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03 de fevereiro de 2026

Após dois pregões seguidos de alta, dólar tem leve queda com exterior


Por Agência Estado Publicado 03/02/2026 às 18h45
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O dólar encerrou a sessão desta terça-feira, 3, em leve queda no mercado local, alinhado ao comportamento da moeda americana no exterior, que voltou a cair após um repique nos últimos dias com a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve por Donald Trump. A alta do petróleo e provável fluxo estrangeiro para a bolsa doméstica contribuíram para a apreciação do real.

A leitura da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) levou casas relevantes, como Santander e Itaú, a alterar a projeção para a queda da taxa Selic em março de 0,25 ponto porcentual para 0,50 ponto, mas não mudou a perspectiva de que o alívio monetário será gradual. A perspectiva é de manutenção de taxa real elevada e amplo diferencial entre juros – o que estimula o carry trade e desencoraja carregamento de posições em dólar.

Pela manhã, o dólar chegou a flertar com o rompimento do piso de R$ 5,20, ao registrar mínima de R$ 5,2065. A divisa reduziu o ritmo de baixa ao longo da tarde e fechou com perda de 0,18%, a R$ 5,25, após duas sessões seguidas de alta. A moeda americana sobe 0,05% em relação ao real nos dois primeiros pregões de fevereiro, após queda de 4,40% em janeiro – a maior desvalorização mensal desde junho de 2025, quando caiu 4,99%.

Para o diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, o quadro externo continua muito favorável a ativos brasileiros. Ele ressalta o fluxo estrangeiro de mais de R$ 26 bilhões para a B3 em janeiro, o segundo melhor da série histórica.

“O Brasil é um dos países que mais se beneficiam no atual quadro geopolítico. Essa entrada de recursos externos não surpreende. Vejo uma janela para mais apreciação do real. O dólar pode ficar abaixo de R$ 5,00 neste primeiro semestre”, afirma Oliveira, para quem o início de um ciclo de redução da Selic não abala o real. “O carry trade ainda vai permanecer muito elevado”.

Lá fora, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes – recuava cerca de 0,20% no fim do dia, ao redor dos 97,450 pontos, após mínima aos 97,298 pontos. Entre divisas emergentes e de países exportadores de commodities, destaque para o dólar australiano, com ganhos de cerca de 0,90%, após o banco central da Austrália anunciar alta de juros.

À tarde, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou o pacote de financiamento governamental de US$ 1,2 trilhão revisado pelo Senado para encerrar a paralisação parcial do governo americano. A divulgação de dados relevante do mercado de trabalho, como relatório Jolts e o payroll de janeiro, foi adiada em razão da paralisação.

Por aqui, o destaque foi a ata do encontro do Copom na semana passada, quando o comitê adiantou que deve iniciar em março um ciclo de cortes da taxa Selic. A ausência de sinais mais duros no documento, que reiterou a mensagem do comunicado, abriu as portas para apostas em uma redução inicial da taxa básica em 0,50 ponto porcentual.

O comitê reitera na ata, contudo, “a necessidade da manutenção do patamar de juros em níveis restritivos” para consolidar o “processo de desinflação” e pontua que a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária serão determinadas ao longo do tempo” à luz de indicadores econômicos.

Para Oliveira, do Pine, o BC já tinha “condições técnicas” para iniciar o ciclo de corte de juros em janeiro, mas optou por uma posição mais conservadora, optando, em primeiro lugar, por ajustar o tom da comunicação.

“Depois do comunicado da semana passada, a curva de juros já começou a mostrar chances maiores de corte de 0,50 ponto em março. Parcela dos analistas previa 0,25 ponto e está ajustando depois da ata”, afirma o diretor do Pine, que previa, desde a decisão do colegiado na semana passada, redução de 0,50 ponto em março e Selic em 11,50% no fim de ano.

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