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20 de fevereiro de 2026

Taxas de juros têm forte recuo com veto a tarifas dos EUA pela Suprema Corte do país


Por Agência Estado Publicado 20/02/2026 às 18h46
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O dia parecia se encaminhar para um pregão morno nos DIs, com agenda de indicadores domésticos esvaziada e, no radar dos investidores, apenas o PIB dos Estados Unidos e a inflação medida pelo índice de preços de gastos com consumo (PCE), além das tensões geopolíticas entre o país e o Irã. A decisão da Suprema Corte dos EUA de considerar ilegal o uso de tarifas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês), porém, desencadeou um rali nos ativos domésticos que também embalou a curva de juros futuros.

Segundo agentes, embora ainda haja dúvidas sobre a permanência da derrubada das tarifas, a primeira leitura foi de que haverá menos inflação vindo da economia americana, o que daria conforto para o Federal Reserve (Fed) reduzir os juros e também favoreceria o ciclo de cortes da Selic por aqui.

Faltando duas horas para o final da sessão desta sexta, o presidente dos EUA, Donald Trump, desafiou a medida judicial e anunciou uma tarifa global de 10% que, de acordo com ele, entrará em vigor em 3 dias a partir desta data. As declarações acentuaram ainda mais a queda dos juros futuros, que renovaram mínimas intradia, uma vez que agentes esperavam uma alíquota um pouco maior. O movimento também seguiu a melhora do câmbio, que testou novas mínimas ao longo do dia, tendo operado abaixo de R$ 5,20.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 diminuiu de 13,297% no ajuste anterior a mínima diária de 13,24%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 12,674% no ajuste de quinta para 12,595%. O DI para janeiro de 2031 anotou firme queda a 13,045%, vindo de 13,122% no ajuste.

No cômputo da semana, encurtada e com liquidez reduzida nas negociações devido a feriados aqui e nos EUA, também houve deslocamento para baixo da curva a termo: o vértice de janeiro de 2027 cedeu 7 pontos-base ante o fechamento da última sexta-feira. O DI para janeiro de 2029 e janeiro de 2031 diminuíram 6 pontos-base e 3,5 pontos-base pela ordem.

Para León Santiago Lucas, head de renda fixa da Ville Capital, a queda expressiva nas taxas dos DIs teve como principal catalisador a decisão judicial que vetou as tarifas de Trump, recebida com otimismo. No início da tarde, o mercado passou a analisar com mais critério as consequências fiscais negativas para os EUA, uma vez que o Tesouro americano arrecadou mais de US$ 133 bilhões com impostos de importação, ponderou.

Economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa afirma que, neste primeiro momento, a reação positiva dos juros futuros e demais ativos de risco brasileiros teve como propulsor os efeitos esperados da retirada de tarifas sobre a maior economia do mundo, sem considerar possíveis impactos positivos para o Brasil.

“Há uma percepção de uma economia norte-americana um pouco mais fraca, se refletindo em menos juros no mundo, assim como em dólar mais fraco”, disse, ponderando que ainda há grande incerteza sobre a retirada de fato das tarifas e, neste caso, qual seria a resposta do governo Trump.

Nesta tarde, o republicano afirmou que a tarifa comum de 10% deve ser aplicada por 5 meses, e que parte dos acordos comerciais negociados sob a IEEPA pode ser revista. Ainda alertou que o veredicto da Suprema Corte não limita sua capacidade de restringir o comércio internacional e que poderá recorrer a instrumentos ainda mais duros.

Mesmo assim, as falas do presidente americano acentuaram o ritmo de declínio do dólar e dos DIs, e levou o Ibovespa a alçar novos recordes, puxado pelas bolsas de Nova York. “Em princípio, o plano B que Trump irá usar poderia ser uma tarifa maior… poderia ser até 15% de tarifa global e ele acabou anunciando 10%. Isso parece ter sido visto como positivo”, disse um gestor de renda fixa de uma grande Asset à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Ele também destacou o pano de fundo positivo para os ativos de países emergentes, que conspirou a favor dos mercados, com valorização nos mercados acionários e queda do dólar global.

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