A Virada Cultural de 2026 chegou ao fim na cidade de São Paulo. Entre a tarde de sábado, 23, e a noite de domingo, 24, a população pôde curtir dezenas de shows e experiências artísticas e culturais de forma gratuita.
Com apresentações durante os dois dias, uma “madrugada viva” entre sábado e domingo e o Museu de Arte de São Paulo (Masp) aberto a noite toda pela primeira vez na história, a Virada mobilizou São Paulo, apesar da chuva e do frio que atingiram a capital paulista no fim de semana.
A Virada mobilizou também as forças de segurança paulistanas. A Prefeitura informou que a operação para garantir o bem-estar durante os shows envolveu Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Civil Metropolitana, drones, equipes à paisana e segurança privada, além do sistema de monitoramento por câmeras Smart Sampa.
O Estadão questionou a Prefeitura e a Secretaria de Segurança Pública sobre o número de presentes, a quantidade de ocorrências registradas e outras informações dos dias de evento, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Caso haja manifestação, este material será atualizado.
Confira abaixo alguns dos principais destaques deste último dia do evento em 2026.
Manu Chao balançou a madrugada
Programado para ter início logo na primeira hora deste domingo, no Anhangabaú, Manu Chao subiu ao palco pouco depois da meia-noite. O francês foi um dos nomes internacionais mais conhecidos a participar desta edição da Virada Cultural. Além do hit Me Gustas Tu, que tomou as rádios brasileiras em 2001, quando foi lançado, também cantou São Paulo Motoboy, música que tem relação direta com a capital paulista.
Gaby Amarantos animou a Virada, mas criticou a organização do evento
Já no palco São João, Gaby Amarantos adentrou a madrugada com uma apresentação animada. Em determinado momento, porém, interrompeu a cantoria para fazer críticas à organização do evento.
“A gente vê muitas prefeituras do Brasil inteiro fazendo shows enormes com os nossos artistas, fazendo shows internacionais… Aí para o artista internacional coloca a melhor estrutura e para a gente não coloca uma estrutura competente?”, reclamou, citando um problema de queda de energia e falta de gerador.
Procurada pelo Estadão, a Prefeitura não enviou um posicionamento sobre as críticas feitas pela cantora.
Virada Cultural trouxe madrugada viva entre sábado e domingo
As apresentações se estenderam ao longo de toda a madrugada e os paulistanos puderam acompanhar eventos culturais até o nascer do sol – que não afugentou o frio por completo.
Pessoas se aglomeravam em frente aos palcos e também em estações de metrô, que formavam filas na volta para casa. Jane Duboc tocou piano a uma plateia sentada na Praça Dom José Gaspar. Rom Santana, o Príncipe do Bixiga, trouxe o ritmo de carnaval à avenida São João.
Filas no Masp e no Theatro Municipal
Outro destaque foram as filas no Theatro Municipal e no Masp, que ficaram abertos durante o período noturno. No caso do Museu de Arte de São Paulo, situado na avenida Paulista, o horário de visitação chegou à madrugada pela primeira vez na história.
Já no Theatro, em vez da tradicional música clássica, houve espaço para apresentações de punk, incluindo um show do grupo As Mercenárias.
“Estou surpresa, é a primeira vez que estamos tocando às 9h da manhã”, brincou a vocalista, Sandra Coutinho, arrancando risadas da plateia.
Posteriormente, o palco do Municipal também foi a casa de outros shows, como da referência da black music brasileira, Di Melo, com bastante gente nas galerias. Emocionado, ele agradeceu aos fãs: “Fiquei feliz que vocês vieram. Eu estava triste, mas agora estou contente.”
Gretchen na Virada Cultural 2026
A Rainha do Rebolado foi uma das principais atrações da Virada Cultural antes do início da tarde neste domingo, 24.
Sucesso nos anos 1980, ela viveu um período de ostracismo antes de retornar aos holofotes na década de 2010, graças à participação em reality shows e ao surgimento de diversos memes na internet.
