Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso site, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao acessar nosso portal, você concorda com o uso dessa tecnologia. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.

05 de fevereiro de 2026

27 pontos na estreia como titular: Conheça Ana Marcelin, central hondurenha do Sancor Maringá


Por Felippe Gabriel Publicado 04/02/2026 às 23h21
Ouvir: 00:00

A central hondurenha Ana Marcelin fez história pela Superliga Feminina de Vôlei no último sábado, 31. A jogadora do Sancor Maringá anotou incríveis 27 pontos e foi a grande responsável pela vitória maringaense por 3 sets a 1 sobre o Brasília, pela 15ª rodada. O triunfo ainda colocou o Maringá na sexta colocação pela primeira vez na história do torneio.

Ana foi responsável por um quarto do total de pontos da equipe, com 20 pontos de ataque e sete de bloqueio. A central teve um aproveitamento de 74% dos ataques, colocando a bola no chão em 20 das 27 tentativas. Com o desempenho, Ana Marcelin foi eleita a melhor jogadora da partida e levou o Troféu Viva Vôlei.

— Eu acredito que foi a confiança. Eu olhava para a comissão técnica e eles pareciam me dizer “Ana, você tá aí porque a gente confia em você”. Eu senti essa leveza no ambiente, é coletivo, era todo o pessoal que me passou essa confiança. E isso realmente que me ajudou — disse Ana Marcelin, em entrevista exclusiva ao GMC Online, elencando os motivos da boa atuação.

agenciaclassea_1769957154_3822997633417362899_6270038605
Foto: Assessoria de imprensa Brasília Vôlei (@guerreirofotografia)

Contratada pelo Sancor Maringá para a atual temporada vindo do Foz do Iguaçu, a central de 1,93m foi captada pelo técnico Aldori Júnior, que viu potencial em uma “joia a ser lapidada”. Para o professor, os pontos fortes de Ana são a impulsão e o bloqueio, além da fisicalidade. Apesar disso, a jovem hondurenha precisava aprimorar a parte técnica.

— A Ana chegou com muito potencial físico, porém, tecnicamente, ela estava um pouquinho abaixo das outras jogadoras. Ela nunca tinha jogado um campeonato desse nível, então, a gente precisou trabalhar paralelamente a parte tática e a parte técnica. Refinar os fundamentos, a manchete, o bloqueio, o entendimento do jogo. No começo, ela tinha algumas dificuldades até sobre informação, o que é setorização, qual é a melhor chamada em determinadas situações. E a velocidade do jogo, a Superliga é muito rápida. Então, até que ela conseguisse colocar todo esse potencial físico em prática, dentro da velocidade do jogo que uma Superliga exige, eu acredito que esse seja o momento. Eu, como treinador, tenho a responsabilidade de não antecipar os passos. Às vezes você pega uma jogadora como a Ana, vê o potencial e você já joga ela dentro de uma partida, às vezes você compromete até a autoconfiança da atleta — explicou Aldori ao GMC Online

Primeira vez como titular

Ainda se aprimorando tecnicamente, Ana Marcelin não vinha tendo muito minutos em quadra. Seu primeiro jogo como titular foi justamente contra o Brasília, em uma das melhores performances da recente carreira. E o chamado foi uma surpresa. Segundo ela, o técnico Aldori informou sobre sua titularidade já no Distrito Federal, horas antes da partida. 

— O Aldori falou comigo, “Ana, tu que vai entrar, está pronta?”. No meu coração eu falei para Deus, “eu não estou pronta”. Mas, às vezes, quando você não sente que está pronta, é o momento que você está. Aí eu falei para ele “eu estou bem, eu estou pronta”. E, graças a Deus, foi uma ótima experiência — relatou. 

WhatsApp Image 2026-01-31 at 22.01.06
Foto: Assessoria de imprensa Brasília Vôlei (@guerreirofotografia)

Surpresa para a atleta, mas com planejamento do treinador. Aldori revelou que a partida foi direcionada para potencializar o jogo de Ana Marcelin, além de contar com o “fator surpresa” da primeira vez da camisa 10 em quadra desde o início. Para a próxima rodada, o técnico garantiu a continuidade da central na equipe.

