Taxas de juros fecham em firme queda após Trump indicar que tratativas com Irã avançaram


Por Agência Estado

Os juros futuros acentuaram o ritmo de baixa rumo ao final do pregão desta segunda-feira, 19, em sincronia com a melhora do humor nos mercados globais, depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter afirmado que não vai realizar um ataque ao Irã programado para terça-feira, 19. As taxas, que já cediam, praticamente dobraram o ritmo de queda, ao mesmo tempo em que os retornos dos Treasuries e o aumento do petróleo perderam fôlego.

Após o estresse da semana passada, quando taxas intermediárias e longas saltaram quase 70 pontos-base, profissionais apontam que a movimentação desta segunda, até o evento do final da tarde, representava uma correção dos prêmios de risco. Igual tendência foi observada no dólar, que recuou 1,37% no dia, para R$ 4,99, o que também deu suporte ao alívio nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI).

A curva a termo, porém, segue com todos os vencimentos ao redor de 14%, em meio à continuidade no bloqueio do estreito de Ormuz. Por aqui, o quadro político segue gerando cautela, após denúncias que revelaram uma relação próxima – que, inclusive, incluiu recebimento de recursos – entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o banqueiro detido Daniel Vorcaro.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 14,227% no ajuste de sexta-feira para 14,135%. O DI para janeiro de 2029 fechou em mínima intradia de 13,995%, vindo de 14,16% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2031 anotou redução de 14,251% no ajuste a 14,125%.

A primeira sessão da semana começou com alguma tranquilidade nos mercados globais, devido à notícia de que os EUA teriam aceitado suspender sanções petrolíferas ao Irã. Teerã, por sua vez, deseja uma trégua longa em múltiplas fases no conflito e pediu uma abertura gradual e segura para o Estreito de Ormuz, segundo documento do país persa obtido pela agência Al Arabiya.

A aversão ao risco, no entanto, voltou ao radar com falta de confirmação de Washington sobre os avanços nas tratativas e, também, com afirmações mais agressivas de Trump. Já de tarde, o presidente, em seu tradicional estilo “morde e assopra”, disse que há “negociações sérias” em andamento com o Irã e expectativa de que um acordo “muito aceitável” seja alcançado, razão pela qual decidiu suspender um ataque planejado para terça.

Em publicação na Truth Social, o presidente ponderou que instruiu seu gabinete de guerra a permanecer preparado para lançar “um ataque total e em larga escala contra o Irã, a qualquer momento”, caso um “acordo aceitável” não seja alcançado.

Segundo um estrategista de uma grande tesouraria, que falou à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) sob anonimato, como moedas e juros sofreram bastante na sexta-feira, nesta segunda ocorreu uma devolução com uma “mini perspectiva de melhora” no front da guerra, seguida das declarações de Trump.

“O dia no mercado de juros futuros foi marcado por um movimento de correção técnica”, afirmou Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset. O fechamento da curva devolve parte da alta observada na semana anterior, apontou Costa, que havia sido motivada pela reprecificação do cenário eleitoral de 2026.

No campo dos indicadores, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que funciona como um termômetro mensal para o PIB, não fez preço, ao recuar 0,67% entre fevereiro e março, na comparação dessazonalizada. O consenso do mercado apontava redução de 0,3%. Apesar do recuo na passagem mensal, o dado subiu 1,3% entre o quarto trimestre de 2025 e os primeiros três meses de 2026.

Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, a expansão observada de janeiro a março
pode gerar uma “impressão equivocada” de que a economia segue tão resiliente quanto em anos anteriores. “A atividade econômica se beneficiou sobremaneira de fatores sazonais nos primeiros meses do ano relacionados ao bom desempenho do setor agropecuário e o maior impulso ao consumo por parte das famílias”, avaliou.

No boletim Focus, a mediana de estimativas para a Selic ao final deste ano subiu de 13% para 13,25% entre a semana passada e atual, enquanto a projeção para o fim de 2027 permaneceu em 11,25%. “Segue válida a percepção de que o Banco Central continuará a cortar a taxa Selic, porém agora em um orçamento total com uma magnitude consideravelmente reduzida”, disse Costa, da Mirae.

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