A inteligência artificial transforma a visão do que é possível, afirma Igor Coelho, fundador do Flow Podcast. Entusiasta do tema, o empresário conduziu uma conversa com o desenvolvedor e empresário Celso Oliveira sobre o presente e o futuro da tecnologia. “A IA está criando oportunidades e eliminando barreiras técnicas”, afirma Coelho. A dupla debateu os avanços da tecnologia no empreendedorismo, no mercado de trabalho e em comportamentos nesta quinta-feira, 14, durante o São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação.
No painel IA em Ação: Como a Tecnologia Está Criando Novas Fronteiras Profissionais e nos Negócios, Oliveira defendeu que os empregos serão transformados, não extintos. “O ganho de produtividade fará com que o profissional consiga entregar muito mais com menos esforço. Você vai conseguir criar empresas que garantam uma margem de lucro maior sem precisar de tantas pessoas”, comenta.
No entanto, ele argumenta que o cenário pode, sim, causar desemprego a quem não se adaptar a essa nova dinâmica. Segundo ele, profissionais acomodados devem ficar com medo. “O mundo tende a ficar mais competitivo. Tudo vai evoluir”, afirma. “Na época dos nossos pais, quem tinha faculdade era rei. Hoje em dia, a gente tem de fazer pós-graduação, ter um MBA, se atualizar e aprender. Muitas pessoas estão com medo de ficar para trás. Com certeza, o preguiçoso está com medo”, diz.
IA na prática
À frente de diversas companhias que utilizam tecnologia como base, o executivo entende que a IA derruba as barreiras tecnológicas em diversos setores. “Tenho uma software house e tivemos que mudar o foco. Hoje, é possível criar um sistema ou lançar uma plataforma com muito mais facilidade. Passamos a oferecer segurança, LGPD e escala”, descreve.
“O que antes demorava três meses, pode ser entregue em uma hora”, compara. Diante deste cenário, pessoas adotam a ferramenta em atividades cotidianas e profissionais que antes eram realizadas com muito mais esforço. “Se quiser fazer um desenho legal, usando água de hidrelétrica, não vai nascer nada, mas se quiser fazer testes simples, você consegue ir longe”.
Para ele, porém, a democracia da ferramenta esbarra no limite e tokens e janela e contexto. Os tokens são os fragmentos de texto que a IA processa e o limite é quantidade máxima de tokens que o modelo consegue processar em uma interação. Já a janela e contexto é o total de informações que a IA consegue analisar ao responder uma interação.
Esses dois fatores influenciam a memória da conversa, análise de textos longos e qualidade das respostas. É isso que impede, por exemplo, que o ChatGPT ou Gemini comece a “alucinar” durante uma interação com o usuário. “O limite de tokens e a janela de contexto do governo dos Estados Unidos devem ser muito maior do que a de um usuário comum. Isso provoca diferenças claras de retorno”, explica Oliveira.
Importância humana
Apesar da ode ao avanço da IA, o painel também destacou a relevância do ser humano nessa jornada. Em primeiro lugar, porque, segundo o especialista, ainda que tudo possa ser automatizado, a conferência humana continuará sendo necessária. “Eu não voaria em um avião sem piloto”, brinca. “Outra coisa que não dá para substituir é o relacionamento. Encontrar com o cliente, fechar uma venda… Isso é algo que vai demorar bastante para acabar. Talvez nunca acabe”.