Justiça considera intervenção no Corinthians após identificar ‘inconsistência de receitas’
A Justiça de São Paulo avisou ao Corinthians, em decisão proferida na noite de quarta-feira, 25, que pode recorrer à intervenção judicial no clube caso identifique novas “inconsistências de receitas” nas documentações entregues pela diretoria no âmbito do Regime de Centralização de Execuções (RCE). Segundo perícia anexada ao processo para validar o plano de pagamento de dívidas, o clube deixou de declarar aproximadamente R$ 150 milhões de suas receitas nos documentos direcionados ao RCE.
“Advirto, desde já, que a resistência no fornecimento de documentos e a apresentação de declarações de receitas inconsistentes acarretarão a nomeação de observador judicial ou interventor judicial, para garantir a efetividade e a lisura deste processo”, diz a decisão.
O Corinthians protocolou petição ao processo, na terça-feira, 24, com detalhes sobre a composição das receitas em questão e entende que está sendo “transparente” com a Justiça. “Assim, verifica-se que os esclarecimentos já haviam sido prestados e juntados aos autos em data anterior à decisão proferida em 25 de março de 2026, circunstância que será oportunamente levada ao conhecimento do Juízo por meio de nova manifestação formal”, afirma o clube em nota oficial.
O RCE é um mecanismo jurídico adotado pelo Corinthians para organizar e parcelar cerca de R$ 200 milhões em dívidas cíveis e trabalhistas, concentrando processos em uma única vara judicial. Ele evita bloqueios de contas bancárias, permitindo pagar credores de forma ordenada com receitas do clube, visando reestruturação financeira.
Credores como a Link, agência do empresário André Cury, e a Pix Star, detentora da marca Pixbet – ex-patrocinadora do Corinthians -, pediram a impugnação do plano. A alegação é de “omissões graves de créditos certificados, divergência entre os valores da lista e os efetivamente executados nos juízos de origem, falta de destaque de honorários advocatícios e questionamentos sobre a base de faturamento do Clube.”
De acordo com a análise da perícia, realizada pela Laspro Consultores, o Corinthians declarou um total de R$ 64.202.368,75 ao RCE nas receitas referentes a fevereiro de 2026. Em contrapartida, a análise indicou que o clube arrecadou de R$ 213.414.738,29 no período analisado. A diferença nos números é de R$ 149.212.369,37.
Ainda de acordo com o perito, a variação ocorreu porque o Corinthians deixou de levar em consideração os valores referentes a “operações financeiras” (R$ 76.878.105,68), “transferência” (R$ 65.508.053,90) e “negociação de atleta” (R$ 6.826.209,79).
O perito pediu explicações sobre diferença nos valores e determinou que o clube disponibilize os recursos decorrentes de operações de venda de jogadores para a realização de leilão reverso. Observando-se que se ausência do valor não for comprovada, o clube terá de completar o valor que deveria ter sido pago em fevereiro de 2026 no período seguinte.
VEJA A NOTA DO CORINTHIANS NA ÍNTEGRA:
O Sport Club Corinthians Paulista informa que, no âmbito do Regime Centralizado de Execuções (Processo nº 1189761-87.2024.8.26.0100), foi proferida, em 25 de março de 2026 (às 17h57min), decisão judicial que, dentre outros pontos, determinou a intimação do Clube para prestar esclarecimentos acerca de supostas inconsistências relacionadas à declaração de receitas do mês de fevereiro de 2026, com advertência quanto à eventual nomeação de observador judicial ou interventor em caso de resistência ou inconsistências persistentes.
Contudo, é importante esclarecer que, em momento anterior à referida decisão, o Clube já havia apresentado, tempestiva e formalmente e nos autos do processo, todos os esclarecimentos solicitados pela Administração Judicial.
Com efeito, no dia 24 de março de 2026, às 21h41min, o Sport Club Corinthians Paulista protocolou petição nos autos (fls. 10.332/10.339), detalhando a composição das receitas apontadas e esclarecendo, de maneira técnica e fundamentada, as divergências identificadas, incluindo, entre outros pontos, a distinção entre receitas operacionais e não operacionais, movimentações internas entre contas, operações financeiras, antecipações de recebíveis e receitas provenientes de negociação de atletas.
Antes mesmo do protocolo da referida manifestação, o Clube também realizou reunião com a Administração Judicial, oportunidade em que foram prestados esclarecimentos adicionais e reforçado o compromisso com a transparência e a cooperação no âmbito do Regime Centralizado de Execuções.
Assim, verifica-se que os esclarecimentos já haviam sido prestados e juntados aos autos em data anterior à decisão proferida em 25 de março de 2026, circunstância que será oportunamente levada ao conhecimento do Juízo por meio de nova manifestação formal.
O Sport Club Corinthians Paulista reafirma que sempre atuou de forma diligente, transparente e colaborativa no âmbito do Regime Centralizado de Execuções, mantendo diálogo constante com a Administração Judicial e fornecendo toda a documentação necessária sempre que solicitado.
O clube lamenta o desencontro de informações e repudia o alarmismo e a campanha de descrédito promovida por influenciadores digitais que desconsideram a seriedade e a relevância de um trabalho fundamental para a reestruturação financeira da instituição, prejudicando a comunicação correta entre instituição e torcida.
O Corinthians reitera, ainda, que permanece à inteira disposição do Juízo, da Administração Judicial e dos demais interessados para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais que eventualmente se façam necessários, reafirmando seu compromisso com a regularidade, transparência e efetividade do processo.
