A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse nesta quinta-feira, 19, que a instituição está mais bem posicionado para lidar com choques do que em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia e causou um aumento expressivo nos preços de energia. Em coletiva de imprensa após a decisão do BCE de manutenção dos juros, ela reiterou que, atualmente, a instituição está pronta para “fazer o que for necessário”.
“Comparando com 2022, eu diria que estamos bem posicionados e temos a inflação dentro da meta, com expectativas de inflação de 2% ao ano e taxa de depósito de 2% ao ano”, detalhou a dirigente, ao mencionar que o BCE está mais atento aos riscos sobre as perspectivas, em comparação ao passado.
Lagarde defendeu que a economia da zona do euro cresceu impulsionada por demanda doméstica e que, no médio prazo, o consumo privado segue como principal impulsionador da atividade, ainda que o crescimento também seja guiado pelo setor de serviços. Ela afirmou que os lucros corporativos se recuperaram, mas os custos trabalhistas aumentaram – diante de um mercado de trabalho sólido, mas não tão aquecido quanto em 2022 -, e projetou um crescimento do investimento.
Sobre a inflação, a presidente do BCE pontuou que os indicadores de inflação subjacente permanecem consistentes com a meta de 2%. Em relação à demanda, ela ponderou que a deterioração do sentimento do mercado – alavancado pelo conflito no Oriente Médio – pode impor pressão.
Também presente na coletiva, o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, afirmou que a exposição aos mercados privados na Europa é mais limitada do que nos EUA, mas disse acompanhar “de perto” os acontecimentos em Washington.