— A gente planejou um jogo para que a gente pudesse utilizá-la bastante no ataque, mas o bloqueio também, mérito todo dela. Claro que os treinamentos e também o fator surpresa. Ninguém sabia, ninguém conhecia, então a marcação, o direcionamento de ataque, tempo de bola, eu acho que foi muito bom — destacou o técnico.

Apesar do número alto, não foi a maior pontuação da atleta em uma única partida. Pela Seleção Hondurenha, Ana já anotou 31 pontos em um jogo. 

— Mas isso é diferente, porque é uma região centro-americana, sabe? Por muito que eu adoro e valorizo o pessoal também de lá, não é igual o nível de primeira divisão daqui. Então, eu não acreditava que eu poderia ter uma performance desse jeito aqui — ponderou Ana.

Quem é Ana Marcelin?

Ana Gabriela Marcelin González, de 24 anos, nasceu em La Ceiba, cidade portuária na costa norte de Honduras, na América Central. Em entrevista ao GMC Online, a atleta contou sua trajetória no país natal, o sonho de estudar medicina, a vinda ao Brasil e os anos em Foz do Iguaçu, além da chegada a Maringá e sua relação de gratidão com o voleibol. Confira!

sancorsegurosvolei_1770151747_3824631689385736686_7137703370
Ana Marcelin concedeu entrevista ao GMC Online | Foto: Sancor Maringá

Começo tardio no esporte

Ana começou a jogar voleibol apenas aos 18 anos de idade. Seu foco sempre havia sido os estudos, e a jovem tinha o sonho de cursar medicina. O contato com o esporte veio na faculdade, na Universidad Nacional Autónoma de Honduras (UNAH), quando Ana “não conseguia dizer não” e passava a participar de atividades extracurriculares. Mesmo com a interrupção da pandemia de covid-19, o vôlei ganhou um lugar no coração de Ana e passou a ser outra prioridade.

— Quando eu tinha 17 anos, eu entrei na faculdade e tinha outros planos para a minha vida. E no meu pensar era focar apenas no estudo, mais nada, porque eu tenho esse problema de dificuldade de falar que não para as atividades. Eu queria me focar muito no curso de medicina, mas eu sucumbi no primeiro dia. Eu comecei a treinar, e foi onde que realmente Deus fez arder esse sonho pelo vôlei no meu coração. Eu conheci a liga da minha cidade, competi contra os campeões de toda Honduras, e aquele sonho foi ganhando mais peso, e eu queria muito continuar evoluindo e tudo, mas a pandemia chegou, e todos nós sabemos a história. Mas enfim, também não foi um momento desperdiçado, porque em Deus não tem desperdício, senão propósito. E eu coloquei na minha cabeça, Deus foi direcionando outros planos para mim — contou a atleta do Sancor Maringá.

Chegada ao Brasil

O sonho de cursar medicina em Honduras não se concretizou e Ana passou a tentar graduação em Letras e Línguas Estrangeiras, mas não encontrou oportunidades em Honduras. A solução foi sair do país e o Brasil surgiu como a primeira opção. A hondurenha conseguiu uma bolsa de estudos para cursar Letras na Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), em Foz do Iguaçu, oeste do Paraná. Apesar da prioridade aos estudos, a vontade de seguir no voleibol também viajou junto, e a atleta buscou entrar para o time da cidade.

— Eu tentei muito estudar no meu país, tentei jogar lá, mas lamentavelmente não deu certo.  Eu queria medicina, mas depois aconteceu que não consegui entrar. Isso foi uma decepção muito profunda, e eu procurei outro caminho, que foi Línguas Estrangeiras, que é uma área que eu amo muito, mas no meu país estava muito lotado esse curso, então era zero oportunidade. Eu lutei, escrevi para todas as pessoas que você pode imaginar, e isso me deu uma decepção profunda. Eu lembro que estava no meu quarto e eu fiz uma oração a Deus, com muita sinceridade, falando “deu para mim aqui em Honduras, eu vou procurar qualquer lugar do mundo”. Eu estava de verdade disposta a ir a qualquer lugar, aí a primeira opção que surgiu foi no Brasil, e comecei esse processo em 2021. Foi um ano de processo e em 2022 eu já estava aqui, lá em Foz.

