O petróleo saltou mais de 5% nesta quarta-feira, 29, em meio à paralisação das negociações EUA-Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que manterá o bloqueio naval americano contra o país persa até que eles concordem com um acordo nuclear, ameaçando retomar os ataques ao país.
O petróleo WTI para junho, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em alta de 6,95% (US$ 6,95), a US$ 106,88 o barril.
Já o Brent para julho, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), subiu 5,78% (US$ 6,04), a US$ 110,44 o barril.
O petróleo acelerou o movimento de alta após Trump sinalizar nova ação militar dos EUA, ao afirmar que não será mais “bonzinho”. Segundo a Axios, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) preparou um plano para uma onda de ataques contra o Irã, com o intuito se fazer o país negociar um acordo nuclear.
O Irã, por sua vez, promete resposta às ações dos EUA e autoridades do país continuam afirmando publicamente que Washington precisa reduzir suas exigências antes que Teerã encerre seu bloqueio no Estreito de Ormuz. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, afirmou hoje que o bloqueio naval dos EUA visa fomentar divisões dentro do país persa.
Enquanto isso, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou hoje que um navio de origem japonesa atravessou com segurança o Estreito de Ormuz e saiu do Golfo Pérsico, considerando isso um “desenvolvimento positivo” em meio às preocupações com a segurança marítima.
Nos Estados Unidos, dados do governo mostraram que os estoques semanais registraram uma queda maior do que o esperado em petróleo e derivados.
Já a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) informou que a produção mundial de petróleo bruto cresceu em 2025 ante 2024, assim como a demanda global. Na terça-feira, os Emirados Árabes Unidos anunciaram sua saída do cartel a partir de 1º de maio.
Para analistas do ING, o movimento representa “um grande golpe” para a Opep e certamente seria bem recebida por Trump, “pois enfraquece a influência do cartel no mercado de petróleo”.