O dólar exibiu queda firme nesta segunda-feira, 18, devolvendo parcialmente os ganhos de mais de 3% da semana passada, e voltou a fechar abaixo da marca de R$ 5,00. Apesar das incertezas em torno dos desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã, as taxas dos Treasuries exibiram fôlego curto, o que abriu espaço para a recuperação das divisas emergentes.
O real liderou os ganhos entre as moedas mais líquidas, com investidores aparando prêmios embutidos na taxa de câmbio diante da reconfiguração das expectativas para a corrida eleitoral após o “Flávio Day 2.0”.
A perspectiva de estreitamento do espaço para novas reduções da taxa Selic, reforçada pelo Boletim Focus, torna muito custosa a manutenção de posições cambiais defensivas e desencoraja apostas mais contundentes contra a moeda brasileira.
Após operar acima de R$ 5,00 pela maior parte do dia, o dólar acelerou o ritmo de perdas na reta final dos negócios, com a diminuição da aversão ao risco no exterior, na esteira de declarações mais amenas do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação ao Irã.
Com mínima de R$ 4,9960, fechou em baixa de 1,37%, a R$ 4,9985. A moeda norte-americana avança 0,92% em relação ao real em maio, após baixa de 4,36% em abril. No ano, as perdas são de 8,94%.
As cotações do petróleo operaram em alta ao longo do dia, com o vaivém de notícias sobre a guerra no Oriente Médio. O contrato do Brent para julho fechou com avanço de 2,6%, a US$ 112,10 o barril, mas passou a operar em ligeira queda no pregão eletrônico, abaixo do nível de US$ 110 o barril, após aceno de Trump ao Irã.
O republicano cancelou ataques aéreos em solo iraniano programados para a terça-feira, pretextando que há “negociações sérias” em andamento com Teerã, com expectativa de que um acordo “muito aceitável” seja alcançado.
Segundo Trump, lideranças de Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita solicitaram aos EUA que protelassem a ofensiva militar para permitir o avanço das tratativas diplomáticas.
“Essa declaração do Trump no fim do dia fez a Bolsa reduzir as perdas e o dólar aumentar o ritmo de queda no fim do pregão. Vamos continuar com essa guerra diplomática entre Irã e Estados Unidos”, afirma o superintendente do Banco Rendimento, Jacques Zylbergeld, acrescentando que, dados os riscos inflacionários decorrentes da alta do petróleo, não há espaço para o Federal Reserve reduzir os juros neste ano, mesmo sob a presidência de Kevin Warsh, indicado ao posto por Trump.
Para Zylbergeld, além do ambiente externo mais benigno para divisas emergentes, investidores parecem já ter digerido os desdobramentos do “Flávio Day 2.0”. Embora as pesquisas de intenção de voto mais recentes ainda não reflitam a revelação dos laços entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, a percepção é de manutenção do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro como principal candidato da oposição, observa.
“Não há espaço para uma terceira via competitiva. O efeito dessa notícia sobre o Flávio e o Master deve se dissipar ao longo do tempo. O mercado deve flutuar mais daqui para frente de olho nas eleições, com notícias que podem surgir para um lado ou para o outro”, afirma Zylbergeld, ressaltando que, dados os juros elevados, é muito difícil “carregar posições” contra o real.
A mediana agregada das estimativas do Boletim Focus para a taxa Selic no fim do ano subiu de 13% para 13,25%, ao passo que a projeção para o IPCA em 2026 teve alta marginal, de 4,91% para 4,92%. A expectativa para a taxa de câmbio em dezembro se manteve em R$ 5,20.
“As expectativas de alta na taxa terminal da Selic divulgada pelo Boletim Focus reforçam a perspectiva de juros brasileiros elevados por mais tempo, o que ajuda a sustentar o real perante seus pares”, afirma o especialista em investimentos Bruno Shahini, da Nomad.
Referência do comportamento da moeda americana em relação a uma cesta de seis moedas fortes, especialmente euro e iene, o índice DXY recuava cerca de 0,30% por volta das 17 horas, ao redor de 98,990 pontos, depois de atingir mínima de 98,971 pontos. Entre as divisas emergentes, destaque para o peso chileno, com ganhos de cerca de 1% frente ao dólar, em um dia de leve alta das cotações internacionais do cobre.