O resultado disso se viu no público diversificado que esteve na avenida São João para assistir sua apresentação. Além de hits como Conga, Conga, Conga e Melô do Piripipi, Gretchen apostou em músicas de diversos outros artistas, como Beto Barbosa, Joelma e Paula Fernandes.
“A gente não chama mais as pessoas da minha idade de idosa. Mas é tão bom ser idosa, tenho várias prioridades”, brincou a cantora, de 66 anos.
Tarde de domingo contou com grandes nomes na Virada Cultural
Às 14h30, foi a vez de Marina Sena, um dos principais nomes do pop brasileiro atual subir ao palco do Anhangabaú. Na setlist, músicas como Coisas Naturais, Por Supuesto e Numa Ilha.
Descentralizada, seguindo a proposta surgida em anos anteriores, a Virada Cultural deste ano também trouxe nomes conhecidos do público se apresentando em palcos espalhados pela cidade.
Foi o caso, por exemplo, de Latino e Luísa Sonza (São Miguel Paulista), Marcelo Falcão, ex-Rappa (Sapopemba), Thiaguinho (Itaquera), Sidney Magal (Freguesia do Ó), Mumuzinho (Parada Inglesa), Guilherme e Santiango (Campo Limpo), Péricles (Cidade Ademar), Jeito Moleque e Pixote (Jardim Myrna), Gustavo Mioto (MBoi Mirim) e Roberta Miranda (Parelheiros).
O palco situado na região da Zona Oeste trouxe bandas que fizeram sucesso nas décadas de 1990 e 2000, em sequência: CPM 22, Raimundos e Biquini Cavadão.
Otto encarna Reginaldo Rossi
Em uma homenagem ao Rei do Brega, o cantor Otto subiu ao palco São João e cantou músicas como Deixa de Banca e Pra Ser Só Minha Mulher em levada de rock e ritmo de celebração à cultura nordestina em São Paulo, que chamou de “o elo absoluto do Brasil” durante o show.
Joelma leva o Pará à Avenida São João
Perto do fim da tarde, o público começou a se despedir da maioria dos palcos com suas atrações finais. Na Avenida São João, a missão ficou a cargo de Joelma, que cantou desde sucessos animados no ritmo frenético do brega até músicas mais lentas.
Em seu repertório, além de canções da carreira solo, ela visitou também seu passado de banda Calypso.
Alexandre Pires encerrou no Vale do Anhangabaú com um aceno aos anos 90
Em um clima agradável, muitos fãs aproveitaram para dançar e cantar durante a apresentação do ex-integrante do Só Pra Contrariar. Ao longo do show, o cantor fez referências à década de 1990, que marcou sua carreira.
O show serviu de encerramento ao palco Anhangabaú, um dos principais da Virada em 2026 – Pires recebeu o bastão de Seu Jorge, que havia sido precedido por Marina Sena, todos shows cheios de fãs.
Como foi o sábado de Virada Cultural
A programação da Virada Cultural teve sua abertura oficial com cerca de meia hora de atraso, durante a tarde do último sábado, 23, com o maestro João Carlos Martins conduzindo a sua orquestra no palco do Anhangabaú. Péricles, um dos cachês mais altos pagos pela Prefeitura neste ano, subiu ao mesmo palco posteriormente, cantando seus hits e versões de canções de outros artistas. Luísa Sonza animou o público na sequência.
A Virada Cultural 2026 também contou com a primeira apresentação de uma banda de k-pop no evento, a 1Verse – ainda que estivesse desfalcada de parte de seus membros e tenha cantado por apenas meia hora no sábado.
Em entrevista, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), comentou a realização do evento em um ano de eleição, possivelmente marcado por polarizações.
“Não teve nenhuma vinculação ou separação para montar a grade de artista baseado na sua convicção política ou não. A gente sabe que, por exemplo, o João Carlos Martins é mais de centro, a Luísa Sonza é mais de esquerda, o Péricles, eu não sei nem para que lado ele está, mas o que tem é o compromisso da cidade para todos curtirem”, disse Nunes.