
Maringá abriga um dos melhores jogadores de handebol em cadeira de rodas do mundo. Aos 32 anos, o paratleta Guilherme Alves Lourenço carrega no currículo títulos nacionais, conquistas internacionais e o prêmio máximo individual da modalidade: o de Jogador Mais Valioso (Most Valuable Player ou MVP) do Campeonato Mundial.
Natural do Rio Grande do Sul, Guilherme teve a vida transformada aos 18 anos, após um grave acidente de moto, em 2012. Internado por 89 dias, ele precisou amputar a perna esquerda em decorrência de uma infecção hospitalar. O impacto da notícia foi imediato, mas decisivo. Ainda no quarto do hospital, Guilherme fez uma escolha que mudaria sua história.
“Ou eu ia ser sempre a vítima, me lamentar pelo resto da vida, ou eu ia olhar o copo meio cheio e usar aquilo a meu favor”, relembra. Foi no esporte que ele encontrou o impulso para se reconstruir, física e emocionalmente. O primeiro contato veio com o basquete em cadeira de rodas, em uma associação de Balneário Camboriú, cidade vizinha a Itapema (SC), onde morava na época. O que começou como reabilitação logo se transformou em aprendizado e pertencimento para o paratleta.
“Ali foi uma grande escola. Aprendi muito mais do que jogar. Aprendi coisas do dia a dia, com atletas que já viviam com deficiência há anos”, conta. Em dois anos, Guilherme conquistou títulos expressivos, como o Parajasc e o Campeonato Catarinense. O talento abriu portas: primeiro em Curitiba, onde foi campeão do Parajaps, e depois em Maringá, para onde se mudou em 2017 após receber o convite para integrar um projeto ambicioso de alto rendimento. Foi na cidade que ele teve o primeiro contato com o handebol em cadeira de rodas, modalidade na qual se tornaria referência mundial.
Há nove anos defendendo a equipe Kings, Guilherme soma múltiplos títulos brasileiros, finais nacionais no basquete e uma trajetória consolidada no esporte paralímpico nas duas modalidades. O auge veio em 2022, quando o paratleta foi eleito MVP do Campeonato Mundial de Handebol em Cadeira de Rodas, além de conquistar o título com a Seleção Brasileira e em 2024, ele também estava presente em quadra quando o Brasil ficou em terceiro lugar. “Vestir a camisa da seleção, ouvir o hino antes do jogo… Passa um filme na cabeça. É uma sensação que a gente nunca imagina viver. Poder estar representando o teu país, alcançar uma seleção é algo muito bom na vida de um atleta”, emociona-se. E as conquistas mais recentes reforçam a grande fase: em 2025 Guilherme foi campeão brasileiro de handebol, artilheiro e atleta destaque da competição. E para 2026, a expectativa é de mais títulos: “É ano de mundial de handebol, e tem o nacional de basquete também”, ele avisa.
Mas o paratleta ainda enfrenta um desafio fora das quadras: a falta de visibilidade. “Temos um dos melhores jogadores do mundo aqui em Maringá, no Paraná, no Brasil, e pouquíssima gente sabe”, destaca um vídeo-manifesto que circula nas redes sociais, pedindo apoio de marcas, imprensa e patrocinadores. Guilherme Lourenço e os demais atletas da equipe maringaense seguem em busca de novos títulos — e de algo igualmente importante: reconhecimento.