Dick Parry, saxofonista que marcou clássicos do Pink Floyd, morre aos 83 anos


Por Agência Estado

O saxofonista Dick Parry, colaborador histórico do Pink Floyd e responsável por solos marcantes em músicas clássicas da banda britânica, morreu nesta sexta-feira, 22, aos 83 anos. A informação foi revelada pelas redes sociais neste sábado, 23, pelo guitarrista da banda inglesa David Gilmour.

Dick Parry nunca precisou ser integrante oficial do Pink Floyd para se tornar uma das figuras mais reconhecíveis da banda. O músico é dono do saxofone que atravessa clássicos como “Money”, “Us and Them” e “Shine On You Crazy Diamond”.

Parry ajudou a definir boa parte da identidade sonora do Pink FLoyd nos anos 1970. Seu saxofone aparece em momentos históricos de álbuns como The Dark Side of the Moon, de 1973, e Wish You Were Here, de 1975.

Na homenagem ao companheiro, David Gilmour lembrou que a relação entre os dois vinha da adolescência. “Meu querido amigo Dick Parry morreu esta manhã”, escreveu o guitarrista e vocalista. “Desde os meus 17 anos, toquei em bandas com Dick no saxofone, incluindo o Pink Floyd.”

Gilmour afirmou ainda que o “sentimento e o tom” de Parry tornavam sua forma de tocar inconfundível, uma “assinatura de enorme beleza” presente nas músicas supracitadas.

A parceria de Parry com o Pink Floyd também passou pelos palcos. O saxofonista excursionou com a banda entre 1973 e 1977, período em que o grupo consolidou sua fase mais monumental, e voltou a trabalhar com Gilmour na fase pós-Roger Waters.

Em 1994, participou do álbum The Division Bell, especialmente em “Wearing the Inside Out”, além de acompanhar a turnê daquele ano. Parry também esteve no Live 8, em 2005, apresentação que marcou a única reunião completa do Pink Floyd com Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright.

Gilmour também recordou que Parry integrou a banda de sua turnê solo On An Island, em 2006, a última formação ao vivo do guitarrista que ainda contou com Richard Wright, tecladista do Pink Floyd morto em 2008. Em seu perfil no Instagram, o músico compartilhou imagens antigas dos dois, incluindo um registro de 1963, quando tocaram juntos no Victoria Cinema, em Cambridge, com o grupo ABC Minors.

Nascido em Suffolk, na Inglaterra, Parry era amigo de longa data de Gilmour antes mesmo da fama mundial do Pink Floyd. Tal proximidade foi decisiva para que ele fosse chamado a gravar com a banda nos anos 1970.

Décadas depois, em 1994, Gilmour contou que reencontrou Parry após receber um cartão de Natal do saxofonista, que havia se afastado da música, vendido seus instrumentos e trabalhado como ferrador de cavalos. Ao ouvi-lo novamente, Gilmour e o produtor Bob Ezrin perceberam em poucas frases que o som continuava intacto. “Ele ainda tinha aquilo”, relembrou o guitarrista em entrevista ao extinto Pink Floyd & Co.,dos mais antigos sites sobre a banda.

Parry também ficou conhecido entre fãs por apresentações em que subia ao palco com dois saxofones, alternando entre barítono e tenor durante “Shine On You Crazy Diamond”. Era uma imagem quase discreta diante da grandiosidade visual do Pink Floyd, mas central para a força emocional de algumas das passagens mais conhecidas da banda.

A morte do saxofonista gerou manifestações de pesar de músicos e nomes ligados à indústria. O cantor e compositor Graham Nash comentou a publicação de Gilmour lamentando a perda, enquanto o guitarrista Kfir Ochaion salientou que o solo de “Shine On You Crazy Diamond” é um momento “raro e belo da história da música”. Fãs chamaram Parry de “sexto integrante do Pink Floyd”.

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