A cautela com o cenário ainda mais incerto para o conflito no Oriente Médio levou os juros futuros negociados na B3 a exibirem firme elevação no pregão desta sexta-feira, 13. Às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana, os trechos curtos da curva chegaram a abrir mais de 40 pontos-base ao longo da tarde conforme o petróleo se firmou acima de US$ 100, elevando temores inflacionários.
Para agentes, o movimento dos DIs também refletiu ajustes técnicos. Participantes do mercado relataram zeragem de posições antes do final de semana, devido à possibilidade de acirramento adicional da guerra, que desestimula exposição a risco. A abertura dos retornos dos Treasuries longos e o fortalecimento do dólar, que também subiu na sessão, deram impulso ao avanço dos trechos mais distantes da curva nominal.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 avançou de 13,927% no ajuste de quinta para 14,315%. O DI para janeiro de 2029 subiu a 13,93%, vindo de 13,444% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 aumentou de 13,738% no ajuste anterior para 14,165%.
Em entrevista à Fox News nesta sexta, o presidente Donald Trump afirmou que o conflito só vai terminar quando ele decidir, e que o país tem “munição ilimitada” contra o Irã. Também alertou que os EUA vão atacar o país persa “com força” na próxima semana. No estreito de Ormuz, a Reuters informou que Teerã teria permitido que 2 navios-tanque de gás naveguem para a Índia através da rota. A cotação do barril do petróleo tipo Brent aumentou 2,67%, para US$ 103,14, com preocupações sobre o fluxo no estreito e a continuidade da ofensiva.
“Está tendo uma ‘stoparada’ específica em Brasil sim. Acho que é medo do fim de semana”, afirmou um profissional de uma grande tesouraria à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, sob condição de anonimato, referindo-se a investidores que estavam posicionados para uma queda das taxas, mas decidiram zerar posições, em uma estratégia que fortalece ainda mais a abertura do vértice em questão.
Economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa também avalia que o aumento dos DIs nesta sexta pode ter ganhado fôlego extra devido a movimentos técnicos. “Temos visto muito volatilidade na semana para quem está posicionado em DI. Há pouco incentivo para ficar exposto a risco, e vamos nos aproximando mais de movimentos de ‘stop”, afirmou.
Segundo Costa, além da natureza já tipicamente turbulenta de conflitos, a guerra atual tem um componente adicional de incerteza devido ao perfil do governo norte-americano, o que causa volatilidade ainda maior no comportamento dos ativos de risco. Além da conduta errática de Trump, a economista destaca que há muitas possibilidades em aberto – inclusive, de um cessar-fogo repentino que traga alívio aos ativos.
Publicada na abertura dos negócios pelo IBGE, a Pesquisa Mensal dos Serviços (PMS) mostrou que o volume prestado pelo setor avançou 0,3% entre dezembro e janeiro, na comparação dessazonalizada. A mediana de analistas ouvidos pelo Broadcast previa alta menor, de 0,1%. A surpresa para cima, de acordo com agentes, não chegou a fazer preço, mas corrobora, assim como o IPCA de fevereiro, que o Banco Central será cauteloso na condução do ciclo de afrouxamento monetário.
O BNP Paribas mudou de 0,50 ponto para 0,25 ponto sua estimativa para o corte do juro básico na próxima semana, em razão da volatilidade recente dos preços do petróleo e das incertezas geopolíticas.
No cômputo semanal, a escalada do conflito e a disparada do petróleo foram os principais vetores de alta para os juros futuros. Em relação ao fechamento da última sexta-feira, o DI para janeiro de 2027 e o de janeiro de 2029 saltaram quase 0,7 ponto porcentual. O vencimento de janeiro de 2031 subiu 0,4 ponto.