É possível dar conta de tudo? Especialista aponta caminhos para mulheres lidarem com sobrecarga

Uma reflexão sobre os desafios das mulheres contemporâneas ganha destaque às vésperas do Dia das Mães: é possível equilibrar todas as áreas da vida com perfeição? Para a jornalista e professora especialista em desenvolvimento pessoal Danielle Bianchi, a resposta é direta — não.
Segundo ela, há um padrão de sobrecarga crescente, alimentado principalmente por expectativas irreais reforçadas nas redes sociais. Em entrevista à CBN Maringá, Danielle explicou que muitas mulheres vivem pressionadas pela ideia de que precisam ser bem-sucedidas em todas as esferas ao mesmo tempo: carreira, maternidade, vida pessoal e autocuidado. ““Eu acho que a primeira sobrecarga vem desse discurso de equilíbrio. Muitas vezes nessa necessidade que a gente tem de mostrar que a gente dá conta de tudo, a gente se frustra muito”, diz a especialista, que é mãe de duas meninas com menos de três anos. “Não adianta eu olhar para minha carreira e achar que eu vou fazer o que eu fazia quando eu não tinha filhas. Eu sinto que as mulheres precisam, em pricmeiro lugar, se instalar na realidade. Existe uma frustração muito grande de mulheres que queriam continuar tendo a vida de antes da maternidade ou do casamento”.
Essa cobrança constante, de acordo com a especialista, está ligada a uma geração que aprendeu a acumular funções e valoriza o desempenho, mas que também enfrenta demandas intensas dentro de casa. O resultado é um conflito interno que pode levar ao esgotamento emocional e à sensação de vazio, mesmo diante de conquistas importantes. Para enfrentar esse cenário, Danielle defende uma mudança de perspectiva: abandonar a ideia de equilíbrio perfeito e buscar integração entre os diferentes papéis. “Se você tem filhos, você foi chamada à maternidade, que é talvez o papel mais importante. Se você tem uma carreira, você também foi chamada. É tirar essa fragmentação de que a gente tem que ser uma pessoa diferente em cada lugar. Nós somos quem nós somos em todos os lugares. Eu sei que não estou com minha filha agora, mas estou fazendo o que preciso aqui, e sei que cuidarei dela quando voltar”.
Para ela, a questão-chave é entender quem queremos nos tornar. “Quando a mulher começa a estar mais inteira, ela passa a viver com mais leveza, entendendo que está fazendo o que precisa ser feito em cada momento”, explica. Segundo a especialista, comparar a própria rotina com a de outras pessoas, especialmente nas redes sociais, é um dos principais fatores de sofrimento. “Temos que ter maturidade para entender que aquilo não é a vida real. O excesso de informação e a comparação no Instagram prejudicam muito as mulheres”, destaca. A mentora sugere estratégias simples, como o planejamento semanal, a criação de micro metas e a inclusão de momentos de pausa na rotina. “Tire um tempo para planejar, esboçar cardápio e listar compromissos fixos. Isso poupa ansiedade e tira a gente do modo ‘apagando incêndios’. Às vezes não visualizamos o quanto executamos porque não colocamos no papel”, diz. Atividades individuais, como ler um livro, tomar um café sozinha ou praticar um hobby, são apontadas por ela como essenciais para “recarregar o tanque” emocional.
Danielle também ressalta a importância do autoconhecimento e da construção de um sentido de vida que vá além dos papéis desempenhados e reforça que cada fase tem seu valor. “Se vivemos 80 anos, passamos 30 dormindo e uns 30 trabalhando; sobram 20 para viver em presença. Se perdemos esse tempo em desordem ou excesso de tela, estamos perdendo a vida. Cada fase tem o seu presente e saber aproveitar isso é super importante”, finaliza.
