Conheça o ‘Lesbike’, primeiro pedal sapatão de Maringá

A necessidade de socializar, somada à busca por mais qualidade de vida, fez com que Wellen Rezende e Priscila Brasil criassem o ‘Lesbike’, primeiro pedal sapatão de Maringá. O grupo, que nasceu no Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, em 29 de agosto do ano passado, já soma cerca de 60 mulheres.
Wellen, 36 anos, é consultora empresarial e deixou Belo Horizonte em dezembro de 2020 para viver na Cidade Canção. Aqui, ela conheceu a empresária Priscila, 36, e pouco depois começaram a namorar. Tudo aconteceu durante a pandemia, em um cenário de isolamento social.
“Eu estava passando por muitas mudanças na minha vida, porque tinha vindo para Maringá, e não sabia onde fazer amizade com outras lésbicas. Era muito difícil entender em quais ambientes elas estavam aqui em Maringá, principalmente por estar tudo fechado devido à pandemia. E a Priscila não estava muito bem, estava fazendo terapia. Percebemos que precisávamos de algo que pudesse promover saúde física e mental e que, ao mesmo tempo, a gente pudesse socializar, pois estávamos muito isoladas. O pedal veio, inicialmente, como ideia da Pri. Ela estava com vontade de pedalar e, por impulso, acordou e comprou uma bicicleta. Eu me animei e também arrumei uma bike para a gente começar a andar”, detalhou Wellen em entrevista ao GMC Online.

Com as bikes em mãos, elas começaram a procurar grupos de ciclistas para participar de pedais em Maringá, mas não se identificaram com nenhum. “Encontramos ciclistas profissionais, que normalmente não estão muito interessados em andar com iniciantes. E a maioria dos ciclistas fazem pedais fora da cidade, mas a gente queria explorar Maringá, as ciclovias, principalmente, e conhecer mais da cidade. Então surgiu a ideia de criar nosso próprio grupo, com o qual a gente se identificasse. Nasceu então o ‘Lesbike'”, explica.
Para ajudar a divulgar o grupo, as meninas contaram com a ajuda de um bar de Maringá. E o primeiro pedal, realizado uma semana depois da fundação do grupo, já somava 16 mulheres. “Foi tomando uma dimensão que a gente não esperava. E foi um ponto de atenção, porque mostrou que a cidade também está muito carente de projetos que tragam essa representatividade específica. Existem muitos movimentos de dentro da comunidade LGBT+, mas de representatividade lésbica a gente não encontrou outras referências”, afirma Wellen.
De acordo com ela, em cinco meses, o ‘Lesbike’ acabou se tornando muito mais que um grupo de pedal. “Percebo que o grupo está se consolidando como um grupo de representatividade, de pertencimento. E a cada nova sapatão que vem somar com a gente, recebemos esse feedback de como o grupo chamou a atenção delas porque agora elas podem sentir que estão num espaço que é para elas. Tanto que muitas fazem parte do grupo de pedal mas nem têm bicicleta. Saber que é possível existir assumidamente, que podemos nos apropriar do espaço público como qualquer outra pessoa e poder firmar nossa existência, valida nossa identidade e nossas relações”, destaca.

Apesar de ser protagonizado por lésbicas, o pedal é aberto a qualquer mulher que queira praticar o esporte e fazer novas amizades “Mulheres que não são lésbicas mas gostariam de andar com a gente porque acham que é mais seguro andar em grupo, mulheres que gostam de pedalar mas não encontram companhia e se sentem à vontade no nosso grupo, aquelas que ainda não se sentem prontas para se assumir… todas são bem-vindas”, frisa Wellen.
O grupo promove pedais semanalmente, percorrendo principalmente as ciclovias de Maringá. Além disso, são realizados encontros e rodas de conversa. Saiba mais no Instagram do ‘Lesbike’ (acesse aqui).
