31 de março de 2025

Yuri Alberto sobe degraus e vira ídolo do Corinthians após título do Paulistão


Por Agência Estado Publicado 28/03/2025 às 00h12
Ouvir: 05:44
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Foto: Instagram

Yuri Alberto chegou a virar piada nas redes sociais quando viveu seus piores momentos no Corinthians. Gols perdidos, erros de domínio, dificuldade para fazer o pivô. O jogador de 24 anos não se encontrava como centroavante. Depois que parou de jogar de costas para o gol e passou a formar uma dupla de ataque com Memphis Depay sob o comando de Ramón Díaz, retomou a confiança a ponto de se tornar o “protagonista que o Time do Povo precisa”, como disse o narrador Paulo Andrade.

Na conquista do título do Paulistão, alcançada nesta quinta-feira diante do Palmeiras, ele foi um dos protagonistas, até porque marcou o gol da vitória por 1 a 0 no Allianz Parque. Com a vontade demonstrada dentro de campo e a identificação construída junto à torcida corintiana, sobe degraus agora que é campeão pelo clube e entra no panteão dos ídolos do time do Parque São Jorge.

Até chegar ao ápice de erguer uma taça com triunfo sobre o maior rival, Yuri passou por altos e baixos com a camisa alvinegra. A história começou bem, quando ele chegou no meio de 2022, vindo do Zenit, para formar dupla de sucesso com Róger Guedes e terminar o ano com 11 gols em 28 jogos.

A princípio, o contrato era de empréstimo, mas as boas atuações fizeram a diretoria comprar o atacante junto ao clube da Rússia, em negociação que gerou desconfiança na época. Para concretizar o negócio e assinar com Yuri até 2027, a diretoria, então comandada por Duílio Monteiro Alves, cedeu o promissor zagueiro Robert Renan e o volante Du Queiroz ao Zenit, além de dar aos russos a preferência na compra da promessa Pedro, o que mais tarde se concretizou.

Em 2023, sua primeira temporada completa pelo clube, Yuri Alberto teve de lidar com muitas críticas, pois não conseguiu mostrar o futebol esperado após ser adquirido de forma definitiva. Participou de 24 gols, com 15 bolas na rede e nove assistências em 64 jogos, mas os gols perdidos foram mais lembrados ao fim da temporada, na qual o time terminou no modesto 13º lugar do Brasileirão.

O atacante começou 2024 questionado pela torcida e sendo chamado de “burro” pelo então treinador Mano Menezes, em episódio que o incomodou bastante. Entre uma temporada e outra, viveu um jejum de dez jogos sem marcar, quebrado no dia 12 de fevereiro, quando marcou o gol da vitória corintiana sobre a Portuguesa, no Paulistão, e desabafou: “Foram momentos difíceis que passei, de muita perseguição e humilhação”, comentou na ocasião.

Ali, começava a redenção do jogador, porém o caminho teve mais momentos árduos. O Corinthians não conseguiu sequer se classificar para as quartas de final do Paulistão e correu o risco de não conseguir vaga na Copa do Brasil do ano seguinte. Ao longo do Brasileirão, brigou para não cair por boa parte do campeonato, até iniciar uma reação incrível na reta final, durante a qual Yuri foi potencializado com a mudança de posição e a chegada de reforços como Memphis Depay e André Carrillo.

Além dos companheiros ao seu lado e a percepção de Ramón Díaz, o atacante se reconstruiu a partir do apoio psicológico profissional que optou por buscar para lidar com a falta de confiança. Sob os cuidados da psicóloga Rosana Costa, que atende outros jogadores, como Raphael Veiga, Yuri melhorou em campo e passou a falar bastante sobre a importância de atletas cuidarem da saúde mental, tema que é historicamente negligenciado no meio do futebol.

“Essas grandes conquistas emocionais dos atletas favorecem para mudar esse cenário, mas a gente precisa de mais atletas falando, mais atletas se transformando emocionalmente e levantando a bandeira para vencer o preconceito”, disse Rosana Costa em entrevista recente ao Estadão.

“Geralmente eles chegam infelizes por não estar tendo uma boa performance, e aí você vai olhar, eles já perderam a característica de jogo porque tinham uma característica que se destacou ali na base, mas chega no profissional e tem de se adequar ao treinador. Aí vem um treinador, vêm dois, vêm três, vêm quatro, e ela fica sempre tentando se adequar a cada treinador. Quem sou eu? O que eu gosto de fazer? Quais são as minhas potencialidades? Isso é uma coisa para se refletir.”

Yuri Alberto encerrou 2024 como artilheiro do Brasil, com 31 gols em 57 jogos, além de sete assistências, e manteve a boa fase em 2025. Decisivo, marcou em clássicos com Santos e Palmeiras, e só não fez o São Paulo de vítima.

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