10 edições de Copa: Morador de Maringá e torcedor da Itália coleciona álbuns de figurinhas desde 1990


Por Felippe Gabriel

Quando a Copa do Mundo se aproxima chega a hora dos tão tradicionais álbuns de figurinhas. Uma febre que reaparece a cada quatro anos, mobiliza multidões, ganha novos entusiastas e desperta os velhos colecionistas.

Giuliano Biondi, morador de Maringá, é um deles. O jornalista coleciona os álbuns da Copa desde 1990, na edição do torneio realizada na Itália. Aos 42 anos, Giu já completou seu 10º álbum e guarda todos com muito cuidado e esmero pela memória que cada um carrega.

Giuliano Biondi completou mais de um álbum em algumas edições | Foto: Felippe Gabriel/GMC Online

Nascido em Campinas (SP), Giu é torcedor do São Paulo e tem torcida recíproca pela Ponte Preta. O futebol sempre esteve presente em sua vida e o hábito de colecionar álbuns começou cedo, quando seu pai trazia os primeiros pacotinhos para o filho abrir.

— O mais legal é que tem dois álbuns dessa coleção que ainda se colavam as figurinhas com cola — relembra Giu. 

Além dos álbuns, o colecionador guarda um pacote de figurinhas lacrado de cada edição. E quase todos estão completos. Apenas o de 1998 não conta com cinco figurinhas, que nunca foram encontradas por Giu, mesmo indo atrás anos depois. 

— De 1994 e 1998 era muito difícil encontrar figurinhas. Eu já trabalhava, mas não era todo lugar que vendia, eram só algumas bancas, às vezes faltava figurinha.

O morador de Maringá coleciona álbuns da Copa desde 1990 | Fotos: Felippe Gabriel/GMC Online

Ao longo das edições, o campineiro usou de vários artifícios para completar os álbuns, desde comprar pacotinhos com outros colecionadores, pedir cromos diretamente com a editora ou até mesmo criar figurinhas. A discrepância entre os valores das épocas também chama a atenção, com os pacotes custando centavos de cruzeiro na década de 90. Em 2026, um pacote com sete figurinhas custa R$ 7.

— O álbum de 1998 tem uma curiosidade. Tem jogadores que não possuem cromo. Eu encontrei um cara que fazia as figurinhas e comprei algumas. 

Em mais de três décadas de colecionismo, Giu guarda todos os álbuns e pacotinhos com muito cuidado, plastificados em material resistente e empilhados para não empenar. Apesar disso, as ações do tempo – e da época de criança – não impediram pequenos rasgos em alguns exemplares. 

— As pessoas vão em casa e claro que eu deixo dar uma olhada. A gente tem coleção pra olhar. Até falam pra eu encadernar, mas deixo do jeito que está. Se um dia perder, valeu a pena o tempo que eu tive, já rendeu boas histórias. 

Além dos álbuns, o jornalista guardas pacotinhos de figurinha lacrados | Fotos: Felippe Gabriel/GMC Online

Giu também tem outras coleções, como cartões telefônicos, selos e cédulas de dinheiro antigas. Para ele, é uma forma de preservar a história e uma época da vida, e transmitir para o futuro. No futebol não é diferente. O jornalista ainda não tem filhos, mas já influenciou sobrinhas e primos a serem colecionadores de álbuns da Copa. 

— Isso aqui é a minha história, as coisas que eu vivi com o futebol. Antes de comprar o de 2026, eu folheei o de 1990. Você vai vendo a evolução das coisas. 

Brincadeira infantil foi ‘invadida’ por adultos

Assíduo nas trocas de figurinhas, Giu destacou um aspecto importante da prática: o fato de ser, primariamente, uma brincadeira infantil. Desde as trocas nas bancas ou nos “bafinhos” nas escolas, a dinâmica das trocas de figurinhas sempre mobilizou os mais jovens, que encaram a situação com diversão.

Os adultos, no entanto, veem o ato com mais objetividade, sem o aspecto lúdico da brincadeira. É nesse sentido que Giu preza pela “ingenuidade infantil”, que não se atém a eventuais erros.

— Quando eu era moleque, era legal a criança trocar com a criança. Hoje não. Hoje o pai da criança troca com a criança do lado. Deixem a criança errar. A vida é assim. Então, agora como adulto, eu só troco com adultos. Hoje parece que os pais não deixam as crianças errarem. Eu já fiz um monte de besteira, já bati bafinho, já devo ter trocado muito errado. Eu acho que é legal pra criança também, ela cria amizade, aprende o lance de fazer troca. 

— É uma coisa de criança, mesmo a gente gastando uma grana, às vezes é gostoso sair um pouco do nosso adulto, ficar uma hora separando figurinha.

Brasileiro, mas torcedor da Itália

Bisneto de italianos que vieram morar no Brasil, Giu sempre viu seu pai e seu avô torcerem pela Itália em Copas do Mundo, e o sentimento foi passado por gerações. O morador de Maringá naturalmente acompanha o Brasil, mas sofre pelas últimas não classificações da Azzurra para a competição. Por conta disso, para ele, o álbum mais marcante é o de 2006, ano do último título italiano.

— Eu vivi em uma casa onde as pessoas assistiam o jogo da Itália. Eu vi os jogos da Itália na Copa de 1990. Então, a Copa do Mundo, até um certo momento, foi muito ligada ao meu pai, principalmente por serem dois torcedores da Itália. Então, são essas memórias que a gente vai guardando, principalmente pelo fato de eu gostar de futebol. E a Copa do Mundo é um negócio diferente, sabe? Você está assistindo Nova Zelândia x Irã, se fosse amistoso, você jamais iria assistir. Mas na Copa eu vou assistir. A história da Copa do Mundo é muito legal porque, às vezes, é a única forma de nações e pessoas terem um pouquinho de alegria.

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