Ibovespa inicia semana em baixa de 0,13%, aos 163,1 mil pontos
Em um começo de semana com poucos gatilhos para os negócios, o Ibovespa operou colado à estabilidade ao longo da sessão, tendo esboçado pequeno ganho no melhor momento do dia, aos 163.493,22 pontos (+0,08%). No fechamento, marcava leve perda de 0,13%, aos 163.150,35 pontos, afastado da mínima do dia, de 162.277,01 pontos. O giro nesta segunda-feira, 12, ficou em R$ 18,0 bilhões. No mês e no ano, o Ibovespa avança 1,26%.
Na B3, o desempenho majoritariamente negativo do setor financeiro na sessão – destaque para Itaú PN (-0,90%), na mínima do dia no fechamento – foi de certa forma equilibrado pelo leve avanço de Petrobras (ON +0,16%, PN +0,20%) e de parte do setor metálico: destaque para Usiminas (PNA +1,83%). Vale ON fechou estável (+0,03%). Na ponta ganhadora do Ibovespa, Vamos (+8,18%), Assai (+4,55%) e Brava (+4,50%). No lado oposto, Cury (-3,97%), Magazine Luiza (-3,38%) e Sabesp (-3,22%).
A sessão em Nova York também foi de leve flutuação para os principais índices de ações, que encerraram com variações entre +0,16% (S&P 500) e +0,26% (Nasdaq). Em parte da sessão, os índices de lá tenderam ao negativo em meio a preocupações em torno da retomada da carga do governo americano sobre a independência do Federal Reserve, após notificação judicial ao presidente Jerome Powell, que deixará o cargo em maio.
A ex-presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, afirmou que a apuração envolvendo o atual chefe do banco central dos EUA, Jerome Powell, tem efeito “extremamente intimidador” sobre a independência do Fed e disse ver complacência excessiva dos mercados diante do episódio. Em entrevista à CNBC, Yellen afirmou que a investigação compromete a autonomia da autoridade monetária e deveria provocar maior reação dos investidores.
Ainda em defesa do Fed, um comunicado divulgado nesta segunda-feira por ex-presidentes do BC americano alerta para riscos à economia dos Estados Unidos diante da investigação criminal do governo Donald Trump contra Powell. A Reuters destaca que o texto classifica a iniciativa como uma ameaça direta à independência da autoridade monetária.
O documento é assinado pelos três últimos presidentes do Fed – Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan -, além de outros ex-dirigentes da política econômica federal. O texto compara a situação nos Estados Unidos a práticas mais comuns em países emergentes, afirmando que “é assim que a política monetária é conduzida em mercados emergentes com instituições fracas”. Segundo o comunicado, esse tipo de interferência tem “consequências altamente negativas para a inflação e para o funcionamento mais amplo de suas economias”.
“A ação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos é considerada sem precedentes, especialmente em um contexto onde já houve colaboração com o Federal Reserve, liderado por Jeremy Powell”, diz Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital. Ele observa, também, que não foram encontradas evidências de irregularidades nas ações do Fed, e que a tentativa de incriminar Powell é vista como uma “manobra injustificada”. “Essa situação levanta preocupações sobre a independência do Departamento de Justiça e seu papel na política financeira do país”, acrescenta.
Nesse contexto, no exterior, “o dólar voltou a ficar sob pressão com a notícia de que promotores dos EUA abriram uma investigação legal contra Powell, sobre o escopo das recentes reformas em prédios do Fed: algo que os mercados enxergam mais como um ataque politicamente motivado do que como uma questão legal direta”, diz Matthew Ryan, head de estratégia de mercado da Ebury.
Ele aponta que, para além da questão sobre Powell, os mercados tendem a voltar a atenção, nesta terça, para nova leitura sobre a inflação ao consumidor (CPI) nos EUA, referente a dezembro. Ryan observa que a divulgação desta terça-feira ganha relevância extra, na medida em que relatório oficial referente ao mês anterior, novembro, foi considerado incompleto, prejudicado pela paralisação de serviços públicos federais entre outubro e parte do mês seguinte.
No front doméstico, atenção também para os desdobramentos em torno do caso Master, especialmente na interface entre Banco Central e o Tribunal de Contas da União (TCU) após a reunião desta segunda-feira entre as partes.
“A reunião entre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o comando do TCU, em torno do caso Banco Master, foi acompanhada de perto pelo mercado. O tema é visto como um teste relevante para a autonomia do Banco Central”, diz Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos. “A sinalização de que o recurso será julgado apenas no dia 21, divulgada nesta tarde, ajuda a reduzir o ruído no curto prazo, mas o assunto segue sensível e no radar dos investidores, especialmente dos estrangeiros”, acrescenta.
Após a reunião desta tarde, o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo, disse que será julgado na outra quarta-feira, dia 21, o recurso do Banco Central no processo que investiga a liquidação do Master. Segundo ele, o prazo para o julgamento dos embargos foi acertado com o ministro Jonathan de Jesus, relator do processo.
Jesus autorizou em dezembro o início de apuração, no TCU, com o objetivo de verificar se houve “precipitação” da autoridade monetária ao decretar a liquidação do Master, em 18 de novembro. O relator chegou a pedir explicações do BC. Com base na resposta, auditores do TCU concluíram, preliminarmente, que a autarquia agiu corretamente no processo que levou à liquidação. No sábado, por meio de nota, Jesus afirmou que o posicionamento dos técnicos não se confundia com uma decisão da corte de contas.
