Cuca fala sobre caso de estupro na Suíça em sua apresentação no Santos


Por Agência Estado

Cuca foi apresentado como novo técnico do Santos nesta sexta-feira, 20, em coletiva de imprensa realizada no CT Rei Pelé. O treinador de 62 anos falou sobre o caso de 1987, na Suíça, onde ele foi condenado, junto a outros atletas do Grêmio, pelo estupro de uma menina de 13 anos quando ainda jogava pela equipe gaúcha. Cuca teve sua pena anulada em 2024.

“Eu, desde 1987, quando era menino e jogava no Grêmio e teve esse episódio de assédio, dirigi diversas equipes e, na verdade, eu nunca dei a importância devida a esse tema, porque era um tema que ficou apagado por 30 e tantos anos. Eu sequer sabia que teve julgamento, sequer um advogado esteve, isso já foi falado um milhão de vezes”, explicou.

Em 2023, o treinador foi contratado pelo Corinthians, o que gerou uma grande repercussão negativa por parte da torcida. A passagem pela equipe do Parque São Jorge durou apenas dois jogos.

“Quando fui ao Corinthians, teve aquela enxurrada, tudo aquilo que aconteceu. Me reuni com minha família, minhas filhas, minha mulher, e falei: vamos resolver. Fomos atrás do problema no exterior, fizemos tudo que um ser humano pode fazer para reabrir o processo e não conseguimos mais do que tudo que foi feito, que foi a anulação, que foi paga uma indenização, que foi trazer para casa a dignidade de um homem, que, no caso, me machucou bastante”, completou.

Ainda sobre o episódio, o treinador Cuca ainda ressaltou sua posição de combater a violência contra a mulher e de lutar pela pauta.

“Eu entendo diferente hoje: a pessoa não quer saber do Cuca, do problema, quer saber da causa. Fui entender isso falando com pessoas, com mulheres. Elas querem saber o que o Cuca faz pela causa, e eu faço muita coisa, mas não sou de ficar falando, não coloco em rede social nenhuma o que faço. Eu me afastei do futebol um ano para poder resolver isso, gastei muito dinheiro para resolver. Hoje faço palestras, reuni Athletico, Coritiba, Paraná, bases, com o feminino junto, discutindo o tema. Eu promovi cursos, banquei de arbitragem feminina, para que tenha mais inclusão na arbitragem”, contou.

“Eu faço muita coisa por isso, porque entendo que hoje existem cinco vítimas mulheres por dia por feminicídio no Brasil. Tem 20 milhões de mulheres que sofrem algum tipo de abuso no mundo, e cabe aos homens, não só a mim, que estou aqui na frente do microfone, tenho obrigação de tentar me incluir neste processo e ajudar para que isso diminua, porque acabar é difícil. O que falo hoje, falo para muitos amigos meus: o que pudermos fazer para diminuir o feminicídio, temos que fazer”, finalizou.

A estreia do Cuca no comando do Santos acontece no próximo domingo, 22, às 16h (de Brasília), no Mineirão, válido pela oitava rodada do Brasileirão.

RELEMBRE O CASO
Em 1987, durante passagem do Grêmio pela Europa, Alex Stival, o Cuca, Henrique Arlindo Etges, Eduardo Hamester e Fernando Castoldi foram detidos, acusados de manter, sem consentimento, relações sexuais com uma menina de 13 anos na Suíça. O caso, que ficou conhecido como “Escândalo de Berna”, aconteceu em um hotel da cidade. A garota foi à porta do quarto dos jogadores para pedir autógrafos, quando foi levada para dentro do local e abusada.

A Justiça condenou Cuca e os demais pelo episódio. No entanto, já no Brasil, os condenados nunca cumpriram sua pena, e o crime prescreveu em 2004. Anos depois, em 2023, após sair do Corinthians sob protestos da torcida, Cuca contratou advogados e reabriu o processo. Alegando que o então jogador não teve, à época, um representante legal no julgamento, a defesa pediu que o caso fosse revisto. Como o crime já havia prescrito, determinou-se apenas que a pena de Cuca fosse anulada. Foi determinada, ainda, uma indenização de 13 mil francos suíços (R$ 75 mil) – atualizado para 9,5 mil francos suíços (R$ 54,8 mil) após cumprimento de despesas.

Apesar da extinção da sentença, não se tratou de uma mudança de veredito. Isso porque o mérito do caso não foi reavaliado pela Justiça da Suíça. Com a anulação de sentença e prescrição do processo, não poderá haver novo julgamento.

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