Ibovespa despenca com cautela após PIB forte e decisão dos EUA sobre facções, apesar de NY alta


Por Agência Estado

A possibilidade de um acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e o ótimos com o setor de tecnologia estimula alta discreta dos índices de ações do Ocidente na manhã desta sexta-feira, 29, mas sem influenciar o Ibovespa. O principal indicador iniciou a última sessão de maio estável, na máxima em 175.064,44 pontos, e logo adotou uma série de mínimas. A queda na carteira é praticamente generalizada. De 79 ações cinco subiam por volta das 11h40.

“Não só o Brasil, mas outros emergentes vêm sofrendo. O investidor começou a olhar para o exterior – o setor de semicondutores e de inteligência artificial”, diz Pedro Moreira, sócio da One Investimentos. Segundo Moreira, o estrangeiro que entrou “rápido” na Bolsa brasileira no começo do ano agora está saindo, por mudança na alocação global.

A desvalorização do Ibovespa reflete um pouco o recuo do petróleo – que era de quase 2% mais cedo, mas agora é de 0,88% – a alta forte do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre – o que gera dúvidas sobre cortes da Selic – e a decisão dos EUA de classificar os grupos criminosos do Brasil – Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) – como organizações terroristas internacionais.

“Afeta os bancos ao elevar o risco de congelamento de recursos e de restrições a operações internacionais das instituições”, diz Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil. As ações do setor recuam, sendo a maior queda de 1,73% (Unit de BTG Pactual), enquanto a menos intensa era 0,04% (Unit de Santander), às 11h37.

Quanto ao PIB do PIB do primeiro trimestre, houve altas de 1,1% na margem e de 1,8% no confronto interanual. Ambos os resultados vieram em linhas com as respectivas medianas das estimativas.

Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, chama a atenção para a manutenção da persistência da economia. “Com aquecimento do consumo das famílias, o cenário para política monetária fica ainda mais desafiador”, avalia Tavares em nota.

Segundo o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, o PIB mostra que o País começou o ano bem, pois a alta do indicador sugere que um crescimento da atividade econômica mais próximo a 2%. Porém, alerta que há riscos. Conforme Padovani, parte do crescimento da economia no período reflete os efeitos dos estímulos fiscais e parafiscais do governo federal. Isso, afirma, atua contra o mandato do Banco Central. “Sugere juros mais elevados por mais tempo e, portanto, no fundo, está contratando uma desaceleração”, avalia.

Ainda sobre a decisão dos EUA com o enquadramento do PCC e do CV como terroristas Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, diz que a noticia pode evoluir para algo que de fato venha a afetar eventualmente as relações diplomáticas ou até financeiras entre o Brasil e os EUA. “Aí, sim, o mercado pode passar a precificar de uma maneira mais relevante”, afirma.

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,39%, aos 175.063,41 pontos.

Às 11h43 desta sexta, caía 1,11%, aos 173.126,72 pontos, ante recuo de 1,36%, na mínima aos 172.686,36 pontos – nível visto pela ultima vez no fim de janeiro. Assim, perdia 7,56% em maio contra alta de 2,50% do Dow Jones, índice da Bolsa de Nova York.

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