A Cosan afirmou, em comunicado, que avalia alternativas para sua participação na Rumo Logística, em linha com a estratégia de redução de alavancagem e otimização da estrutura de capital. A informação foi divulgada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em resposta a notícias recentes na imprensa sobre uma possível venda de participação na companhia de logística. Segundo a Cosan, o BTG Pactual foi contratado como assessor financeiro.
O conglomerado afirmou ainda que o processo está em fase de tratativas iniciais e que ainda não há decisão sobre a realização de uma transação envolvendo a participação na Rumo, nem sobre formato e condições de um eventual negócio.
Holding da família Ometto, que tem como sócios estratégicos o próprio BTG e a gestora Perfin, a Cosan corre contra o tempo para vender ativos e reduzir o endividamento. No ano passado, a companhia faturou R$ 40,4 bilhões com negócios como a Raízen (que produz etanol e distribui combustíveis, com a marca Shell), a Compass Gás e Energia, a Rumo Logística, a empresa de lubrificantes Moove e a de gestão de terras agrícolas Radar.
A Cosan foi arrastada para o alto endividamento por conta de investimentos na Vale, feitos com dívidas corporativas, e um plano de expansão agressivo na Raízen, também realizado com empréstimos e que não obteve o resultado alcançado.
Com a alta dos juros nos últimos anos, a Raízen, que respondia pela maior parte da receita do grupo, tornou-se um ralo de dinheiro. No início do mês, conseguiu firmar com credores o maior acordo de recuperação extrajudicial da história, com dívidas de quase R$ 64 bilhões.
Agora, o conglomerado passa a vender outros ativos – e a Rumo é um dos itens mais valiosos em seu portfólio. A Cosan detém atualmente 20,33% do capital da empresa, que é a maior operadora de ferrovias do País e um dos pilares logísticos do agronegócio.
Com quase R$ 14 bilhões de faturamento e lucro líquido ajustado (que desconsidera efeitos contábeis) de R$ 2 bilhões no ano passado, a Rumo controla uma rede de trilhos que se estende por mais de 14 mil quilômetros, que cortam Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Também opera complexos logísticos no Porto de Santos (SP) e tem conexões com Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS). Conta com uma frota com mais de mil locomotivas e cerca de 33 mil vagões em circulação.
As primeiras notícias que circularam no mercado diziam que havia oito interessados na Rumo. Em entrevista ao Estadão no mês passado, Rubens Ometto afirmou que havia muitos interessados, mas que a Cosan manteria seu controle.
Grupo Ultra teria desistido de oferta pela Rumo
O jornal O Globo publicou no domingo, 28, que o Grupo Ultra havia desistido de fazer uma oferta pelo negócio. Nesta segunda, o Bradesco BBI afirmou que, se a informação for confirmada, a desistência reduz de forma modesta o universo de potenciais parceiros estratégicos para o grupo controlador.
Ainda assim, o banco afirma que o movimento reportado não altera necessariamente a lógica estratégica de uma transação e pode apenas refletir questões de avaliação ou a continuidade de conversas com outras potenciais contrapartes.
Os analistas André Ferreira, Matheus SantAnna e Leandro Neto escreveram que, além de oito potenciais interessados, perfis distintos de compradores podem resultar em estruturas diferentes de operação. Na avaliação do trio, a depender do tipo de investidor, os efeitos podem variar em avaliação, tamanho da fatia adquirida e governança.
Segundo o BBI, investidores financeiros ou estratégicos poderiam inicialmente buscar uma participação minoritária abaixo do limite de acionamento da poison pill (cláusula que evita aquisições hostis). No caso de clientes da Rumo, um investimento tenderia a exigir mecanismos de governança reforçados para resolver potenciais conflitos de interesse decorrentes da relação comercial.
O banco afirma ainda que esses compradores também poderiam buscar uma participação maior, possivelmente acima do limite da poison pill, e que, dependendo da estrutura, um comprador pode aderir ao acordo de acionistas sem acionar a cláusula, como discutido em relatório de março de 2026.
O Bradesco tem recomendação outperform (equivalente a compra) para as ações da Rumo. O preço-alvo é de R$ 22, o que implica em um potencial de valorização de 60,70%, ante o último fechamento.