Cidade de 25 mil habitantes na região de Maringá fatura mais de R$ 1 bilhão com o agro e entra em ranking no Paraná; veja a lista


Por Thiago Danezi

O agronegócio segue como um dos principais motores da economia do Paraná. Dados do levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral) apontam que o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária do estado atingiu R$ 188,3 bilhões, resultado que reúne o desempenho de centenas de atividades agrícolas e pecuárias distribuídas em todas as regiões paranaenses.

Soja – colheita. Fotos:Jaelson Lucas / Arquivo AEN

Na região de Maringá, embora o município-sede não esteja entre os maiores arrecadadores do estado, a produção rural continua sendo um importante pilar econômico, com destaque para a soja e para cadeias produtivas que envolvem frango, cana-de-açúcar e pecuária.

Municípios menores ganham destaque no agro paranaense

Mesmo com população relativamente pequena, diversos municípios do Paraná figuram entre os maiores destaques do agronegócio estadual. Um exemplo é Castro, nos Campos Gerais, que aparece na 3ª colocação do ranking estadual com R$ 3,6 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP), tendo como principal atividade a produção de leite bovino, responsável por uma parcela significativa da economia rural local.

Foto: Ari Dias | AEN

Na região Noroeste e Norte do estado, cidades ligadas ao Maringá também se destacam. É o caso de Ubiratã, com menos de 25 mil habitantes, que ocupa a 22ª posição no ranking estadual, com cerca de R$ 1,2 bilhão em VBP, impulsionado principalmente pela produção de frango de corte. Outro exemplo é Cianorte, município com menos de 100 mil habitantes que também registra aproximadamente R$ 1,2 bilhão em produção, com destaque para a avicultura.

Já Astorga, que integra o núcleo regional de Maringá, aparece na 29ª colocação, com R$ 1 bilhão em VBP, tendo novamente o frango de corte como principal atividade. No Noroeste, Paranavaí figura entre os destaques estaduais com cerca de R$ 1 bilhão em produção, impulsionado pela citricultura, especialmente a laranja, ocupando a 34ª colocação.

Também aparece no ranking Umuarama, na 35ª posição, com cerca de R$ 1 bilhão em VBP, com destaque para a pecuária de bovinos de corte, reforçando a força do agronegócio em municípios de médio e pequeno porte no interior do estado.

Como é calculado o Valor Bruto da Produção

De acordo com a economista Larissa Nahirny, do Deral, o cálculo do VBP considera duas variáveis principais: o volume produzido e o preço recebido pelo produtor rural. Segundo ela, o departamento acompanha uma lista ampla de atividades do campo. “São mais de 300 culturas que a gente levanta, incluindo lavouras, pecuária e setor florestal. A partir da produção estimada e dos preços de comercialização recebidos pelo produtor, fazemos a multiplicação que indica o valor gerado no campo”, explica ao GMC Online.

Os preços são monitorados semanalmente para produtos de maior relevância. Além disso, técnicos acompanham o desenvolvimento das lavouras, como plantio, colheita e condições climáticas. Mensalmente ocorre um refinamento das estimativas de produtividade e, ao longo do ano, os dados são consolidados para chegar ao resultado final do VBP.

Esse valor considera apenas o que é gerado dentro da propriedade rural, antes de qualquer beneficiamento industrial ou agregação de valor nas cadeias produtivas.

Agro do Paraná é diversificado, mas poucos produtos concentram a maior parte da renda

Embora o levantamento inclua centenas de culturas, a economista destaca que cerca de dez atividades concentram a maior parte da renda agrícola do estado.

Entre os principais destaques estão:

A liderança dessas atividades está ligada principalmente à organização das cadeias produtivas, infraestrutura, cooperativismo e rentabilidade para o produtor rural. “O produtor tende a investir nas atividades que oferecem maior retorno econômico. Além disso, fatores como clima, solo e a presença de cooperativas e indústrias acabam favorecendo determinadas culturas em cada região”, explica Larissa.

Produção pecuária cresce de forma consistente no estado

Enquanto as lavouras sofrem maior influência das condições climáticas, o setor pecuário tem apresentado crescimento mais estável ao longo dos anos. Segundo a economista, cadeias como frango, suínos e peixes, especialmente a produção de tilápia, continuam expandindo e conquistando novos mercados.

“A pecuária tende a ter menos oscilações que as lavouras. Ano após ano, ela apresenta crescimento consistente e reforça a importância do setor para o agronegócio paranaense”, afirma.

Já a produção de leite enfrenta momentos de maior pressão sobre a rentabilidade, com variações nos preços pagos aos produtores.

Expectativa é que VBP do Paraná ultrapasse R$ 200 bilhões

O levantamento referente à safra 2024/2025 ainda está sendo consolidado, mas as projeções indicam recuperação significativa da produção agrícola, especialmente de grãos. Em 2024, o setor registrou perdas relacionadas a condições climáticas, como períodos de estiagem que afetaram a produtividade da soja.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Para o próximo balanço, a expectativa é mais positiva. “Já está consolidado que houve uma recuperação bem expressiva da produção de grãos. Só esse fator deve acrescentar cerca de R$ 10 bilhões ao resultado final”, explica a economista.

Com a valorização de alguns produtos pecuários e a melhora da produção agrícola, a estimativa é que o valor bruto da produção do Paraná ultrapasse os R$ 200 bilhões.

