Novo inquérito do MP apura gestão temerária de Casares e busca responsáveis por alta dívida
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu um novo inquérito para apurar gestão temerária de Julio Casares e entender a origem da dívida bilionária do São Paulo. Diferentemente da outra investigação em curso sobre irregularidades no clube, remetida à Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores, a nova apuração é na esfera civil e corre na Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social.
A defesa do São Paulo alega regularidade nas movimentações financeiras do clube e elabora um laudo que será apresentado às autoridades. Julio Casares também garante que o dinheiro depositado em sua conta, alvo de apuração das autoridades, tem lastro e será detalhado.
A gestão temerária é caracterizada a partir de atos de dilapidação patrimonial, quando bens são comprometidos de forma irresponsável ou fraudulenta, e do desvio de finalidade na condução da entidade, o que inclui o favorecimento de terceiros e familiares de dirigentes.
“Busca-se, ainda, apurar se essas medidas administrativas tiveram efeitos sobre direitos coletivos de relevante interesse público e social, envolveram o uso de recursos públicos ou benefícios fiscais e observaram os princípios constitucionais, bem como as formalidades legais e regulamentares aplicáveis, podendo, caso confirmadas, ser objeto de eventual análise quanto à responsabilização civil solidária dos dirigentes envolvidos”, explica a portaria publicada pelo MP.
O documento também determina que Casares e dirigentes sejam oficiados para o fornecimento de informações necessárias à investigação. O São Paulo já forneceu informações preliminares ao MP, conforme exposto na portaria.
Ao presidente são-paulino, foram solicitadas informações sobre todas as contas do clube nos últimos cinco anos; eventual auditoria externa independente; fluxo de caixa; participação de terceiros ou de familiares em contratos de transferência e vendas de atletas da base; comercialização de camarotes no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, em dias de realização de shows; esclarecimentos sobre orçamentos não executados conforme o planejamento aprovado e demonstrações contábeis regularmente aprovadas.
Nomes como Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do clube, e Carlos Belmonte, ex-diretor de futebol, também foram oficiados, assim como familiares de Casares, caso de sua ex-mulher, Mara, e de seu filho. Todos os citados têm 30 dias, contados a partir do dia 7, quando o inquérito foi aberto, para prestar os esclarecimentos.
