Atualização do IPTU em Maringá busca equilíbrio fiscal diante da reforma tributária, diz prefeito; veja os 10 impostos mais caros


Por Redação GMC Online

O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de Maringá passou, no último ano, por uma atualização. O desconto sobre o valor venal dos imóveis, que não é reavaliado há mais de 20 anos, foi mantido, mas em menor percentual. Segundo o prefeito Silvio Barros, no entanto, a medida não foi tomada de forma isolada nem por conveniência política, mas como parte de uma estratégia necessária para garantir a sustentabilidade financeira do município nas próximas décadas.

Serão lançados pouco mais de 203 mil carnês de IPTU em Maringá. Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

O prefeito ressalta que Maringá está entre as cidades que mais perderão arrecadação com a reforma tributária em curso no País. De acordo com ele, estudos realizados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pela Fundação Dom Cabral, em conjunto com a equipe técnica da prefeitura, apontam que o município pode perder entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões por ano com o novo modelo de distribuição de receitas.

A reforma tributária prevê um período de transição até 2026. Durante esse intervalo, será calculada a média de arrecadação dos últimos cinco anos de cada município. “Esse valor servirá como base mínima de repasse do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) pelos próximos 50 anos. Ou seja, as decisões tomadas agora terão impacto direto na receita da cidade por meio século. Não pensamos a cidade só para a agora, pensamos para um futuro equilibrado e próspero que Maringá merece com a retomada da capacidade de investimento”, explica.

Nesse contexto, o prefeito afirma que era necessário recompor a arrecadação municipal imediatamente, especialmente diante de perdas inesperadas concentradas em um curto espaço de tempo. Entre elas, a isenção do IPVA aprovada pela Assembleia Legislativa, que retirou cerca de R$ 100 milhões da receita de Maringá, já que metade do imposto é destinada aos municípios. Além disso, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil reduziu em aproximadamente R$ 30 milhões a arrecadação do imposto retido dos servidores municipais.

Para Silvio Barros, essas mudanças precisaram ocorrer a poucas semanas do prazo final para envio do orçamento à Câmara Municipal, em função da notícia da diminuição do repasse do IPVA, o que inviabilizou qualquer possibilidade de escalonamento do reajuste do IPTU. “Não havia tempo para discutir alternativas. Era preciso tomar uma decisão”, argumenta.

A arrecadação do IPTU é destinada a serviços essenciais revertidos à população, como serviços de arborização, que inclui por exemplo a remoção de cerca de 12 mil árvores e mais de 40 mil podas, com custo estimado em R$ 80 milhões. A receita também será destinada a obras previstas que constam no Plano Plurianual (PPA) 2026-2029, como a implantação da UPA Zona Leste, reforma do Hospital Municipal, Unidades Básicas de Saúde (UBSs), construção e ampliação de Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) e escolas municipais, implantação de restaurante popular no Jardim Alvorada e no Conjunto Requião e construção de unidades habitacionais, além da previsão de continuidade de obras importantes, como do Centro de Eventos Oscar Niemeyer e do Eixo Monumental.

Silvio Barros reconhece o impacto do reajuste no bolso do contribuinte, mas segundo ele a decisão foi baseada na responsabilidade fiscal e no compromisso com a manutenção da qualidade de vida da cidade no longo prazo. “Não se trata de popularidade, mas de garantir que Maringá continue funcionando e tenha recursos para os próximos 50 anos”, afirma.

Dados do IPTU

Serão lançados pouco mais de 203 mil carnês de IPTU. A arrecadação estimada para 2026 é de cerca de R$ 501 milhões (incluindo cadastros com isenção de IPTU, mas que pagam taxa ou contribuição de iluminação pública). Em 2025, foram lançados cerca de 197 mil carnês e a arrecadação estimada foi de R$ 380 milhões. Veja abaixo a lista dos 10 maiores lançamentos de IPTU em 2026:

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