Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso site, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao acessar nosso portal, você concorda com o uso dessa tecnologia. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.

02 de abril de 2026

Documentário sobre caso Sevilha debate perigo da profissão


Por Luciana Peña/CBN Maringá Publicado 22/07/2022 às 14h15 Atualizado 20/10/2022 às 13h25
Ouvir: 00:00
Foto: Reprodução/Sindifisco Nacional

“Sevilha não foi o único e também não foi o último, mas a esperança de ser feito justiça estava no coração de todos nós. Estamos aguardando até hoje. Que seja feita a justiça”

O desejo de Justiça é do auditor fiscal Norival Trantuein colega de trabalho de José Antônio Sevilha, o auditor fiscal assassinado em Maringá em setembro de 2005.

Os acusados pelo crime ainda não foram julgados. A nova data do júri é outubro deste ano, quando o crime terá completado 17 anos.

A tese da acusação é que Sevilha foi morto por causa da função pública que exercia.

O Sindifisco, Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, alerta para o perigo da profissão.

O caso Sevilha foi contado num documentário produzido pelo Sindifisco e lançado no ano passado.

O documentário: “Sevilha, em nome do Estado”, está disponível no canal do Sindifisco Nacional no Youtube.

Um dos  entrevistados é o delegado de Polícia Federal César Luiz Busto de Souza. Ele conta que Sevilha era requisitado para investigações intensas e urgentes. 

“No ritmo policial, que é aquela coisa que tem que ser agora, tudo é urgente, não importa que hora que é, que dia que é. Nossa operação necessitava de ações sempre diferenciadas e, muitas vezes, a gente contava com a receita federal, e o Sevilha era o ponto focal. É realmente uma atividade de risco, quanto mais você se envolve no enfrentamento, numa investigação de alto risco, maior o risco que o servidor fica. Toda vez que um policial, ou um servidor da area de repressão sofre um atentado, ou até mesmo acaba sendo vítima de um homicídio, a gente volta a lembrar o tanto que a atividade é arriscada. Tanto que nós às vezes nem sabemos que estamos sendo monitorados, observados ou até mesmo procurados por alguma pessoa que você investigou em algum momento. Enfim, a nossa vida realmente não é normal. Trabalhar na investigação […] torna sua vida totalmente diferente das pessoas normais”, diz Souza

Sevilha foi morto na frente da casa da mãe dele. Se os auditores fiscais correm perigo, como fica a família? Outro ponto questionado no documentário. Como preservar a família é o mais difícil, diz o ex-delegado da Receita Federal Décio Pialarissi. 

“O difícil para quem está numa posição de tomar a decisão […] é como deixar a família fora disso. Eu sempre dizia que em Maringá, se o crime é organizado, o estado não pode se desorganizar”, diz Pialarissi.

O delegado da Polícia Federal Fabiano Zanin também falou sobre a segurança na atividade de investigação. 

“O atentado contra o Sevilha, na verdade, jogou um pouco de luz em alguns questionamentos íntimos que as pessoas que trabalham na área de repressão fazem de vez em quando. Até que ponto nós estamos expostos no trabalho e até que ponto existe segurança institucional e uma resposta pros casos de agressão?”, diz Zanin.

O documentário emociona ao ouvir o colega de Sevilha,  Norival. 

“A receita dos colegas da Receita foi a solidariedade, tristeza, o espanto, inclusive o medo, porque, assim como foi ele, poderia ter sido qualquer um de nós. Eu acredito que eu fui o último auditor fiscal a ver ele vivo, porque depois eu fui ver ele no caixão, algumas horas mais tarde”, relata Norival.

Ouça a reportagem completa na CBN Maringá. 

Pauta do Leitor

Aconteceu algo e quer compartilhar?
Envie para nós!

WhatsApp da Redação