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27 de janeiro de 2026

Ibovespa fica perto dos 182 mil pontos em novo recorde histórico


Por Agência Estado Publicado 27/01/2026 às 18h42
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Após a pausa do dia anterior, o Ibovespa retomou nesta terça-feira, 27, a escalada para novas máximas históricas, atingindo nova marca inédita, de 183 mil pontos, durante a sessão. Assim, retoma o que se viu no intervalo entre terça e sexta-feira passadas, quando saiu de 166 mil para os 180 mil pontos no melhor momento, encadeando quatro sessões de recordes no intradia e em encerramento. Nesta terça-feira, o índice da B3 subiu 1,79%, aos 181.919,13 pontos, com giro financeiro a R$ 35,3 bilhões, ainda sólido. Na semana, em duas sessões, agrega 1,71%, colocando o ganho do mês perto de 13%, a 12,91%.

Das últimas seis sessões, o Ibovespa renovou recordes em cinco, à exceção de segunda-feira. Desde 14 de janeiro, a de agora é a sétima renovação de recorde de fechamento pelo índice da B3, cuja melhor marca anterior era a de 164,4 mil pontos correspondente ao encerramento de 4 de dezembro passado.

Destaque, para os carros-chefes do setor financeiro, com ganhos até 3,18% (Santander Unit) no fechamento, bem positivo também para a principal ação do segmento, Itaú PN, em alta de 2,65%. Principal ação do Ibovespa, Vale ON também foi bem, com avanço de 2,20%. E houve contribuição forte também de Petrobras, com a ON em alta de 2,80% e a PN, de 2,18%, no encerramento de sessão em que os contratos futuros de petróleo avançaram perto de 3% em Londres e Nova York.

“Só com o passar dos dias a gente fica sabendo, mas a percepção é de que o fluxo estrangeiro segue entrando na B3, especialmente nos papéis mais líquidos e de peso no Ibovespa, o que envolve também recursos mais passivos que chegam via fundos de ETF estabelecidos em Nova York com base em ativos brasileiros”, diz Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos.

Na ponta ganhadora do Ibovespa, Raízen (+8,43%), CSN (+7,13%) e Yduqs (+6,96%). No campo oposto, Eneva (-2,72%), Auren (-2,71%) e Vivara (-1,88%). Em indicação de que o fluxo externo continua a chegar, o dólar à vista caiu 1,38% na sessão, para a casa de R$ 5,20, já tendo operado ontem no menor nível desde junho de 2024 – e agora chegando a piso desde maio daquele mesmo ano. Na mínima, foi a R$ 5,1987.

“As atenções do mercado estão voltadas para as decisões sobre juros de quarta-feira, 28, nos Estados Unidos e no Brasil, com expectativa de manutenção de ambas as taxas. O fluxo para Brasil, e o Ibovespa em particular, continua a ser favorecido pelo diferencial de juros, entre o de fora e a taxa doméstica Selic. Mas vai ser importante, mais uma vez, acompanhar as respectivas comunicações sobre as políticas monetárias, o que pode contribuir para um aumento da volatilidade – a depender do que vier”, diz Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.

“Lá fora, a possibilidade de que o comunicado da decisão do Fed, amanhã, e para a qual se espera manutenção dos juros, traga sinais de que um novo corte na taxa de referência dos Estados Unidos esteja próximo, ocorrerá em conjunto com a temporada de balanços trimestrais, com expectativas otimistas do mercado, em especial, para as empresas de tecnologia”, diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Fórum Investimentos.

Para Patrícia Krause, economista-chefe para América Latina da Coface, se houver surpresas nos Estados Unidos e no Brasil com relação a juros, pode induzir um apetite por risco maior, especialmente se houver, no Copom da noite de quarta-feira, uma sinalização mais clara quanto ao início efetivo do ciclo de cortes da Selic na reunião seguinte do Comitê de Política Monetária brasileiro, em março.

Em relatório, o BTG Pactual observa que o atual rali da B3 tem se amparado no ingresso líquido de recursos estrangeiros na renda variável, mas que tal movimento não se limita ao Brasil. “O Ibovespa saltou 11% nas três primeiras semanas do ano (15% em dólar), dado o ingresso forte de recursos estrangeiros”, afirmam os analistas Carlos Sequeira, Leonardo Correa, Antonio Junqueira e Osni Carfi.

O banco observa também que o fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira já é o maior aporte mensal em um ano. E a movimentação robustecida não ocorre apenas no Brasil. O BTG ressalta que os fundos de mercados emergentes captaram US$ 17,5 bilhões em janeiro, comparado a US$ 13,1 bilhões em dezembro e a US$ 9,0 bilhões em novembro passado. Esse volume equivale a quase metade do ingresso registrado em todo o ano passado. Por sua vez, a alocação dos fundos globais em ações brasileiras passou de 5,6%, no fim de 2024, para 6,4% em dezembro último.

Enquanto o capital externo impulsiona a Bolsa, investidores institucionais domésticos seguem na ponta vendedora, observa a instituição, com saldo negativo de R$ 2,1 bilhões no ano. Os fundos de ações locais amargaram resgates líquidos de R$ 63 bilhões em 2025 e continuam a registrar saídas – também de R$ 2,1 bilhões até agora -, embora em ritmo menor.

O relatório do BTG aponta ainda que apenas 8,7% dos recursos dos fundos estão em renda variável, e projeta que a taxa Selic caia de 15% para 12% até dezembro, abrindo espaço para uma migração de parte das aplicações em renda fixa para ações.

Na comparação regional, o Brasil não está sozinho na valorização: em janeiro, até aqui, a Colômbia subiu 24% em dólar, enquanto o Brasil avançou 15%, Chile, 14%, e México 10%. Por seu turno, o S&P 500, índice amplo de Nova York, ganhou apenas 1%. O BTG conclui que a combinação de entrada de capital estrangeiro, possível inflexão nos resgates de fundos locais e expectativa de queda dos juros cria um “vento favorável” adicional para as ações brasileiras ao longo de 2026.

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