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05 de julho de 2026

Inclusão na tela: animador de Sarandi cria a maior coletânea de clássicos em libras do Brasil

Ex-produtor da “Turma da Mônica” e “Sítio do Picapau-amarelo”, Paulo Henrique sentiu a necessidade levar as animações a um público que não conseguia entendê-las


Por Daniel Demeterko Publicado 05/07/2026 às 14h20
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A maior parte das pessoas lembra com carinho dos desenhos que marcaram a infância, mas imagine não poder assisti-los por não entendê-los? Foi pensando nessa realidade que o diretor de animação Paulo Henrique Rodrigues, morador de Sarandi, criou o 1º desenho em libras do Brasil e agora segue adaptando clássicos da literatura nacional.

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“O Leão e o Rato” é uma das obras adaptadas para a série “Clássicos em Libras”/ Foto: Divulgação

Natural do Estado de São Paulo, o autor possui experiência em obras consagradas no mundo da animação. Foi com a bagagem de projetos como “Turma da Mônica”, “Sítio do Pica-Pau Amarelo” e “Show da Luna’, que ele construiu seu 1º projeto ao público leitor de libras, ‘Min e as mãozinhas”.

Os conteúdos realizados pela Pavi, produtora fundada pelo paulista de 36 anos, se destacam por uma grande revolução na área dos desenhos. Diferentemente de alguns suportes de acessibilidade que incluem um intérprete no canto da tela que “traduz” o que está sendo dito, são os próprios personagens que realizam a Língua Brasileira de Sinais conforme falam.

A iniciativa de produzir animações que podem ser assistidas tanto por ouvintes quanto não-ouvintes, nasceu de um incômodo de Paulo sobre a comunicação com pessoas surdas. Enquanto estava em jantar de casamento de amigos próximos, ele percebeu que não sabia como pedir à pessoa surda, do outro lado da mesa, que lhe passasse o saleiro . “Como eu faço isso? Porque se eu chamar ela, ela não vai me escutar”, comenta.

O primeiro trabalho na área foi “Min e as Mãozinhas”, lançado em setembro de 2021. A animação sobre Yasmin, uma menina surda conhecida como Min, que busca aventuras e se comunica com seus animais por meio da Língua Brasileira de Sinais.

Em exibições do projeto por escolas, uma reação marcou profundamente o dono da produtora Pavi. Ao iniciar a transmissão da animação para um grupo de crianças e pais, uma delas ficava de costas para o telão e apenas olhava para a mãe. Após a situação, ele procurou entender o que acontecia naquele momento. 

A pequena estava acostumada a assistir os desenhos que gostava apenas com o apoio da mãe que traduzia tudo conforme ocorria na Televisão. “Quando o desenho começou com um sol nascendo e dando bom dia em libras, ela entendeu que o desenho era para ela”, analisa Paulo. 

Nós, adultos, temos esses muros que a gente criou, agora as crianças, você pega uma criança que fala japonês, uma que fala português, outra que fala inglês, e elas dão um jeito de se comunicar e brincar”

Paulo Henrique Rodrigues, Diretor de Animação e um dos idealizadores do projeto

Confira o 1º episódio de “Min e as mãozinhas”

Clássicos da Literatura

O novo projeto de acessibilidade já nasceu histórico. O projeto “Clássicos em Libras” ganhou um recorde no mês de junho por ser a maior coletânea do gênero no Brasil. A primeira fase da produção conta com seis episódios já programados e deve se estender para uma segunda parte com o tema da revolução de 32.

A estética do projeto também é um diferencial para sua autenticidade. Cada episódio segue um estilo artístico, como por exemplo Fauvismo, de Matisse, Literatura de cordel, Cubismo, de Picasso, entre outros. Para o diretor de animação, “Tudo isso com o objetivo de ensinar arte além da literatura”

Cinco episódios da animação já se encontram disponíveis no canal oficial do Clássicos em Libras, no Youtube.

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