Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso site, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao acessar nosso portal, você concorda com o uso dessa tecnologia. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.

30 de janeiro de 2026

Para Eurasia, Itamaraty está otimista por eventual acordo EUA-Brasil, entre março e abril


Por Agência Estado Publicado 30/01/2026 às 16h31
Ouvir: 00:00

O diretor-geral para as Américas do Eurasia Group, Christopher Garman, avaliou nesta sexta-feira, 30, que o Itamaraty está otimista por um eventual acordo entre Estados Unidos e Brasil em relação às tarifas, que pode ocorrer entre março e abril. Ele considera, porém, um ceticismo maior do lado norte-americano sobre o acordo.

Em evento promovido pela Amcham para discutir as expectativas para o ano, Garman observou uma “reviravolta” na estratégia dos Estados Unidos em relação ao Brasil nos últimos meses, após o recuo na imposição de tarifas ao País pelo presidente norte-americano, Donald Trump. “Esse recuo da estratégia americana de punições e sanções reflete mais uma frustração de que as medidas punitivas não estavam sentindo o seu efeito”, disse.

Nesse sentido, segundo o diretor da Eurasia, o recuo de Trump com as tarifas, com a abertura de diálogo com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, contribuíram também para a mudança da estratégia americana sobre os minerais críticos, uma vez que o tema é de grande interesse do presidente Trump.

“No primeiro semestre, o foco (dos EUA) era em produção doméstica e processamento local, que consistia em abandonar a estratégia de buscar parceiros e aliados internacionais para tentar reduzir a dependência chinesa. Agora, a Casa Branca está olhando para parceiros de processamento de cadeias produtivas e a Austrália e o Brasil estão no topo dessa lista. Então, acho que o interesse americano está aumentando”, afirmou.

Garman reforçou a frustração de Trump com a estratégia anterior, o que levou o americano a convidar o executivo brasileiro para um jantar de gala nos Estados Unidos, em março. Ele alertou, também, para a expectativa em torno da decisão da Suprema Corte americana sobre a estratégia de Trump de acionar a Lei de Poderes para Emergências Econômicas Internacionais (Ieepa, na sigla em inglês), invocada para taxar os produtos brasileiros. “Temos uma luz no fim do túnel”, disse.

Busca de relação construtiva

No curto prazo, a Eurasia vê o Palácio do Planalto buscando uma relação construtiva com os Estados Unidos e dificilmente haverá nova escalada de conflito entre os países nos próximos dois ou três meses, segundo Garman.

O cenário base da consultoria é de que os Estados Unidos deixem Cuba se estrangular economicamente, sendo que eventuais embargos não tencionam a relação com o Brasil. Contudo, afirma que não descarta a chance o governo Donald Trump fazer uma ação normal contra Cuba, considerando o que houve na Venezuela e a provável ação militar no Irã.

Dólar enfraquecido

O diretor da Eurasia menciona que à medida que Trump se enfraquece e fica ousado ao mesmo tempo – fatores que, segundo eles, são interligados – provavelmente reforça a tendência de enfraquecimento do dólar e ajuda moedas emergentes. O movimento, avalia, “tem perna para durar dois anos”.

Ainda assim, Garman pondera que apostar contra a pujança da economia americana também é difícil.

Queda do multilateralismo e efeitos

O diretor-geral para as Américas do Eurasia Group avalia que “todo mundo perde com a queda do multilateralismo, mas o Brasil está relativamente bem posicionado”, considerando que o País é uma potência agro e energética (petróleo e energia renovável) em ascensão, com reserva de terras raras, e ambiental.

Estes, segundo Garman, são ativos que vão crescer em valor a cada crise global. “Em um mundo onde países e setor privado têm tido mais desejo de aumentar cadeias produtivas, segurança alimentar e energética, Brasil está muito bem posicionado”, avalia.

O diretor da Eurasia menciona que isso inclusive justifica o motivo de a Europa ter desejado um acordo com o Mercosul, a China tem tido mais interesse de fazer negócios com o Brasil, sendo que o País também tem ativos que a Casa Branca deseja.

As declarações de Garman foram feitas em evento Amcham Plano de Voo 2026, com a jornalista e editora do Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), Karla Spotorno, como mediadora.

Pauta do Leitor

Aconteceu algo e quer compartilhar?
Envie para nós!

WhatsApp da Redação

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Economia

Incerteza econômica sobe em janeiro com Venezuela, tarifas e Groenlândia, diz FGV


O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) da Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu 12,6 pontos em janeiro, para 117,1 pontos,…


O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) da Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu 12,6 pontos em janeiro, para 117,1 pontos,…

Economia

Estatais têm déficit de R$ 5,1 bi em 2025, dentro da meta de R$ 6,2 bi previstos na LDO


O resultado primário das 19 empresas estatais consideradas para o Ministério da Gestão e Inovação foi de déficit de R$…


O resultado primário das 19 empresas estatais consideradas para o Ministério da Gestão e Inovação foi de déficit de R$…

Economia

Liquidante do Master será substituído temporariamente em razão de tratamento de saúde, diz BC


O atual liquidante do conglomerado Banco Master, Eduardo Félix Bianchini, será substituído temporariamente em razão de tratamento de saúde, informa…


O atual liquidante do conglomerado Banco Master, Eduardo Félix Bianchini, será substituído temporariamente em razão de tratamento de saúde, informa…