Duas Olimpíadas no currículo: Henrique Teixeira retorna ao Handebol Maringá após 19 anos
A equipe masculina do Handebol Maringá ganhou um reforço de peso para a temporada. O time anunciou a contratação do central Henrique Teixeira, que retorna a Maringá após 19 anos.
O maringaense de 37 anos, completados na sexta-feira, 27, voltará às atividades depois de um ano e meio sem jogar devido a uma lesão e regressa ao clube que o projetou ao cenário nacional e mundial. Teixeira defendeu o Maringá até 2007, quando rumou para o Taubaté ainda muito jovem. Depois de um longo período no interior de São Paulo, o handebolista passou 10 anos atuando na Europa, em clubes da Espanha e Romênia, grandes centros da modalidade.
Henrique também defendeu a Seleção Brasileira por quase duas décadas. Sua primeira convocação foi em 2006, ainda quando defendia o time juvenil do Maringá. Nos anos seguintes, se tornou figura importante do time brasileiro e conquistou duas medalhas em Jogos Pan-Americanos. Em 2011, o Brasil ficou com a prata nos Jogos de Guadalajara, no México, e conquistou o ouro em Toronto, no Canadá, em 2015. A final diante dos donos da casa foi vencida por 29 a 27, com quatro gols de Teixeira.

O maringaense ainda integrou a delegação brasileira nas Olimpíadas do Rio, em 2016, e de Tóquio, realizada em 2021. A carreira do maringaense pela Seleção também conta com a participação nos Mundiais de 2015, 2017, 2019 e 2021, no Sul-Centro Americano de 2020 e com os títulos do Campeonato Sul-Americano em 2014 e 2018. Ao todo, o central fez 74 jogos pela Seleção, com 104 gols.
Pela redes sociais, o atleta publicou um texto anunciando seu retorno ao “time do coração”, destacando Maringá como a “melhor escola de handebol do Brasil”.
—O Handebol brasileiro não nasceu ontem, nem a 30 anos atrás. Ele vem de um processo árduo de gente valente que se dispôs a difundir esse esporte maravilhoso em nossa terra. Um esporte honroso, honesto, bruto, de luta, de guerra. Um esporte admirável e pouco profissionalizado por aqui. […] Pensei que não ia voltar a encostar em uma bola de handebol. Tive uma lesão muito séria e não queria nunca mais. Mas o que te pertence de verdade, não te abandona. Estou aqui para dizer que vou participar do meu time de coração depois de um ano e meio sem jogar e 18 anos fora. O time que meu pai ajudou a fundar. O time que deu muitas alegrias para toda nossa cidade de Maringá. E o clube que revelou mais atletas para a Seleção Brasileira de Handebol. Talvez a melhor escola do Brasil.
A postagem rendeu comentários de grandes nomes do handebol brasileiro, como a também maringaense e atual goleira da Seleção Gabi Moreschi, Babi Arenhart, Arthur Pereira e Cesar Bombom.

Lesão afastou Teixeira por um ano e meio
No último trimestre de 2024, o maringaense sofreu uma lesão no músculo do peitoral enquanto atuava pelo Huesca, da Espanha. Henrique rompeu um tendão importante para os movimentos do handebol e precisou passar por cirurgia.
— Eu fui operado por um médico muito bom lá da Espanha. Ele disse que seria um risco eu voltar a jogar, que ia ser complicado, que eu não ia ter a mesma força que eu tinha para arremessar. E isso me fez refletir um pouco sobre a continuidade [da carreira] ou não — contou o jogador ao GMC Online.
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Teixeira seguiu na Espanha para concluir a recuperação, mas optou voltar a Maringá após o encerramento do contrato com o Huesca, no meio de 2025, e finalizou sua etapa profissional na Europa. Com alguns meses longe das quadras em sua cidade natal, o handebolista decidiu voltar a jogar.
Era o Maringá ou nada
Com renome, experiência e reconhecimento internacional, Henrique Teixeira foi alvo de diversos clubes brasileiros e europeus. Mas o maringaense já tinha definido: caso voltasse a jogar, seria pelo Maringá, para realizar um sonho de vida.
— Desde que eu saí de Maringá eu sempre tinha um desejo de encerrar minha carreira aqui, jogando meus últimos anos aqui. Só que quando eu tive a lesão e acabei parando de jogar, eu não queria ver uma bola de handebol. Eu estava muito saturado, muito sentido pela lesão, pela forma que tinha acabado a minha etapa. E nesse período de seis, sete meses eu consegui absorver bem tudo o que aconteceu e agora estou pronto e apto para voltar a jogar bem.

