Uefa rejeita recurso do Benfica e mantém Prestianni suspenso para jogo contra o Real Madrid
A Uefa confirmou nesta quarta-feira, que rejeitou o recurso apresentado pelo Benfica contra a suspensão do meia Gianluca Prestianni da partida de volta contra o Real Madrid, no Santiago Bernabéu, em Madri, em confronto válido pelos playoffs das oitavas de final da Champions League. O jogador argentino foi acusado por Vinicius Junior de tê-lo ofendido com um insulto racista no jogo de ida, em Lisboa, vencido pelo time espanhol, por 1 a 0, com gol do brasileiro.
“Decisão do Órgão de Recurso da UEFA (AB) relativa à suspensão provisória do jogador do SL Benfica Gianluca Prestianni. O AB tomou hoje a seguinte decisão: O recurso interposto pelo SL Benfica é indeferido. Consequentemente, a decisão do Órgão de Controle, Ética e Disciplina da UEFA de 23 de fevereiro de 2026 é confirmada. Gianluca Prestianni continua suspenso provisoriamente para o próximo jogo da competição de clubes da UEFA para o qual seria elegível”, informou a Uefa.
Prestianni foi suspenso provisoriamente na segunda-feira, 23, com base em um pedido do Inspetor de Ética e Disciplina nomeado pela Uefa para investigar o caso, que realizou um relatório provisório sobre o tema. Prestianni teria violado Artigo 14 do Regulamento Disciplinar da Uefa, relacionado à comportamento discriminatório.
O artigo 14 estabelece suspensão mínima de dez partidas – ou penalidade equivalente – para qualquer indivíduo ou entidade que atente contra a dignidade humana por razões como cor da pele, origem, religião, gênero ou orientação sexual, desde que o ato seja devidamente comprovado.
Nesta terça-feira, o presidente do Benfica, Rui Costa, se manifestou contra a punição. “Não estou em campo para saber o que foi dito ou não dito. Numa situação daquelas, muita coisa é dita. O que acreditamos é na palavra do nosso jogador; mais do que isso, é saber os jogadores que temos em casa. O Prestianni foi classificado como racista, mas é tudo menos racista. Posso garantir”, comentou.
O incidente aconteceu no início do segundo tempo da partida da última quarta-feira. Vini Jr. marcou um lindo gol, aos cinco minutos, e levou amarelo por comemorar dançando em frente à torcida do Benfica. Jogadores de ambas as equipes começaram a discutir e o brasileiro se dirigiu até o árbitro francês François Letexier e para denunciar que havia sido chamado de “macaco” por Prestianni. O meia teria feito a ofensa racista escondendo a boca com a camisa.
O árbitro adotou o protocolo antirracismo, fazendo um sinal de “X” com as mãos e a partida ficou paralisada por cerca de dez minutos antes de ser reiniciada. O francês Kylian Mbappé, companheiro de Vini no Real, foi um dos mais revoltados. O brasileiro passou a ser vaiado a cada toque na bola.
No dia seguinte ao caso, a Uefa anunciou a abertura de um procedimento disciplinar para investigar os acontecimentos. O relatório oficial elaborado pelo delegado da partida, documento que registra a ativação do protocolo antirracismo foi analisado pela entidade. O Real Madrid se pronunciou em defesa de Vini Jr. e informou que “entregou provas” à Uefa. O Benfica, por sua vez, reforçou a posição de Prestianni, que nega ter realizado qualquer tipo de ofensa racista ao brasileiro.
Como venceu por 1 a 0 o confronto de ida, o Real Madrid pode até empatar com o Benfica que avança às oitavas de Champions League.
