‘Ele me manipulava emocionalmente’: moradora de Maringá quebra silêncio e detalha relação com Felca


Por Thiago Danezi
felippe (1)
Foto: Arquivo pessoal | Foto: @felca0/Instagram

A designer de moda e estudante Rosilene Silva, de 25 anos, moradora de Maringá, falou pela primeira vez ao GMC Online sobre as acusações que fez contra o youtuber Felca, nome artístico de Felipe Bressanim Pereira, conhecido nacionalmente pelos conteúdos de humor e, mais recentemente, por participações em programas de televisão abordando temas ligados à saúde mental.

No início de abril, Rosilene publicou uma série de relatos nas redes sociais afirmando ter vivido um relacionamento marcado por manipulação psicológica, intimidação e sofrimento emocional ao lado do influenciador. As declarações repercutiram nacionalmente após ela afirmar que o criador de conteúdo viveria um “personagem” diante das câmeras. Agora, em entrevista ao GMC Online, Rosilene detalhou como teria sido o relacionamento e explicou por que decidiu tornar a história pública.

Relacionamento começou após conhecer Felca no Tinder

Rosilene contou que conheceu Felipe quando tinha 18 anos, por meio do Tinder, aplicativo de relacionamentos. Segundo ela, o namoro começou quando tinha 19 anos e terminou aos 21. Durante boa parte do relacionamento, os dois moraram juntos.

Natural de Londrina, ela afirmou morar em Maringá desde setembro de 2025 e disse que, durante o relacionamento, chegou a trabalhar auxiliando Felca na produção de conteúdo para as redes sociais. “Eu trabalhava ajudando nas redes sociais, escolhendo temas, produzindo e editando vídeos”, relatou.

Foto: Arquivo pessoal

Segundo Rosilene, no início, o comportamento do influenciador era acolhedor, principalmente em relação às dificuldades de socialização que ela enfrentava. No entanto, afirma que a dinâmica teria mudado após o início do relacionamento sério. “Quando o relacionamento começou, ele passou a me intimidar de diversas formas”, afirmou.

Acusações de manipulação e violência psicológica

Na entrevista, Rosilene alegou que vivenciou episódios de manipulação emocional e intimidação durante o relacionamento. De acordo com ela, o influenciador utilizaria o chamado “tratamento de silêncio” como forma de punição emocional e teria adotado comportamentos que abalavam sua autoestima.

Ela também afirmou que houve episódios que a deixaram amedrontada. “Uma vez chegou a arremessar objetos contra a parede para me causar medo”, disse. Rosilene relatou ainda que, apesar das tentativas de encerrar o relacionamento, tinha dificuldade em se afastar.

“Eu tentei me desvincular dele diversas vezes, mas era muito difícil. Ele me manipulava emocionalmente para que eu permanecesse no relacionamento”, afirmou. A jovem também citou comportamentos sexuais que disse não aceitar e classificou como desconfortáveis, além de comentários que teriam afetado sua autoconfiança ao longo dos anos.

Diagnóstico de autismo e dificuldade para reconhecer abusos

No primeiro relato publicado nas redes sociais, Rosilene mencionou ter sido diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2 de suporte. Ao GMC Online, ela afirmou acreditar que a condição influenciou diretamente na dificuldade de perceber que estaria vivendo uma situação de violência psicológica. “Demorei muitos anos para compreender que havia vivido uma situação de violência psicológica”, disse.

Segundo ela, outras mulheres autistas também a procuraram após a repercussão do caso relatando experiências semelhantes em relacionamentos abusivos. “Muitas pessoas não entendem como funciona a mente de uma pessoa com TEA nível 2 de suporte, nem como determinadas vulnerabilidades podem impactar a forma como percebemos relações e conflitos”, afirmou.

Por que falar em público agora?

Rosilene afirmou que a decisão de falar publicamente sobre o assunto não foi simples e teria sido motivada pelo crescimento da exposição nacional de Felca, incluindo participações na televisão. Ela disse que passou anos tentando compreender o que havia vivido antes de tornar a história pública.

“Eu precisei compreender que o que vivi foi uma situação de violência para então conseguir lidar com isso”, declarou. Segundo ela, ver o influenciador debatendo saúde mental em rede nacional foi um fator determinante.

“Ver o meu agressor em rede nacional confirmou a minha decisão”, afirmou. A estudante também disse ter recebido uma notificação extrajudicial solicitando que deixasse de mencionar o nome do influenciador.

Além disso, afirmou ter sido procurada por quatro mulheres que relataram situações semelhantes envolvendo Felca, embora nenhuma delas tenha desejado se expor publicamente. “Tenho conversas que demonstram esses relatos, mas elas não querem se expor e eu respeito completamente essa decisão”, disse.

Entenda a polêmica envolvendo Felca

A repercussão começou após Rosilene publicar um desabafo no X, antigo Twitter, no dia 1º de abril, alegando ter tido o “psicológico destruído” durante o relacionamento com Felca. Na ocasião, ela afirmou que o influenciador seria manipulador, mentiroso e viveria um personagem diante do público. Também relatou episódios de sofrimento emocional, crises de choro e medo.

Em um dos trechos publicados, Rosilene afirmou ter sido retirada da casa onde morava após uma crise emocional. “Disseram que iriam me levar para tomar açaí e me colocaram na rua”, escreveu na época. Ela também alegou ter sofrido traições durante o relacionamento e afirmou não acreditar que a imagem pública do influenciador corresponda à pessoa que conheceu. “Para mim, parece muito mais uma imagem construída do que quem ele realmente é”, declarou ao GMC Online.

O que diz Felca?

A reportagem tentou contato com o infuenciador Felca para comentar o caso e até o momento não obteve respostas. O espaço segue aberto para manifestações.

Sair da versão mobile