O Ibovespa recua mais de 1%, para a faixa dos 171 mil pontos, no início do último pregão de junho, do segundo trimestre e do primeiro semestre, antes da divulgações de dados do mercado de trabalho brasileiro (14 horas). Nos Estados Unidos, foram divulgados o índice de confiança do consumidor Conference Board de junho e o relatório Jolts de emprego relativo a maio. As bolsas em Nova York avançam, apesar de incertezas sobre diálogo entre EUA e Irã. A queda do Ibovespa ocorre em meio ao viés de alta dos juros futuros e do dólar.
Segundo Bruno Takeo, estrategista da S4 Consultoria de Investimentos, apesar de dúvidas sobre inteligência artificial, o que tem gerado volatilidade nos mercados internacionais recentemente, o otimismo como setor de tecnologia prevalece. “O EWZ continua apresentando recordes de saídas de investidor estrangeiro. Essa desmontagem de posição reflete o que temos visto no Ibovespa”, diz, ao referir-se ao principal ETF brasileiro negociado em Nova York.
Também para Pedro Paulo Silveira, economista, sócio da A3S Investimentos, a ausência de investidores estrangeiros é o que tem deixado o Ibovespa sem tração. “Temos de olhar para o fluxo de gringo, que é de saída”, diz. Em junho até a última sexta-feira, houve retirada de R$ 8,754 bilhões por parte de estrangeiros.
Em relação à agenda doméstica, o destaque é o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de maio, que sairá às 14 horas, acompanhado de comentários do ministro do Trabalho, Luiz Marinho. A mediana das estimativas encontrada em pesquisa feita pelo Projeções Broadcast é de criação líquida de 120 mil vagas com carteira assinada, após geração de 85.888 em abril.
O dado será acompanhado com afinco pelo mercado, na tentativa de ajustar as expectativas para o Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto, principalmente. Além disso, ficam no radar riscos fiscais, com a possível votação de PEC no Senado, que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde, cita em nota o economista sênior da Tendências Consultoria Silvio Campos Neto. A equipe econômica do governo considera o texto uma pauta-bomba com forte impacto fiscal.
Nos Estados Unidos, o relatório Jolts do mercado de trabalho saiu antes do payroll, na quinta-feira. A abertura de postos de trabalho subiu a 7,594 mi em maio, ante previsão de 6,975 mi
Os dados, segundo o sócio da Tendências, devem ajudar a calibrar as apostas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed). “Nas últimas semanas, posicionamentos mais firmes da autoridade monetária alteraram a precificação da curva de juros, que passou a incorporar entre uma e duas altas dos juros no segundo semestre”, diz em nota Campos Neto.
Ainda no exterior, o foco é o conflito no Oriente Médio. Hoje o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, negou novamente a realização de conversas diplomáticas com os americanos. Porém, disse que discussões a serem realizadas ainda hoje em Doha, com a delegação do Catar, tratarão da implementação de cláusulas do memorando de entendimento firmado com os EUA.
Ontem, o Ibovespa fechou em queda de 0,05%, aos 173.205 pontos, acumulando recuo mensal de 0,33%, mas alta de 7,50% no primeiro semestre.
Às 11h09, o Índice Bovespa 0,95%, aos 171.553,33 pontos, após recuar 1,54%, na mínima em 170.538,48 pontos, vindo de abertura na máxima em 173.204,72 pontos. De 79 ações da carteira teórica, oito subiam. O índice Bovespa acumula, até o momento, recuo de 1,19%. Se isso for confirmado será o quarto mês seguido de desvalorização.
O petróleo avançava quase 0,40% e o minério de ferro subiu 0,61% em Dalian e 0,14% em Cingapura, mas sem influenciar as ações dos respectivos setores.