Taxas de juros têm firme queda com perspectiva de fim da guerra no Oriente Médio
Os juros futuros negociados na B3 percorreram o pregão desta terça-feira, 31, em firme baixa, com redução que alcançou mais de 0,3 ponto nos vencimentos intermediários, conforme o otimismo sobre uma resolução do conflito no Oriente Médio foi reforçado rumo ao final da sessão.
No início desta tarde, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não busca prolongar o confronto e está disposto a encerrá-lo, desde que haja garantias contra novas ofensivas. A sinalização iraniana se somou a notícias de que o presidente dos EUA, Donald Trump, aceita terminar a campanha militar no país persa mesmo que o fluxo de navegação no Estreito de Ormuz não seja liberado. Segundo apuração do Wall Street Journal, veiculada na noite de segunda, a intenção do republicano foi compartilhada por ele com assessores.
A percepção mais positiva a respeito das negociações entre os dois países favoreceu os ativos de risco como um todo e conferiu alívio adicional à curva de juros, cujas taxas intermediárias renovaram mínimas intradia por volta das 16h20. Por aqui, a geração de vagas formais veio um pouco mais fraca em fevereiro, mas, segundo profissionais de renda fixa, não surtiu efeito nos DIs, assim como dados fiscais publicados pela manhã.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuou de 14,297% no ajuste anterior a 14,105%. O DI para janeiro de 2029 cedeu a 13,725%, vindo de 14,055% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 diminuiu de 14,117% a 13,83%.
“O mercado colocou no preço as falas de que o Irã está preparado para encerrar a guerra. O petróleo cedeu, o que empurrou os Treasuries para baixo e derrubou também os DIs”, afirma Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos. O contrato futuro de Brent para junho caiu 3,18% nesta terça-feira, mas fechou ainda acima do patamar de US$ 100 o barril, a US$ 103,97.
Segundo Sanchez, os DIs continuam muito atrelados ao ambiente externo, inclusive nos trechos mais curtos da curva futura. “Nosso curto prazo está refletindo um ciclo baixista da Selic muito tímido, e a justificativa é a cautela apontada pelo Copom e pelo Gabriel Galípolo, associada ao mercado internacional”, avalia. Em evento do qual participou ontem, o presidente do BC endossou perspectivas de que a calibração no juro iniciada em março vai continuar, mas em ritmo cauteloso.
Para o economista, os indicadores domésticos conhecidos nesta terça, com toda a atenção dos investidores voltada à guerra, não surtiram efeito sobre a curva. Um gestor de renda fixa de uma grande asset, que prefere não se identificar, concorda. “É tudo sobre guerra”, comentou. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou que 255,3 mil vagas formais foram criadas em fevereiro, abaixo da mediana de 269 mil do consenso de mercado.
Do lado da oferta, em um contexto de maior volatilidade do mercado, o Tesouro Nacional fechou o mês de março com um leilão reduzido, de 450 mil Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), das quais 327,15 mil foram vendidas.
Apesar da descompressão observada nas últimas sessões, o saldo do mês foi de forte elevação dos DIs. Março foi marcado por zeragens de posições aplicadas devido à aversão ao risco causada pelo conflito e, também, por mudança na precificação dos agentes para o ciclo de cortes da Selic, que deve ser mais magro, além de intervenção do Tesouro no mercado para reduzir disfuncionalidades.
Desde o final de fevereiro, a taxa do DI para janeiro de 2027 saltou mais de 80 pontos-base. O DI para janeiro de 2029 disparou 108 pontos-base, e o DI para janeiro de 2031 acumulou avanço de 79 pontos-base no mês.
