O diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), Willie Walsh, criticou os fabricantes de motores aeronáuticos ao afirmar que eles precisam parar de explorar as companhias aéreas. Segundo o executivo, os problemas persistentes na cadeia de suprimentos estão ampliando os impactos da alta dos custos de combustível sobre o setor.
“Minha mensagem aos fabricantes de motores é simples: parem de nos explorar e voltem a produzir motores que funcionem e durem”, disse Walsh durante discurso na Assembleia Geral Anual da Iata, no Rio de Janeiro. Ele complementou afirmando que permitir que as falhas atuais se estendam para a próxima década é “totalmente inaceitável” para os clientes.
O executivo disse ainda que a cadeia aeroespacial de suprimentos continua falhando na entrega de aeronaves e motores conforme prometido, impedindo que as companhias aéreas renovem suas frotas no ritmo esperado. A carteira global de encomendas supera 18 mil aeronaves e a idade média da frota mundial atingiu o recorde de 15,2 anos, segundo a Iata.
Walsh citou estimativa da entidade que aponta que os atrasos na cadeia custaram pelo menos US$ 11 bilhões às companhias aéreas em 2025. De acordo com o executivo, o cenário tende a se agravar com a disparada dos preços do combustível de aviação, que deverão ficar cerca de 70% acima dos níveis observados há um ano.
Destacou também que as companhias aéreas deixaram de receber mais de 5 mil aeronaves mais eficientes em consumo de combustível que eram esperadas para substituir modelos antigos. “Isso significa perda de ganhos de eficiência, sem mencionar o aumento dos custos de leasing e manutenção”, afirmou.
O diretor-geral da Iata também criticou o fato de os fabricantes de motores seguirem registrando lucros elevados apesar dos problemas enfrentados pelas companhias aéreas. “Clientes profundamente decepcionados não afetaram as finanças dos fabricantes. Por exemplo, os lucros da maioria dos fabricantes de motores cresceram em dois dígitos”, afirmou.
*A repórter viajou a convite da Iata