O Bundesbank revisou para baixo suas projeções de crescimento da economia alemã e elevou suas estimativas de inflação para este ano e o próximo, citando os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços de energia e a atividade econômica. Apesar da piora do cenário de curto prazo, a instituição avalia que a recuperação da maior economia da Europa deve ganhar força gradualmente, apoiada principalmente por uma política fiscal expansionista.
Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, 12, o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, afirmou que a guerra está pesando sobre a economia alemã e retardará a retomada iniciada no inverno europeu. Ainda assim, ele destacou que os estímulos fiscais devem impedir uma contração da atividade no segundo semestre. “A atividade econômica ganhará tração novamente ao longo do nosso horizonte de projeção até 2028”, afirmou.
O banco central passou a projetar crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ajustado por calendário de 0,5% em 2026 e de 0,8% em 2027, abaixo das estimativas de 0,6% e 1,3%, respectivamente, divulgadas em dezembro. Para 2028, porém, a previsão foi elevada de 1,1% para 1,4%.
Segundo a instituição, a alta dos custos de energia reduz o poder de compra das famílias, enquanto as empresas enfrentam gargalos de oferta, demanda mais fraca e maior incerteza. O Bundesbank espera que os preços do petróleo recuem significativamente até 2028, à medida que os efeitos do conflito diminuam.
Na inflação, a revisão foi ainda mais expressiva. A projeção para o índice harmonizado de preços ao consumidor subiu para 2,9% neste ano e 2,7% em 2027, ante estimativas de 2,2% e 2,1%, respectivamente, apresentadas em dezembro. Apenas em 2028 a inflação deverá retornar para 1,9%.
Nagel afirmou que o choque de oferta provocado pela guerra no Oriente Médio tem se mostrado “forte e persistente” e alertou que uma nova disparada dos preços de energia poderia elevar ainda mais a inflação e enfraquecer a atividade econômica. O presidente do Bundesbank ressaltou que as novas projeções estão cercadas por um grau “particularmente elevado” de incerteza devido ao cenário geopolítico.