Aberta a Semana de Conscientização do Autismo de Maringá

O Transtorno de Espectro Autista é um desafio para as famílias, poder público e para a sociedade. Desafios que estão em debate na Semana de Conscientização do Autismo de Maringá, que começou nesta segunda-feira, 31. A abertura oficial foi nesta terça-feira, 1, no Teatro Calil Haddad.
A palestrante Francielle Pinheiro, neuropsicopedagoga e analista de comportamento, falou sobre a importância de um trabalho integrado entre famílias, clínicas e escolas para o desenvolvimento da criança e do adolescente com autismo.
“Muitas vezes, há abordagens distintas na clínica, na escola e em outros ambientes. Por isso, o evento é uma oportunidade para compartilharmos estratégias que unifiquem a abordagem de estímulo às crianças com autismo, incluindo as famílias nesse processo”, diz.
A Secretaria da Criança e do Adolescente está fazendo um diagnóstico do autismo aqui na cidade por meio do mapeamento da pessoa com deficiência. Segundo a Secretária Carmen Inocente, enquanto busca aprimorar as estatísticas, a Secretaria conhece modelos de sucesso no atendimento a autistas em outras cidades e estados.
“Eu já visitei vários serviços públicos, privados e conveniados em Maringá e em outros municípios. Inclusive, nós estivemos em Santa Catarina visitando um serviço de excelência para que nós possamos nos nortear. São serviços modelo e através desse norte é que nós poderemos tomar algum tipo de decisão”, explica.
Desafio na educação
O maior desafio, no entanto, está na rede municipal de ensino. Os pais exigem o cumprimento da lei que garante professores de apoio em sala de aula. Em Maringá, são mais de mil alunos com algum grau de TEA. O secretário de Educação, Fernando Brambila, diz que é preciso validar com a sociedade as melhores políticas públicas para atender esses alunos.
“Será que o nosso aluno de suporte 1, dependendo do grau de desenvolvimento dele, tem a necessidade de, a todo momento em que está na unidade escolar, ter um professor de apoio só para ele? Precisamos discutir e avaliar caso a caso”, diz.
Na cerimônia de abertura da semana, o prefeito Silvio Barros disse que muitos professores de apoio estão pedindo demissão. Por isso, a contratação de novos profissionais está sendo mais rigorosa.
“Quando um professor de apoio pede demissão, o processo para contratar um novo demora cerca de oito meses, o que prejudica as crianças. Por isso, estamos adotando cuidados extras ao contratar novos professores, garantindo que eles saibam exatamente o que se espera deles e que estejam preparados para o trabalho”, diz.
A demanda por serviços públicos especializados é grande também na saúde. A clínica do Autista de Maringá, por exemplo, atende 200 crianças e tem 600 na lista de espera.