BC: juro contracionista e endividamento elevado requerem cautela na concessão de crédito


Por Agência Estado

O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central avaliou nesta quinta-feira, 19, que o ambiente de taxa básica de juros contracionista, aliado ao elevado endividamento de famílias e empresas, requer cautela e diligência nas concessões de crédito. “A materialização de risco para micro, pequenas e médias empresas permaneceu elevada”, disse. “Quanto às famílias, níveis elevados de ativos problemáticos e de probabilidade de default indicam que a materialização de risco deve continuar pressionada”, emendou. As avaliações constam na ata de sua 64ª reunião.

Segundo o Comef, o endividamento e o comprometimento de renda das famílias voltaram a crescer e permanecem em patamares historicamente elevados.

O colegiado também observou que o contínuo aumento da participação de modalidades mais onerosas na composição da dívida deve continuar impactando o comprometimento da renda. Além disso, acrescentou que observam-se casos pontuais de deterioração da capacidade de pagamento em empresas de maior porte. “Na visão do Comitê, esse cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito”, disse.

Mercado de capitais

Quanto ao mercado de capitais, o colegiado afirmou que a maior utilização de alguns instrumentos de securitização e de estruturas que envolvem múltiplas camadas de fundos de investimento pode dificultar a adequada avaliação de riscos.

Pontuou, na sequência, que a expansão das debêntures de securitização apresenta aspectos positivos, como o aumento da liquidez da carteira de crédito, mas também eleva a opacidade para investidores e supervisores

Também detalhou que alguns fundos de investimento, por sua vez, operam com cadeias estruturadas em múltiplos níveis, o que aumenta a complexidade do mapeamento de riscos. Entretanto, disse, poucas instituições financeiras possuem parcela relevante de ativos alocados em fundos com potencial dificuldade de precificação.

Sair da versão mobile