
No último domingo, 18, o corpo de Matheus Manzano Rodrigues foi encontrado em um fundo de vale no Jardim Itália, em Maringá. Ele estava desaparecido havia três dias. O corpo foi localizado por um morador em situação de rua.
Para identificar a vítima e esclarecer a causa da morte, a Polícia Científica foi acionada. Na análise preliminar, os peritos encontraram uma lesão no corpo. No entanto, devido ao estado de decomposição, não foi possível determinar no local a causa do óbito, sendo necessários exames complementares, realizados na unidade de Medicina Legal.
Perícia
Em entrevista exclusiva ao Portal GMC Online, a chefe da Polícia Científica de Maringá, Larissa Barros Costa, explicou como é realizado o trabalho da perícia em casos de mortes violentas, como acidentes, homicídios e suicídios, além de mortes consideradas suspeitas.
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“Entendemos como morte suspeita os casos em que há a possibilidade de uma morte violenta cujas circunstâncias precisam ser esclarecidas”, afirma.
Nos últimos quatro meses, quatro corpos foram encontrados em fundos de vale de Maringá. Além desses casos, a perícia também atuou em ocorrências registradas em vias públicas. Um exemplo é o de um motorista de caminhão encontrado morto dentro da cabine do veículo, no Parque Industrial Bandeirantes, no dia 13 de janeiro.
Centro de referência
Segundo Larissa, a unidade da Polícia Científica de Maringá é um centro de referência no Paraná e concentra diversos serviços periciais importantes. “Somos uma equipe multidisciplinar composta por peritos de local de crime, peritos em medicina e odontologia forense, peritos de balística e chassi e, em breve, a expectativa é que tenhamos também um laboratório de química e toxicologia”, explica.
Exames e equipamentos
Para descobrir a causa da morte, é necessário o exame de necropsia, no qual são analisadas possíveis lesões. Quando necessário, também são realizados exames de imagem e análises toxicológicas, para identificar, por exemplo, a presença de drogas no organismo. Em outros casos, podem ser necessárias análises da criminalística, como a recuperação de projéteis no corpo ou no local.
“Os exames realizados e os equipamentos utilizados nas ocorrências dependem da natureza e da complexidade de cada caso, assim como dos vestígios envolvidos”, explica.
Um dos recursos adotados recentemente pela Polícia Científica de Maringá é o uso de drones para mapear os locais das ocorrências. “Acabamos de receber um drone de última geração”, comemora.
Identidade das vítimas
Em relação à identificação dos corpos, Larissa explica que a Polícia Científica trabalha em parceria com a Polícia Civil e que o primeiro passo é a coleta das impressões digitais.
“As impressões são confrontadas com o banco de dados dos RGs e, muitas vezes, contamos com o apoio da imprensa para divulgar dados pessoais, como nome, idade e naturalidade, além da foto do documento, para que os familiares tomem conhecimento e venham realizar a liberação do corpo”, afirma.
Em média, o trabalho de identificação é concluído em até 24 horas, mas pode levar mais tempo em casos nos quais os documentos não são localizados ou quando o corpo não está bem conservado.
Corpos em decomposição
Em ocorrências com cadáveres em estado de decomposição, o trabalho se torna mais desafiador. “Quanto maior o tempo transcorrido entre o óbito e a perícia, mais complexa pode ser a identificação e o esclarecimento da causa da morte, já que há perda da qualidade das digitais”, explica.
No entanto, Larissa ressalta que, quando a causa da morte é um trauma externo, ela pode estar evidente mesmo após um certo período de tempo. “Cadáveres em avançado estado de decomposição são sempre um desafio, mas temos obtido bons resultados. Todos os casos recentes foram identificados e liberados aos familiares”, conclui.