As tensões geopolíticas já começam a redesenhar os fluxos de capital da Alemanha e devem limitar a recuperação da economia do país no primeiro semestre de 2026, segundo relatório mensal divulgado nesta quarta-feira, 22, pelo Bundesbank. O banco central alemão avalia que a economia deve ter crescido “ligeiramente” no primeiro trimestre e prevê, no máximo, uma nova expansão leve no segundo, em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio.
Segundo o Bundesbank, a atividade no início do ano foi sustentada principalmente pela indústria e pelo setor de serviços. As vendas industriais e as exportações avançaram nos primeiros meses de 2026, sugerindo contribuição positiva ao Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre. Em contrapartida, o consumo privado começou o ano fraco, pressionado pela piora do mercado de trabalho e pela alta dos preços de energia.
Para o segundo trimestre, o banco central vê impulso crescente da política fiscal expansionista, mas afirma que os efeitos do conflito no Oriente Médio devem pesar mais amplamente sobre a atividade, via energia mais cara, gargalos nas cadeias de suprimento, maior incerteza, juros mais altos e perspectiva pior para exportações. O emprego vem caindo lentamente há nove meses, e a taxa de desemprego ficou em 6,3% em março.
No front externo, o Bundesbank afirma que ainda não há sinais de “desglobalização” ampla dos investimentos alemães, já que a interconexão internacional continua aumentando. Ainda assim, o foco geográfico está mudando: investidores alemães mantêm maior exposição a países politicamente alinhados aos Estados Unidos e reduziram desde meados de 2021 posições em títulos de países do bloco “oriental”.
O banco central da Alemanha destaca que fatores geopolíticos já afetam investimentos em carteira e outros investimentos, como empréstimos bancários, mas ainda não alteraram de forma robusta os estoques de investimento direto externo, por serem decisões estratégicas de longo prazo.
O Bundesbank observa que a inflação anual ao consumidor subiu de 2,0% em fevereiro para 2,8% em março, impulsionada por energia, e deve seguir “significativamente elevada” nos próximos meses.