— Eu cheguei em junho de 2022. Eu cheguei no frio, e eu sou de uma cidade que está no litoral, na praia, que frio para nós é 26, 27°C. Então eu sofri naquele inverno também, por conta de outras questões, cultural, língua e tudo. Foi difícil para mim, mas eu acredito que todo o começo que a gente passa, que a gente vive, toda coisa nova que sai dessa zona de conforto, sempre vai ser difícil. Foi difícil no começo, mas com o tempo eu fui me apaixonando por esse país. O Brasil é um país maravilhoso, que eu gosto muito de viver, de estar, de estudar, de jogar, de tudo. 

ana_marcelinn_1721186653_3413883539689021102_14253162632
Foto: Reprodução/Redes Sociais

— Eu vim com o propósito de estudar, de novo esse propósito, mas no meu coração eu queria muito treinar vôlei profissional. Queria me dedicar e aprender, mas eu tinha 20 anos. Naquele momento, então, eu entendi que já estava praticamente na fase adulta e era difícil. E eu procurei na cidade. Aí o Marcão Antunes, que é o técnico do Foz do Iguaçu, abriu as portas e eu comecei a treinar com as meninas de lá, que me acolheram muito bem. É um grupo que eu levo no meu coração até hoje. E eu tenho contato com elas, porque elas conhecem a Ana que tinha dificuldade de passar um saque, a Ana que tinha muita dificuldade no apoio das coisas básicas do vôlei, e realmente foi muito significativo para mim. 

— Como todo mundo estava voltando da pandemia, as coisas na faculdade estavam indo devagar, então eu até tentei vôlei de areia. Eu vi o nível com que o time do Marcão estava jogando, era ainda algo que eu não tinha, eu fiquei com medo, recuei, e fui para o vôlei de areia, mas eu não conseguia ficar com o pessoal do vôlei de areia, por conta dos horários, que era à noite, eu estudava à noite, não podia comprometer o meu objetivo principal, embora que eu amava muito o vôlei. Então ele me direcionou de novo ao Marcão, que eu estava fugindo, e ele abriu as portas e eu comecei a treinar.

— Eu estou praticamente formada. Eu tenho uma burocracia para fazer, assim que finalizar a temporada, tenho que voltar só para colar grau. 

Outros clubes e Seleção Hondurenha

Durante sua passagem pelo Foz do Iguaçu, de 2022 a 2025, Ana Marcelin também atuou por outros clubes por empréstimo, como o Pinhalense, de Santa Catarina. Em três temporadas, a central disputou o Campeonato Paranaense, Jogos Abertos e Universitários do Paraná, Campeonato Catarinense e a Superliga C.

A atleta também defendeu a Seleção Hondurenha, no Campeonato Centro-Americano. Embora sem muita expressão no voleibol, a Honduras de Ana Marcelin surpreendeu nos torneios graças às atuações da jogadora do Maringá, premiada como maior pontuadora, melhor bloqueadora e melhor central, nas edições de 2023 a 2025. A estreia pela Seleção aconteceu quando Ana já estava em Foz do Iguaçu.

agenciaclassea_1759170505_3732515185048487659_6270038605
Foto: Reprodução/Redes Sociais

— Eu fiz contato com o pessoal de lá [Seleção Hondurenha], eles souberam de mim e me chamaram. Eu falei para o Marcão que estava com dúvidas, mas realmente não me arrependo. Representar o teu país em um esporte, em uma oportunidade incrível, é uma sensação muito maravilhosa, embora da categoria em que eles se encontrem, porque Honduras não está no radar do vôlei internacional, sabe? Apenas na nossa região centro-americana, mas ainda assim, foi uma oportunidade muito maravilhosa. 

