O governo federal lançou oficialmente a plataforma Tela Brasil, o novo serviço de streaming público e totalmente gratuito voltado ao audiovisual brasileiro. Coordenada pelo Ministério da Cultura (MinC) e desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a iniciativa nasce com o objetivo de democratizar o acesso à cultura e ampliar o alcance das produções nacionais, funcionando como uma vitrine para a nossa própria identidade.
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O que é a plataforma e o que assistir?
A Tela Brasil estreia com um acervo de 555 obras audiovisuais brasileiras, cobrindo desde clássicos históricos de 1910 até produções contemporâneas lançadas em 2025. O catálogo inaugural foi construído com conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e relíquias guardadas por instituições como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Cultural Palmares.
As produções estão divididas nos seguintes formatos:
- 267 curtas-metragens;
- 139 longas-metragens;
- 85 médias-metragens ou telefilmes;
- 64 obras seriadas.
Entre os grandes destaques do catálogo estão joias do cinema nacional como Central do Brasil, Cidade de Deus, O Auto da Compadecida, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Carandiru, Olga, Xica da Silva e A Hora da Estrela. Há também um forte foco em diversidade, com recortes para o cinema negro (como a categoria Africanidades), cinema indígena, produções dirigidas por mulheres e pautas urgentes como a justiça climática.
Todos os títulos foram selecionados via edital público e oferecem audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Libras.
Como usar?
- Conta Gov.br: Para começar a navegar e assistir aos filmes sob demanda, o usuário precisa apenas ter uma conta ativa no sistema de login único do governo federal (Gov.br).
- Navegadores e TVs: Inicialmente, a plataforma funciona de forma direta pelo navegador de computadores, contando com a opção de transmissão para Smart TVs.
- Aplicativos móveis: Os aplicativos dedicados para celulares (sistemas Android e iOS) têm previsão de lançamento para os próximos 30 dias.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a plataforma é uma ferramenta de soberania cultural para que os brasileiros conheçam a si mesmos.
“A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver. O que não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira.”
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou que a plataforma vem para solucionar um dos maiores problemas históricos do setor: a distribuição.
“Na questão do audiovisual, nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país? A nossa diversidade está no que a gente produz, só que o povo não tinha acesso. O povo que se conhece, o povo que se vê, ele se fortalece.”
A relevância científica e estrutural do projeto foi endossada pela professora Luciana Peixoto Santa Rita, representante da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) no desenvolvimento do streaming. Ela enfatizou que a plataforma não é apenas um site de vídeos, mas o resultado de um profundo estudo técnico e jurídico:
“Importante destacar que tem pesquisa no meio sobre acessibilidade. São obras com três recursos de acessibilidade, que envolvem também discussão sobre preservação e memória. Há soluções tecnológicas e soluções jurídicas sobre regulamentação. É política pública baseada em pesquisa e evidência.”
O Ministério da Cultura assinou um Acordo de Cooperação Técnica com a TV Brasil (EBC), integrando os esforços de difusão do cinema nacional na televisão aberta e no ambiente digital
As informações são da Agência Brasil.