Fitch coloca ratings da Amaggi em observação negativa após compra de fatia da FS


Por Agência Estado

A agência de classificação de risco Fitch colocou os ratings da Amaggi em observação negativa após a aquisição de 40% da FS, operação financiada por uma nova dívida de US$ 700 milhões. Segundo a agência, a transação deve elevar significativamente a alavancagem da companhia e reduzir sua flexibilidade financeira.

A Fitch afirmou que os índices de alavancagem ajustada por estoques com liquidez imediata (RMI) devem subir para 7,1 vezes em 2026, enquanto a alavancagem líquida permanecerá acima de 4 vezes nos próximos anos, patamares considerados incompatíveis com a atual nota “BB-“. A agência informou que, caso a operação seja aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e concluída, os ratings provavelmente serão rebaixados em um grau.

Apesar da piora esperada nos indicadores financeiros, a Fitch destacou que a aquisição fortalece o perfil estratégico da Amaggi ao ampliar a diversificação dos negócios e aumentar a integração da companhia na cadeia do milho e dos biocombustíveis. Segundo a agência, o investimento amplia a exposição da empresa a produtos de maior valor agregado, embora os benefícios sejam neutralizados, no curto e médio prazo, pela pressão adicional sobre o perfil financeiro.

A agência também apontou que a perspectiva para a soja em Mato Grosso segue estável em 2026, com produção estimada em cerca de 51 milhões de toneladas, em linha com 2025. A avaliação considera que uma safra robusta melhora a concorrência pela originação, favorece spreads comerciais e ajuda a diluir custos logísticos. Ainda assim, a Fitch alertou para riscos climáticos relacionados ao El Niño no segundo semestre e para possíveis impactos do conflito no Irã sobre fertilizantes e fretes em 2027.

Nas projeções da agência, os preços da soja devem ficar em US$ 11,30 por bushel em 2026 e US$ 11,10 em 2027, enquanto o milho deve permanecer em US$ 4,47 por bushel nos dois anos. A Fitch avaliou que esses níveis não devem pressionar o capital de giro das tradings, embora o custo dos fertilizantes no segundo semestre de 2026 exija monitoramento.

A Fitch ressaltou ainda que a Amaggi mantém posição relevante em Mato Grosso, competindo com gigantes globais como Archer Daniels Midland, Cargill e Bunge na originação de grãos. A empresa comercializa cerca de 18 milhões de toneladas de grãos por ano e possui 386 mil hectares de terras agrícolas.

No aspecto operacional, a agência projeta margem Ebitda em torno de 5,3% em 2026, acima dos 3,6% registrados em 2024, mas abaixo dos 6,1% observados em 2025. O fluxo de caixa operacional estimado pela Fitch é de US$ 209 milhões em 2026 e US$ 252 milhões em 2027.

A Fitch também avaliou que a liquidez da Amaggi deve se enfraquecer após a operação, devido ao aumento da alavancagem e dos riscos de refinanciamento no médio prazo. Em dezembro de 2025, a companhia possuía caixa e aplicações financeiras de US$ 870 milhões, frente a uma dívida de curto prazo de US$ 890 milhões.

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