— Eu lembro que na primeira convocatória, sempre se falava que o nosso país ficava em último lugar, e estava vindo de uma sequência de último lugar. Eu lembro que aquele grupo era o mais subestimado, e eles tinham essa subestimação comigo também, por tudo que aconteceu no passado. A gente conseguiu fazer uma ótima sequência de jogos e conquistamos o segundo lugar lá.

O convite da ‘maior equipe do Estado’

Após três temporadas, Ana deixou o Foz do Iguaçu rumo ao Sancor Maringá, para a temporada 2025/2026. Para a central, a transferência significou uma grande passo na carreira, embora estivesse passando por momentos de dúvida e repensando sua vida no esporte.

—  As meninas do clube, onde eu estava em Foz, o técnico também, sempre falavam que queriam me ver em um clube maior. 

— Eu tive a oportunidade de estar com a equipe de Maringá, que é a maior equipe do estado. Eu competia contra elas no Campeonato Paranaense. Então, para mim, significou muito que, estando em uma liga, participando de competições estaduais, eles tivessem me observado, porque eu não sou brasileira, sou uma atleta internacional. Para mim é muito significativo estar aqui. Eu sou muito grata ao Senhor por isso, e ao Aldori, à minha empresária, a Andressa, a todo o pessoal, às meninas que me acolheram muito bem, sou muito grata por tudo.

eyshyfotografa_1769917876_3822668632908772228_60921692058
Foto: Eyshyla Fotógrafa

— Eu vou ser sincera. Nesse momento [vinda ao Maringá] eu estava me afastando do vôlei, de Foz. Eu estava repensando muito a minha vida, porque eu tinha dedicado praticamente tudo ao esporte e à faculdade também. Eu olhava que os meus colegas da faculdade já estavam certos no trabalho que eles iriam fazer, nas coisas que eles iriam fazer, onde eles iriam ficar. E aí eu pensei “Ana, você passou sem pensar em tudo isso para a sua vida”. Eu passei por outros processos que eu não consigo falar, mas eu estava me afastando e repensando muito. Quando eu recebi aquela ligação, me perguntando se eu queria ser parte desse projeto, eu fiquei muito chocada, porque, no momento que eu queria desistir desse caminho, o Senhor Deus me mostrou um porquê. E eu valorizo muito isso, sabe? 

Com Ana Marcelin, o Sancor Maringá enfrenta o Osasco nesta quinta-feira, 5, às 19h, no Ginásio José Liberati, em Osasco, pela 16ª rodada da Superliga Feminina de Vôlei.

Pauta do Leitor

Aconteceu algo e quer compartilhar?
Envie para nós!

WhatsApp da Redação
Esportes

Palmeiras mostra bom futebol, goleia o Vitória e vence a primeira pelo Brasileirão


O Palmeiras conquistou a primeira vitória no Campeonato Brasileiro, nesta quarta-feira ao bater o Vitória por 5 a 1, na…


O Palmeiras conquistou a primeira vitória no Campeonato Brasileiro, nesta quarta-feira ao bater o Vitória por 5 a 1, na…

Esportes

Vojvoda ameniza vaias, pede Vila com mais ‘fogo’ e promete reação do Santos: ‘Vamos recuperar’


Cada dia mais ameaçado, Juan Pablo Vojvoda pediu uma trégua da torcida do Santos por uma reabilitação de imediato após…


Cada dia mais ameaçado, Juan Pablo Vojvoda pediu uma trégua da torcida do Santos por uma reabilitação de imediato após…

Esportes

Crespo muda o jogo, São Paulo busca empate pelo Brasileirão e amplia crise no Santos


Enquanto Juan Pablo Vojvoda se vê cada vez mais pressionado no comando do Santos, Hernán Crespo ganha fôlego no São…


Enquanto Juan Pablo Vojvoda se vê cada vez mais pressionado no comando do Santos, Hernán Crespo ganha fôlego no São…