Uefa exige arbitragem dando segurança a jogadores, combatendo exageros e VAR só para correções


Por Agência Estado

Questionada nos quatro cantos do planeta por causa do absurdo crescimento de erros apresentados nos jogos, a arbitragem mundial vem sendo cobrada à exaustão por profissionalismo. Vitrine do futebol, a Europa quer servir de espelho para correções e aperfeiçoamentos e fez uma lista do que espera, cobrando proteção a jogadores (coibir entradas duras), combate aos exageros e utilização do VAR somente para correção de erros.

As normas definidas em reunião na sede da Uefa serão colocadas à prova já a partir dos playoffs da Champions League neste meio de semana. Os árbitros, além de estarem em constante avaliação, terão reconhecimento de seu trabalho e os melhores receberão premiações. Eles passaram por uma semana preparatória e esperam mostrar em campo o que aprenderam.

Diretor de arbitragem da Uefa, Roberto Rosetti passou uma firme mensagem na qual a segurança do atleta será a prioridade em campo. “Continuaremos a ser rigorosos. O foco é sempre proteger os jogadores.”

Para isso, um estudo foi feito sobre onde ocorrem as entradas mais desleais. “Nosso departamento de arbitragem analisou todos os cartões vermelhos relacionados a faltas graves em nossas competições masculinas de clubes nesta temporada, identificando tendências claras que exigem que os árbitros permaneçam atentos”, explicou.

“Notavelmente, metade de todos os lances graves de jogo sujo ocorrem em uma zona específica do campo, perto das áreas técnicas, onde a emoção e a proximidade com a comissão técnica podem levar a entradas mais violentas. Uma parcela significativa de entradas violentas também surge de situações como perda de controle da bola, bolas quicando e disputas de bola dividida, momentos em que os jogadores instintivamente se esticam e correm o risco de colocar um adversário em perigo”, detalhou.

A entidade reforça que apenas os capitães têm acesso á comunicação com os árbitros e não medirá esforços para extinguir/reduzir os exageros em campo, em claro combate à simulação. No jogo entre Botafogo e Flamengo no Carioca, sábado, o árbitro foi bastante cobrado por não anotar um empurrão na origem do lance do gol de Lucas Paquetá e, logo depois, anotar falta em lance idêntico.

“O que vemos na televisão nem sempre é o que o árbitro vê em campo”, disse Rosetti, admitindo que ângulos, proximidade e velocidade afetam a percepção. “A mensagem para os árbitros é que permaneçam vigilantes, mas justos e que saibam distinguir faltas genuínas de reações exageradas destinadas a enganar.”

Nesses casos o VAR poderia ser utilizado, mas o chefe de arbitragem quer que a ajuda tecnológica seja utilizada apenas em último caso e para corrigir equívocos. “Precisamos lembrar por que o VAR foi introduzido e criado para corrigir erros. A tecnologia é excelente para decisões objetivas, como impedimentos, mas para julgamentos subjetivos, precisamos ser cautelosos, porque quando revisamos pequenos detalhes, estamos tornando o jogo mais lento.”

Por fim, a Uefa tenta ajustar as faltas por mão na bola. E instruiu seus árbitros para avaliar alguns quesitos. São eles: a atitude e a intenção do jogador, verificar se os braços estão em posição natural, especialmente ao cair ou recuperar o equilíbrio e contato após um desafio físico, onde desvios podem ser inevitáveis. “Os árbitros europeus precisam falar a mesma língua técnica para garantir decisões consistentes em todos os continentes.”

Usando a mão na bola como exemplo, o diretor explicou que as diferentes interpretações entre as ligas “criam confusão” para jogadores, treinadores e torcedores. “Por isso, nosso departamento de arbitragem mantém um diálogo constante com as federações nacionais, trabalhando em conjunto para aprimorar as diretrizes e reforçar uma interpretação unificada em todo o continente.”

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