Taxas de juros futuras têm firme baixa com alívio global e queda do petróleo


Por Agência Estado

Mais uma vez acompanhando o alívio nas cotações do petróleo, que ganharam influência preponderante sobre a curva a termo desde o início do conflito no Oriente Médio, os juros futuros mostraram forte descompressão no pregão desta quarta-feira, 20. O movimento, que já ocorria desde o início do dia com sinais mais positivos sobre negociações entre Estados Unidos e Irã, ganhou algum impulso após o presidente dos Estados Unidos Donald Trump voltar a demonstrar confiança de que a resolução do impasse será rápida.

As taxas curtas passaram a devolver quase 10 pontos-base no meio da tarde, e as intermediárias e longas, cerca de 20 pontos-base, em sincronia com a curva dos Treasuries.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 diminuiu de 14,148% no ajuste anterior a 14,075%. O DI para janeiro de 2029 exibiu firme redução, a 13,955%, vindo de 14,132% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 despencou de 14,285% no ajuste de terça a 14,11%.

O dia já começou em tom positivo nos mercados globais, com devolução dos prêmios de risco acompanhando a diminuição dos temores inflacionários. Isso porque foram veiculadas na imprensa notícias de que o Paquistão trabalha em uma versão final de um acordo de paz entre EUA e Irã, e autoridades paquistanesas estão em viagem rumo ao país persa. A tendência declinante dos Treasuries e do mercado local de renda fixa persistiu em meio a declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que as tratativas com Teerã estão em “fase final”.

Além deste pano de fundo, a retomada parcial do fluxo no Estreito de Ormuz, que escoa um quinto da produção mundial de petróleo, fez o contrato do Brent negociado para julho, que serve de referência para a Petrobras, recuar quase 6% na sessão regular, a US$ 105,02 o barril.

“Ainda há muita cautela, mas vimos um certo otimismo nesta quarta, ainda que falte consistência nas informações sobre as negociações”, pondera Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset. “E, novamente, o principal fator que movimentou os preços hoje e na última semana é o ambiente internacional. O externo prevalece e a curva continua bastante atrelada aos preços do petróleo”, observa.

Nas últimas sessões, porém, as dúvidas dos agentes sobre se o choque gerado pelo confronto no Golfo Pérsico seria apenas temporário, ou teria impacto mais duradouro, parecem ter sido dissipadas, afirma Costa. “Os preços estão mais caros e isso passa a ser mais permanente, com impacto nas cadeias produtivas. Teremos uma dinâmica de inflação mais pressionada”, disse.

Nos EUA, a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed) apontou que o conflito no Oriente Médio tem ampliado as incertezas econômicas e se consolidado como um dos principais vetores de volatilidade nos mercados. Quase todos os dirigentes destacaram o risco de que o confronto se arraste por período maior do que o previsto ou que, mesmo após o fim das hostilidades, os preços do petróleo e de outras commodities permaneçam elevados por mais tempo.

Após a publicação do documento, o mercado voltou a ver como majoritária a chance de que o Fed mantenha os juros inalterados até dezembro deste ano, segundo a ferramenta de monitoramento do CME Group. A ata, considerada “bem negativa” por Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, não mudou, contudo, a dinâmica mais favorável dos ativos, ainda centrada no aparente arrefecimento das tensões geopolíticas, avaliou.

“O mercado está nessa rotação, acreditando que o Trump resolverá a situação sem o uso da força”, comentou Mollo, embora a ata tenha trazido elementos “hawkish”. “Uma das frases que mais me chamaram a atenção é que os dirigentes veem a inflação alta e que provavelmente pode haver aumentos de juros para controlá-la. Então, se o mercado estivesse seguindo a ata, deveria, na verdade, começar a cair”, disse.

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