Rui Costa explica demissão de Crespo: ‘Após análise, entendemos que era necessária a mudança’
Rui Costa definiu a demissão de Hernán Crespo no São Paulo como algo coerente após uma avaliação do trabalho desempenhado neste começo de ano. Na visão do executivo de futebol tricolor, a diretoria concluiu que o clube não renderia em caso de manutenção e que a mudança de rota se fez necessário antes de a situação ficar insustentável.
O dirigente explicou na coletiva de apresentação de Roger Machado que falou cara a cara para Crespo os motivos da dispensa. E discordou de muitas versões que foram noticiadas nos últimos dias.
“Poderia atender a demanda de todos vocês e elencar alguns motivos, mas somente os verdadeiros. Seria fácil que a gente tomasse essa decisão, usual, em momento que acontece o pior, mas como gestor que sou, optei por decisão de coerência e convicção. (A diretoria) Entendia que era necessária a mudança. E poderia ser mais fácil, com uma preservação profissional, esperar as coisas acontecerem. Aguardar que os resultados fossem insustentáveis para fazer uma demissão natural”, admitiu.
O São Paulo amargou alguns resultados ruins no ano que já poderiam ter antecipado a segunda passagem de Crespo pelo clube – chegou em julho de 2025. Mas, na visão de Rui Costa, seria um desrespeito ao profissional antes do fim de uma competição.
“Em outros ocasiões (que podíamos optar pela saída) não fomos oportunistas, pois havia a necessidade de dar tempo para ampliar a margem de avaliação. E 2025 é um ano atípico, começamos com sucessão de jogos e com risco de rebaixamento no Paulistão. A única janela avaliar tudo foi após a dolorida e pesada eliminação diante de um rival e pensamos onde queremos chegar”, explicou.
“Disse isso pessoalmente a ele, que decidimos com diagnóstico com o presidente, que era necessária a troca. Esse foi o cenário da tomada de decisão. Não podemos esperar que o pior aconteça e a dispensa seja irreversível, para que seja uma saída defensável”, seguiu, em discurso semelhante ao da direção do Flamengo para explicar a queda de Filipe Luís.
Rui Costa ainda explicou sobre a notícia da saída ter vindo apenas oito dias após a queda no Campeonato Paulista. “Vou explicar no ponto de vista de quem conviveu nove meses (com Crespo). Não é tão fácil, tem um ser humano, um profissional do outro lado. Tomadas não são emocionais, são bem pensadas e nessa semana após o término (da campanha no Estadual), tivemos dias de folga, retomamos o treinamento e (a troca) foi decidida em processo de analise, de como voltamos, o estado anímico também passou por avaliação”, disse. “Na segunda-feira (pós 2 a 1 para o Palmeiras) seria mais fácil, embora nenhum desligamento é fácil. A gente teve a dignidade da altura da honra que ele tem quando eu o comuniquei.”
Responsável por indicar o amigo Roger Machado, ao lado do ex-jogador Rafinha, Rui Costa acabou dando uma diminuída em Crespo, sem querer. “Fomos muito mais que entusiastas, falamos o nome dele ao presidente. Rafinha conhece como poucos, sabe o processo de treinamento e o que significa essa mudança. Tive a oportunidade em outros contextos, de trabalhar com grandes treinadores. Pelo menos dois que foram de seleção brasileira e aqui do meu lado está um dos grandes. O São Paulo precisa de grandes, por isso indicamos a necessidade de mudança, com alguém do nível do Roger.”
