Flamengo vai para 11º técnico em 6 anos e mantém ‘tradição’ de demissões entre títulos


Por Agência Estado

O Flamengo anunciou a demissão de Filipe Luís logo após a goleada por 8 a 0 sobre o Madureira, resultado que garantiu vaga na final do Campeonato Carioca. A decisão surpreendeu pelo timing – veio minutos depois da entrevista coletiva do treinador -, mas não pelo contexto. Pressionado por derrotas recentes e pelo desempenho irregular no início de 2026, o técnico se tornou o 11º nome a deixar o cargo nos últimos seis anos.

Desde 2019, quando iniciou o ciclo mais vitorioso de sua história recente, o Flamengo convive com uma alta rotatividade no banco de reservas. A lista inclui:

1º – Jorge Jesus (2019/2020);
2º – Domenec Torrent (2020);
3º – Rogério Ceni (2020/2021);
4º – Renato Gaúcho (2021);
5º – Paulo Sousa (2022);
6º – Dorival Júnior (2022);
7º – Vitor Pereira (2023);
8º – Jorge Sampaoli (2023);
9º – Tite (2023/2024);
10º – Filipe Luís (2024/2026).

O dado chama atenção porque o período coincide justamente com a fase mais vencedora do clube. O Flamengo acumulou títulos nacionais e continentais, mas manteve como “tradição” a troca frequente de treinadores – muitas vezes mesmo após conquistas importantes.

PRESSÃO PELOS RESULTADOS RECENTES
No caso de Filipe Luís, pesaram especialmente as derrotas nas decisões. O Flamengo perdeu a Recopa Sul-Americana para o Lanús, com dois tropeços (1 a 0 na Argentina e 3 a 2 no Maracanã), e também foi superado pelo Corinthians por 2 a 0 na Supercopa Rei, em Brasília.

Além dos vice-campeonatos, o desempenho geral preocupava. Em 15 partidas disputadas na temporada, o time soma sete derrotas – mais da metade das 11 sofridas ao longo de todo 2025. O número acendeu o alerta interno, principalmente diante do investimento elevado e da expectativa por manutenção da hegemonia recente.

Parte da explicação para o início irregular está no desgaste acumulado. O Flamengo foi campeão carioca, brasileiro e da Libertadores na última temporada e só encerrou o calendário em 17 de dezembro, quando ficou com o vice da Copa Intercontinental da Fifa ao perder nos pênaltis para o Paris Saint-Germain.

O elenco praticamente não teve pausa entre uma temporada e outra. O planejamento inicial previa a utilização do time sub-20 nas primeiras rodadas do Carioca, mas o desempenho abaixo do esperado dos jovens forçou a antecipação do retorno do grupo principal para evitar risco maior no Estadual.

Com o início do Brasileirão já em janeiro, o espaço para recuperação física e ajustes táticos foi mínimo.
Outro ponto que pesou foi a fragilidade defensiva apresentada neste início de ano, contrastando com a solidez que marcou o 2025 da equipe. Nesta temporada, o rubro-negro já sofreu 14 gols em 12 partidas, média superior a um por jogo. A equipe perdeu consistência nas coberturas e passou a conceder espaços que antes conseguia neutralizar.

No total, Filipe Luís deixa o cargo com seis vitórias, um empate e cinco derrotas em 2026 – números considerados insuficientes para um elenco tratado como o mais forte da América do Sul.

A saída do treinador reforça um paradoxo: mesmo empilhando títulos desde 2019, o Flamengo não conseguiu estabelecer um ciclo longo com um mesmo técnico. O clube alterna picos de desempenho com rupturas abruptas, mantendo a cultura de decisões rápidas diante de qualquer sinal de queda. Agora, a diretoria inicia a busca pelo 11º técnico em seis anos.

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