Messi, escândalo na AFA e pressão da torcida: Argentina vive crise às vésperas da Copa do Mundo


Por Agência Estado

A Argentina, atual campeã do mundo, chega ao ciclo final antes da próxima Copa cercada por instabilidade. O que deveria ser um período de consolidação virou um cenário de questionamentos públicos, tensão institucional e pressão crescente da torcida.

Nesta terça-feira, 31, após a goleada por 5 a 1 sobre a Zâmbia, o ambiente ficou ainda mais carregado. Um torcedor chegou a interromper a coletiva do técnico Lionel Scaloni para reclamar do nível dos amistosos escolhidos pela seleção. Paralelamente, declarações internas e dúvidas sobre Lionel Messi aumentaram a sensação de crise.

O próprio Scaloni, durante a última semana, evitou garantir a presença do camisa 10 na Copa, o que gerou repercussão imediata no país. A cautela do treinador abriu margem para especulações sobre o futuro do principal jogador da geração campeã em 2022.

JOGADORES PEDEM UNIÃO EM MEIO AO CAOS
Diante do cenário conturbado, o volante Rodrigo De Paul tentou reduzir o clima de tensão e pediu que o foco volte ao futebol. Em entrevista ao jornal Olé, o meio-campista reforçou que o grupo não deve ser envolvido em disputas externas.

“Que as pessoas entendam. Porque, bom, no final, às vezes é um país que, em vez de se unir, muitas vezes destrói ou gera polêmicas, que fique claro que nós somos jogadores de futebol. E viemos para jogar futebol. Gosto que nos julguem pelo que fazemos dentro de campo e é simplesmente isso. Acho que sempre vamos tentar defender a camisa da seleção argentina. No lugar que lutamos tanto para conquistar (…) Nós viemos para jogar futebol e defender o país da forma que sabemos fazer, que é dentro de campo”, afirmou.

O volante ainda reforçou a necessidade de união nacional para a defesa do título mundial. “Gostamos de ser julgados pelo que fazemos em campo. Não devemos espalhar desinformação; a Copa do Mundo está chegando e precisamos estar unidos. Não é justo que agora estejam tentando dividir tudo o que foi construído. Não é fácil vencer, vencer duas vezes mais; se quisermos defender o que conquistamos, todo o país precisa estar unido”, disse.

Dentro de campo, o desempenho recente também não tem convencido. Após uma vitória apertada sobre a Mauritânia, o goleiro Dibu Martínez fez críticas públicas à atuação da equipe, aumentando o clima de cobrança interna.

“Para ser sincero, foi bem fraco. Foi uma das piores partidas que já fizemos em amistosos. Faltou intensidade, faltou jogo, faltou velocidade. É algo que precisamos analisar, e quando vestirmos a camisa da seleção, temos que jogar muito melhor”, disse Dibu na ocasião.

“Eu tento estar presente quando sou chamado, e eles nos pressionaram demais. Vencemos, não conhecíamos muito bem o adversário, e eles jogaram como se suas vidas dependessem disso. Precisamos mostrar um pouco mais de garra”, completou.

AFA NO CENTRO DE INVESTIGAÇÃO
Fora das quatro linhas, a crise institucional agrava o cenário. A Associação de Futebol da Argentina (AFA) enfrenta uma investigação judicial envolvendo seu presidente, Claudio Tapia, e outros dirigentes.

A entidade foi acusada por um órgão de arrecadação do país de irregularidades no recolhimento de impostos e contribuições sociais. As suspeitas envolvem retenções indevidas de valores que ultrapassariam bilhões de pesos argentinos. Como consequência, houve determinação judicial de bloqueio de bens e a convocação dos dirigentes para prestar depoimento.

Em meio ao processo, a AFA decidiu interromper todas as competições nacionais por alguns dias, em uma medida aprovada pela maioria dos clubes como forma de protesto contra a denúncia. Apenas o Estudiantes votou contra a paralisação.

A entidade nega qualquer irregularidade e atribui o caso a um contexto de pressão política. O tema se insere em um embate maior com o governo argentino, que defende mudanças no modelo de gestão dos clubes, propondo a transformação em sociedades esportivas – algo rejeitado pela AFA e pela maioria das equipes.

Além disso, a federação é alvo de outra investigação, desta vez relacionada a possíveis operações financeiras suspeitas, que já motivaram ações de busca e apreensão.

Com dúvidas sobre Messi, críticas ao desempenho e uma crise institucional em curso, a Argentina entra em um período decisivo cercada de incertezas. A seleção que conquistou o mundo em 2022 agora precisa lidar com pressões externas e internas enquanto tenta manter o foco em campo a poucos meses da Copa.

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