O Ibovespa abriu perto da estabilidade na manhã desta sexta-feira, 26, mas logo foi para o campo negativo e, em seguida para o terreno positivo. A alta doméstica destoa da queda dos índices de ações do ocidente, em meio a temores com o setor de tecnologia e renovados temores geopolíticos.
O petróleo recua quase 4%, o que influencia negativamente ações do setor na B3, mas a queda pode ser vista – se mantida à frente – como alívio na inflação de curto prazo. A despeito da alta de 0,81% do minério de ferro em Dalian, na China, ações ligadas à commodity recuam.
Apesar do recuo das bolsas norte-americanas, o ritmo é moderado, em meio à divulgação de indicadores da Universidade de Michigan, que mostraram avanço no sentimento do consumidor nos EUA em junho e recuo das expectativas de inflação para um e cinco anos.
A percepção de um pouco menos de pressão na inflação norte-americana tem visão parecida com a dinâmica de preços no curto prazo no Brasil. Assim, pode atenuar um pouco a pressão sobre a política monetária dos de ambos os países, segundo analistas.
Para Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, o cenário doméstico ainda ecoa alguns resquícios da divulgação do IPCA-15 de junho, na véspera, e do Relatório de Política Monetária (RPM), que foi apresentado pelo Banco Central, informado também ontem, com leitura um pouco menos adversa.
Porém, Moreira diz que o mercado ainda está bem preocupado com os riscos internos, principalmente em relação à condição de política monetária e inflação.
Logo cedo, foram divulgadas as contas externas relativas a maio. Em seguida, saiu a taxa de desocupação do trimestre finalizado em no quinto mês do ano.
No setor externo, houve déficit em conta corrente menos intenso do que esperado, enquanto o Investimento Direto no País (IDP) ficou acima do teto das projeções. Já taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio, igual à mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast. “O mercado de trabalho segue aquecido, mas emite sinais de esgotamento”, diz em nota a Terra Investimentos.
Lá fora, o recuo dos índices de ações reflete principalmente a continuidade de liquidação de ações do setor de tecnologia. Conforme Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, no centro da cautela está o custo da infraestrutura de inteligência artificial. A Apple recuou cerca de 6% ontem após admitir que não conseguirá blindar seus clientes da alta dos chips de memória, e relatos de um possível adiamento do IPO da OpenAI reforçaram o tom defensivo, cita. “Por ora, parece mais um ajuste de preços do que uma alteração de fundamento”, diz Trevisan.
Já o petróleo retoma queda, em um movimento que parece refletir uma correção técnica após os ganhos expressivos registrados na sessão anterior. Porém, o recuo pode ser limitado pelas preocupações com a travessia de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. Segundo dois altos funcionários dos EUA, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã atacou, ontem, um navio cargueiro de bandeira de Cingapura no estreito.
Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 0,87%, aos 171.990,20 pontos.
Às 11h48 desta sexta, o Índice Bovespa subia 0,31%, aos 172.583,14 pontos, ante alta de 0,46%, na máxima em 172.782,28 pontos, de recuo de 0,50%, na mínima aos 171.123,94 pontos. Na semana, sobe 2,65%, após recuo de 1,64% na anterior.