da aversão ao risco, o dólar arrefeceu bastante as perdas, passando a orbitar os R$ 5,25. Referência do comportamento da moeda americana em relação a seis divisas fortes, o índice DXY superou os 100,000 pontos, com máxima aos 100,206 pontos.

No fim da sessão, o dólar à vista era negociado a R$ 5,2417, recuo de 0,28%. Apesar de encerrar a semana em baixa de 1,27%, a moeda norte-americana ainda acumula alta de 2,10% em relação ao real, que apresentou no período perdas inferiores a de seus principais pares, à exceção do peso colombiano. Pesos mexicano e chileno amargaram queda de mais de 5%, enquanto o rand sul-africano caiu quase 8% frente ao dólar no mês.

O economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, destaca que a formação da taxa de câmbio se dá em meio a forças opostas. Por um lado, a aversão global ao risco, alimentada por temores de um choque ainda mais forte nos preços de energia, leva a uma busca pela moeda americana e abala divisas emergentes. De outro, a perspectiva de melhora de termos de troca, que resulta em fluxo maior de recursos pelo canal comercial, tende a impulsionar moedas ligadas ao petróleo, caso do real.

“É difícil prever qual fator vai prevalecer no dia. O real tem até se comportado bem com o aumento do petróleo. O país é exportador da commodity e há a percepção de que os preços mais altos podem trazer um efeito positivo para a economia no longo prazo”, afirma Lima. “Em todo caso, há um aumento do prêmio de risco que no curto prazo acabou invertendo a tendência de apreciação do real que vimos até o fim de fevereiro”.

No início da noite da quinta-feira, com o mercado spot de câmbio já fechado, houve certo alívio com a decisão de Donald Trump de postergar eventual ataque a usinas iranianas de energia por 10 dias, até 6 de abril. O presidente dos EUA reiterou que as negociações com o Irã continuavam e revelou que haveria uma reunião entre as partes nesta sexta à noite para tratar de um cessar-fogo.

Segundo informações do The Wall Street Journal, autoridades iranianas não solicitaram pausa em ataques nem apresentaram resposta ao plano de 15 pontos de Trump. À tarde, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que participou de encontro do G7 na França, disse que espera uma resposta do Irã entre esta sexta ou sábado.

Sem sinais concretos de que um cessar-fogo está próximo, as cotações do petróleo voltaram a subir. O contrato do WTI para maio fechou em alta de 3,33%, a US$ 94,19 o barril. Já o Brent para junho – referência de preços para o Brasil – avançou 3,37%, a US$ 105,33 o barril, acumulando valorização de mais de 50% em março. No ano, a alta já supera 80%.

Lima, da Western Asset, ressalta que, mesmo em caso de encerramento do conflito no Oriente Médio, a tendência é que o petróleo não volte aos níveis pré-guerra, já que parte da produção foi comprometida em ataques mútuos. Além disso, países tendem a repor estoques de petróleo e até aumentá-los em relação aos patamares históricos. “E os preços ainda vão embutir um prêmio de risco maior por conta da insegurança geopolítica”, afirma.

Por aqui, após duas intervenções no mercado de câmbio nesta semana, o Banco Central não deu às caras. Operadores afirmam que houve uma acomodação tanto do casado (diferença entre dólar à vista e futuro) quanto do cupom cambial (juro em dólar) no curto prazo. Na última terça-feira, 24, o BC surpreendeu o mercado com oferta de US$ 1 bilhão em linha (venda de dólar com compromisso de recompra). Na quinta, a autoridade monetária repetiu a dose, com nova oferta de US$ 1 bilhão em linha.

Operadores atribuíram a intervenção do BC à provável escassez de divisa no segmento spot e a zeragem de operações em cupom cambial por parte de bancos, algo típico às vésperas do fechamento dos resultados trimestrais. “Aparentemente, estamos com escassez de linhas externas. Os bancos lá fora podem ter feito algum movimento de ‘clean up’ das carteiras”, afirma o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

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