Maringá tem soja como principal cultura agrícola

No ranking estadual de 2024, o município de Maringá registrou VBP de R$ 356,5 milhões, ocupando posição mais modesta em comparação com cidades de forte perfil agrícola.

Mesmo assim, a produção rural local continua relevante, principalmente na cultura da soja.

A menor participação no ranking estadual ocorre principalmente porque o território urbano do município é bastante consolidado, reduzindo a área disponível para produção agrícola.

Região de Maringá movimenta quase R$ 9 bilhões no campo

Apesar do desempenho individual menor da cidade, o Núcleo Regional de Maringá, que reúne 29 municípios, tem grande importância para o agronegócio paranaense.

Em 2024, a região foi responsável por:

Dentro desse território, a produção agrícola varia conforme o tipo de solo e as características econômicas de cada localidade. A economista explica que existem diferentes vocações produtivas dentro da própria região.

Outras atividades relevantes incluem pecuária bovina e citricultura em municípios do noroeste do estado, como Paranavaí, conhecido pela produção de laranja.

Oeste do Paraná concentra os maiores valores do agronegócio

Enquanto a região de Maringá representa 5% do VBP estadual, algumas áreas apresentam concentração ainda maior de riqueza gerada pelo campo. É o caso do Núcleo Regional de Toledo, no oeste do Paraná, que reúne 20 municípios e registrou:

Nesse núcleo, a produção animal tem forte protagonismo, especialmente:

O município de Toledo, por exemplo, lidera o ranking estadual com R$ 4,72 bilhões em produção, sendo que R$ 1,32 bilhão vem da suinocultura, responsável por 28% do valor total do município.

Foto: Deral | Reprodução

Municípios com maior produção agrícola no Paraná

Ranking dos municípios com maior Valor Bruto da Produção no Paraná

O levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) mostra que 33 municípios paranaenses ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão em Valor Bruto da Produção (VBP) em 2024. O ranking é liderado por cidades do Oeste e dos Campos Gerais, regiões que concentram grandes cooperativas agroindustriais e cadeias produtivas consolidadas.

Veja o ranking completo dos municípios com mais de R$ 1 bilhão em VBP no Paraná em 2024:

  1. Toledo — R$ 4,72 bilhões (suínos de corte)
  2. Cascavel — R$ 3,63 bilhões (soja)
  3. Castro — R$ 3,62 bilhões (leite bovino)
  4. Santa Helena — R$ 2,48 bilhões (frango de corte)
  5. Guarapuava — R$ 2,33 bilhões (soja)
  6. Carambeí — R$ 2,32 bilhões (leite bovino)
  7. Marechal Cândido Rondon — R$ 2,17 bilhões (frango de corte)
  8. Dois Vizinhos — R$ 2,02 bilhões (frango de corte)
  9. Assis Chateaubriand — R$ 1,85 bilhão (frango de corte)
  10. São Miguel do Iguaçu — R$ 1,78 bilhão (frango de corte)
  11. Nova Aurora — R$ 1,77 bilhão (frango de corte)
  12. Tibagi — R$ 1,62 bilhão (soja)
  13. Palotina — R$ 1,62 bilhão (frango de corte)
  14. Francisco Beltrão — R$ 1,60 bilhão (frango de corte)
  15. Piraí do Sul — R$ 1,53 bilhão (soja)
  16. Lapa — R$ 1,41 bilhão (soja)
  17. Arapoti — R$ 1,40 bilhão (leite bovino)
  18. Prudentópolis — R$ 1,35 bilhão (soja)
  19. Palmeira — R$ 1,31 bilhão (soja)
  20. Ubiratã — R$ 1,28 bilhão (frango de corte)
  21. Cafelândia — R$ 1,25 bilhão (frango de corte)
  22. Londrina — R$ 1,25 bilhão (soja)
  23. Cianorte — R$ 1,24 bilhão (frango de corte)
  24. Missal — R$ 1,18 bilhão (suínos de corte)
  25. Medianeira — R$ 1,11 bilhão (frango de corte)
  26. Ponta Grossa — R$ 1,10 bilhão (soja)
  27. Astorga — R$ 1,09 bilhão (frango de corte)
  28. Itaipulândia — R$ 1,06 bilhão (frango – recria para engorda)
  29. Nova Santa Rosa — R$ 1,05 bilhão (suínos de corte)
  30. Corbélia — R$ 1,05 bilhão (frango de corte)
  31. Pinhão — R$ 1,03 bilhão (soja)
  32. Paranavaí — R$ 1,01 bilhão (laranja)
  33. Umuarama — R$ 1,00 bilhão (bovinos de corte)

Já Maringá aparece abaixo desse grupo, com R$ 356,5 milhões em Valor Bruto da Produção, tendo a soja como principal cultura, responsável por cerca de R$ 149,4 milhões, o que representa 42% da produção agrícola do município.

Foto: Deral | Reprodução

Mesmo sem figurar entre os maiores valores do estado, Maringá integra um núcleo regional agrícola importante. O Núcleo Regional de Maringá, formado por 29 municípios, movimentou aproximadamente R$ 8,9 bilhões em produção agropecuária, o equivalente a 5% de todo o VBP do Paraná.

Foto: Deral | Reprodução

Ao todo, 33 municípios do Paraná superaram a marca de R$ 1 bilhão em produção agropecuária. Um exemplo é Castro, nos Campos Gerais, onde apenas a produção de leite gerou mais de R$ 1,26 bilhão, representando 35% do VBP municipal.

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