Teixeira, então, procurou a Associação Maringaense de Handebol e se colocou à disposição para contribuir com a equipe, dentro e fora das quadras. Sabendo da vontade de Henrique, o técnico Marlon Araújo “Biroto” acertou a volta do central, na expectativa dele ser um pilar para a renovação do time maringaense.
— Neste ano a gente tem um projeto de recuperação na equipe. Subir alguns jovens que fazem parte da equipe de base e trabalhar com os atletas que hoje residem mais em Maringá. Um trabalho de renovação. E o Henrique procurou a gente, a gente já tinha vontade de procurar ele, para ajudar nesse projeto. Até porque o Henrique é uma referência a nível nacional. Os jovens que chegarem vão ter a experiência de jogar com ele, vai ser incrível. Ele pode contribuir para esses jovens em termos não só de jogo, mas de amadurecimento, respeito, disciplina, complicidade. A gente está muito feliz pelo retorno do Teixeira — disse Biroto ao GMC Online.
Técnico da equipe masculina juvenil e da feminina adulta do Maringá, Biroto assumiu o masculino adulto após a saída de Abrão Marques, no fim do último ano. Biroto vai acumular as funções até que um novo comandante seja definido.
Nesta temporada, o Handebol Maringá vai disputar o Campeonato Paranaense, os Jogos Abertos do Paraná e a Liga Nacional.
— É uma temporada de readaptação, porque o Maringá perdeu muitos jogadores do ano passado para esse ano. Perdeu também uma importante quantidade de verba, de apoio estatal. A gente procura pelo menos brigar pelos títulos do Paraná e ver o que a gente pode fazer na Liga Nacional, que eu acredito que já está um pouco fora do alcance. Mas é brigar pelos títulos do Paraná. Como sempre, Maringá sempre foi um time a ser batido — declarou Teixeira.
‘Maringá é um dos maiores celeiros do handebol brasileiro’
“O clube que revelou mais atletas para a Seleção Brasileira de Handebol. Talvez a melhor escola do Brasil”. Foi assim que Teixeira destacou Maringá em sua publicação de anúncio do retorno.
Recentemente, jovens nomes como Luana Flores, Ryanne Gama, Isadora Ribeiro e Caroline Nery chegaram à Seleção pelas atuações no Maringá. Biroto é o atual técnico da Seleção Feminina Sub-20 e leva consigo outros membros de Maringá na comissão técnica. Nos últimos anos, Adriana “Doce” Cardoso e Gabi Moreschi brilharam pelo Brasil, entre muitos outros.

Alexandre, Tupan, Jair e Leonardo Bortolini fizeram parte das conquistas das medalhas de ouro nos Jogos Pan-Americanos em Santo Domingo 2003 e Rio de Janeiro 2007. Junto à Teixeira, Bortolini e Tupan, Valter Fassina, Rick e Uelington conquistaram o ouro no Pan de Guadalajara.
— O handebol em Maringá já tem mais de 50 anos. E vários atletas foram formados aqui com bastante trabalho de base, e muitos representaram a seleção brasileira. Eu acredito que Maringá seja um dos maiores celeiros do handebol. Junto com o Pinheiros, talvez. Em função de todo esse trabalho que foi feito durante as décadas. E o resultado é isso — afirmou Teixeira.
Henrique é filho de Dorivaldo e Roseli Teixeira, que também jogaram handebol e defenderam a cidade nos anos 1980. Além disso, Dorivaldo foi um dos fundadores da Associação. Apesar do longo e vitorioso histórico na cidade, Henrique acredita que o esporte não recebe o reconhecimento e o interesse devido, assim como ocorre no Brasil e no mundo de forma geral. Para ele, a falta de profissionalização da modalidade escancara as dificuldades.
— O handebol aqui no Brasil ainda é amador. Falta ainda muita divulgação. Eu mesmo, que sou daqui, por exemplo, não sabia quando o time jogava. Porque falta também um pouco de interesse social. As pessoas gostam muito de futebol. E o handebol precisa de apoio, tanto financeiro, que é importantíssimo para a roda andar, como a parte de marketing, de divulgação, de contratação, de gestão, enfim. Uma profissionalização como um todo para o handebol evoluir.
A trajetória do maringaense
Henrique Selicani Teixeira nasceu em 27 de fevereiro de 1989. Aos 11 anos de idade, começou a jogar handebol no Colégio Marista, recebendo a influência de seus pais. Hoje com 1,91m, Henrique se destacou pela grande estatura e técnica apurada, e foi convocado pela Associação. Com o rápido desenvolvimento, o maringaense chegou à Seleção Brasileira cadete em 2004 e à profissional em 2006.
Na última temporada pelo Maringá, em 2007, chegou ao quarto lugar da Liga Nacional, e foi contratado pelo Taubaté, onde jogou até 2015. De lá, iniciou a trajetória no handebol europeu, passando por Granollers-ESP, Huesca-ESP, CSM Bucaresti-ROM e Ciudad Encantada-ESP.
— Eu costumo dizer que eu nunca joguei nos melhores times do mundo, só que eu sempre fui importante nos times que eu joguei, eu fui o protagonista. E o melhor time que eu atuei, eu acredito que tenha sido o Granollers, da Espanha, que é onde a gente conseguiu o terceiro lugar na Liga Europa.
