Casa dos Ventos e Unipar fecham contrato de autoprodução via usina solar no MS
A geradora renovável Casa dos Ventos e a química Unipar anunciaram na quarta-feira, 18, a celebração de um contrato para autoprodução de energia renovável. As duas companhias formarão uma joint venture para exploração de parte de um parque solar que a geradora está construindo no Mato Grosso do Sul que terá, ao todo, 640 MW de capacidade.
A Unipar receberá 33 megawatts médios (MWmed) a partir de 2028. A parceria, inicialmente, tem duração de 15 anos e permitirá à Unipar manter sua operação com 100% de energia renovável. Deste total, 80% da energia usada pela petroquímica são oriundos de projetos desta modalidade, na qual grandes consumidores de eletricidade se tornam sócios em uma usina e, com isso, obtêm benefícios via menor pagamento de encargos. Os outros 20% são adquiridos no mercado livre de energia em contratos de longo prazo.
O negócio é o primeiro entre as duas empresas. Formalmente, se dará por meio da aquisição da Unipar Indupa de participação societária equivalente a 9,8% do capital total da Ventos de São Norberto Energias Renováveis, da Casa dos Ventos, conforme a química informou em fato relevante.
A Unipar já participa de arranjos do tipo em dois complexos eólicos – Cajuína, no Rio Grande do Norte, e Tucano, na Bahia – e em outro empreendimento solar em Pirapora, em Minas Gerais. A capacidade instalada conjunta desses três parques atinge 485 MW, dos quais 159 megawatts médios são destinados às operações da Unipar no Brasil.
Ainda no fato relevante, a Unipar afirmou que o negócio, que se confirmará após o cumprimento de condições precedentes, contribuirá “para ganhos de eficiência energética, maior previsibilidade operacional e avanço consistente da estratégia de descarbonização do Grupo Unipar, aumentando a competitividade da companhia em decorrência dos benefícios relacionados à autoprodução de energia por equiparação”.
Já o diretor executivo da Casa dos Ventos, Lucas Araripe, avalia que a Unipar já é uma companhia sofisticada do ponto de vista de suprimento energético e que a entrada da geradora no portfólio é “muito importante” dado este histórico.
Ele afirma ainda que a construção do parque, que é objeto da parceria, está dentro de um conjunto de projetos que a empresa quer entregar até 2028 e soma dois gigawatts (GW) de capacidade. A lista inclui, além da usina no Mato Grosso do Sul, outros dois empreendimentos eólicos, um de 630 MW no Ceará, e outro de 830 MW no Piauí.
Para ele, a companhia segue fechando acordos de autoprodução – mesmo com o endurecimento das regras para a modalidade, que se deu com a lei de modernização do setor elétrico aprovada no ano passado – por conta do foco da companhia em grandes cargas de energia.
“A gente acredita que a autoprodução deve continuar sendo uma maneira interessante para as companhias reduzirem o custo final de energia seja via equiparação, que ficará mais restrita aos grandes consumidores e para quem tem disponibilidade de investir muito capital, seja via arrendamento, para os menores, com os quais também temos trabalhado”, disse ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
